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Franco Morbidelli, sensação da MotoGP, é fã de Senna, gosta do Corinthians e adora feijoada

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Sensação da MotoGP, ítalo-brasileiro Franco Morbidelli conta sobre sua admiração por Ayrton Senna (1:25)

'Tenho até hoje um pôster dele em cima da cama', disse o motociclista (1:25)

A temporada 2020 da MotoGP é uma das mais disputadas dos últimos anos. Faltando três corridas para o final, cinco pilotos possuem chances reais de título, entre eles um "quase" brasileiro.

Trata-se de Franco Morbidelli, de 25 anos, filho de mãe brasileira (Cristina, que foi casada com o ex-piloto italiano Livio Morbidelli), e, portanto, 50% "brazuca" - não à toa, ele corre com a bandeira verde-e-amarela ao lado da italiana no capacete.

Uma das grandes sensações da temporada, o jovem atleta da Petronas Yamaha SRT está em 4º lugar, com 112 pontos, apenas 25 pontos atrás do líder, o espanhol Joan Mir (Team Suzuki Ecstar), e crê firmemente que pode faturar o troféu.

Em entrevista à ESPN direto do circulo de Valência, na Espanha, onde corre neste domingo, Morbidelli mostrou confiança - e falando em português fluente.

"Estamos na briga para ganhar o campeonato. É uma coisa muito surpreendente, porque isso não é normal, não é algo normal para um piloto 'satélite'. Mas trabalhamos muito bem na pré-temporada e agora estamos lutando pelo título. Vamos lutar, tentar fazer bons resultados e ver onde terminamos no final", afirmou.

No bate-papo com a reportagem, o piloto falou sobre sua paixão pelo Brasil e contou que idolatra Ayrton Senna.

"Quando eu nasci, minha mãe colocou um pôster do Ayrton em cima da minha cama. Ainda tenho esse pôster, eu o levo para cada casa que tenho e ele fica sempre em cima da minha cama", emocionou-se.

Morbidelli ainda revelou que é apaixonado por futebol, e garantiu que é bom de bola graças à "ginga" brasileira. Ele relatou que é torcedor apaixonado da Roma, mas que também simpatiza com o Corinthians no Brasil.

O ítalo-brasileiro também falou sobre como foi mentorado por Valentino Rossi desde o início da carreira, relembrou sua trajetória nas categorias inferiores da motovelocidade e contou sobre o dia em que ensinou ninguém menos que Lewis Hamilton a andar de moto.

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ESPN: Conte para a gente como é sua ligação com o Brasil
Franco Morbidelli: Minha mãe é brasileira do Recife. Ela se mudou para Lisboa e depois para Roma, onde conheceu meu pai. Eu nasci na Itália e passei toda a vida aqui, mas tenho muitos amigos brasileiros e sempre passei muito tempo com brasileiros na Itália. Eu fui para o Recife quando era bem pequeno, passei dois meses, mas não lembro muito. Depois, fui uma segunda vez, já mais velho, e fiquei três meses. Passei muito tempo com meus primos e toda a família. Gosto muito do jeito de ser dos brasileiros e do estilo de vida.

ESPN: Foi por isso que você colocou a bandeira do Brasil ao lado da italiana no seu capacete?
FM: Sim, eu gosto muito de carregar a bandeira do Brasil no capacete porque é metade de mim. Sou metade brasileiro, metade italiano. Escolhi colocar as duas bandeiras, porque Itália-Brasil é o que sou, é o que me caracteriza.

ESPN: O que você mais gosta do Brasil?
FM: O que eu mais gosto acho que é o clima. No Brasil, o clima é perfeito, é ótimo, sempre bem quente! Eu gosto muito! Também gosto muito de churrasco, é meu prato preferido do Brasil. Em 2º lugar está a feijoada. A que a minha mãe faz é muito gostosa!

ESPN: Como você iniciou a carreira na motovelocidade?
FM: Começou quando eu tinha dois anos e meio! Meu pai [Livio Morbidelli] era piloto no Campeonato Italiano de moto. Quando ele encerrou a carreira, passou a trabalhar como mecânico. Quando eu nasci, ele queria que eu fosse piloto e me deu uma mini-moto. Foi aí que comecei a minha carreira.

ESPN: Você teve como mentor ninguém menos do que Valentino Rossi, não é?
FM: Eu morava em Roma e, quando tinha 10 anos, mudei de casa e fui para uma região da Itália em que dá mais para praticar o esporte, perto de Mizano. Ali conheci o Valentino Rossi e comecei treinando com ele quando tinha 13 anos. Ele começou a me ajudar e meu deu muitos conselhos em todos os aspectos que a vida de piloto tem. Eu comecei com 13 anos e agora tenho 25. Passou bastante tempo, mas não parece que foi tanto tempo...

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ESPN: O Valentino é sua grande inspiração no esporte?
FM: Claro! Ele é, com certeza, uma das minhas maiores inspirações. Claro que gosto também do Ayrton Senna e de outros esportistas de várias modalidades, mas, como piloto, ele é certamente minha maior inspiração.

ESPN: E em breve vocês serão companheiros de equipe, não é?
FM: Sim, nós seremos companheiros de equipe na Petronas, no ano que vem. Essa é uma história muito boa, acho que é uma história muito legal. Eu conheci o Valentino há tanto tempo, e ele foi meu mentor. Agora, no ano que vem seremos colegas de equipe. Será algo muito legal, e a gente vai lembrar disso por muitos anos.

ESPN: Você é muito jovem. Como se tornou tão fã do Ayrton Senna?
FM: Eu cheguei (ao mundo) quando o Ayrton se foi... Mas conheço o Ayrton desde sempre, porque minha mãe gostava muito dele. Quando eu nasci, ela colocou um pôster dele em cima da minha cama. Ainda tenho esse pôster, eu o levo para cada casa que tenho e ele fica sempre em cima da minha cama. Foi um piloto que, infelizmente, não tive a oportunidade de vê-lo correr, mas o que ele fez e a maneira que ele falava e guiava o carro eram impressionantes. Eu fui gostando cada vez mais dele conforme fui crescendo.

ESPN: Como foi sua ascensão nas categorias inferiores até chegar à MotoGP?
FM: Foi bastante difícil, porque eu cheguei de um campeonato europeu que é mais fácil que a Moto2 [European Superstock 600]. Cheguei ao Mundial de Moto2 em 2014 e foi bem difícil, o nível estava muito alto e as coisas foram bem complicadas. Mas continuei trabalhando, aprendendo e sempre tive muita vontade de chegar ao topo. Trabalhei muito para estar onde estou hoje. Na metade de 2014, já consegui alguns resultados bons. Lembro do meu primeiro top 5, em Aragão, e da primeira linha em Valência. As coisas foram saindo e continuei trabalhando até chegar em 2016, quando fiz muitos pódios. Em 2017, ganhei o campeonato de Moto2 e aí fiz a transição para a MotoGP.

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ESPN: Na atual temporada, você está em 4º lugar, mas tem chances reais de título se for bem nas três corridas restantes. Acredita que pode ser campeão?
FM: O campeonato atual está sendo bem estranho, muito particular... Esse ano não tem o (Marc) Márquez, que foi o grande piloto das últimas cinco temporadas [N.R.: Márquez lesionou o braço na corrida de abertura e ficou de fora da temporada 2020]. Esse ano ele não está aqui, então todo mundo ficou com mais vontade de chegar na frente. E eu sou um desses pilotos que ficou com muita vontade de chegar ali na frente. Estamos agora em Valência e faltam só três corridas para o fim do campeonato. Estamos só 25 pontos atrás do líder (o espanhol Joan Mir) e estamos na briga para ganhar o campeonato. É uma coisa muito surpreendente, porque isso não é normal, porque não é algo normal para um piloto 'satélite'. Mas trabalhamos muito bem na pré-temporada e agora estamos lutando pelo título. Vamos lutar, tentar fazer bons resultados e ver onde terminamos no final.

ESPN: Em 2019, você teve a oportunidade de 'ensinar' ninguém menos que Lewis Hamilton a andar de moto! Como foi a experiência?
FM: Eu conheci o Lewis no Catar, em 2018. Descobri que ele é uma pessoa muito legal e humilde, uma pessoa muito boa. Eu gosto dele como piloto, porque ele tem um estilo de dirigir muito rápido, e que eu aprecido muito. Nós temos o mesmo patrocinador e nos encontramos de vez em quando. Tive a oportunidade de pilotar a moto com ele aqui em Valência, no ano passado. Foi um dia muito legal e me diverti muito tentando explicar para ele como pilotar, tentamos nos divertir juntos. Uma pessoa tão grande como o Hamilton, vê-lo dessa maneira, falando tranquilamente com todo mundo, foi algo especial. Gostei muito de passar tempo com ele.

ESPN: Você gosta de futebol também, certo? Qual seu time de coração? Torce para algum time brasileiro?
FM: Eu gosto muito de futebol e sou torcedor da Roma. É meu time e sempre torci a vida inteira. No Brasil, não tenho um time que torço, porque não acompanho tanto o Campeonato Brasileiro. Mas, em 2017, eu fui para São Paulo e fiquei no campo em que o Corinthians treina. Conheci alguns jogadores e também o presidente do Corinthians. Foi um dia muito feliz, que lembro com muito carinho. Pode ser que eu torça pelo Corinthians no Brasil. E eu conheci também o Cássio, que é goleiro da seleção brasileira.

ESPN: A Roma, inclusive, tem uma longa história com brasileiros
FM: Sim, a Roma sempre teve muitos brasileiros. Agora tem só o Bruno Peres [N.R.: O zagueiro Juan Jesus também faz parte do elenco], mas já teve muitos... Júlio Baptista, Mancini, e, com certeza, o maior e mais conhecido: o Falcão!

ESPN: E quem é seu grande ídolo como jogador?
FM: Eu conheci o Francesco Totti e gostei muito dele. É o melhor jogador que a Roma já teve. Ele é a grande personalidade em Roma, é um grande campeão. Gostei muito de ter a oportunidade de conhecê-lo. Nunca fui aos treinos ou ver uma partida, mas tive a oportunidade conhecer Totti e foi uma coisa muito boa.

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ESPN: Você também gosta de jogar futebol, né? É melhor boleiro ou piloto?
FM: Eu gosto muito de jogar futebol! Meu estilo de jogo é mais brasileiro do que italiano. Eu sempre andei de moto, mas sempre gostei também de jogar futebol. Passei muito tempo na rua jogando com os amigos, e, quando fui ao Brasil, aprendi muito. Troquei meu estilo quando fui ao Brasil, aos 10 anos. Eu tinha um estilo mais italiano, e todo mundo me chamava de 'cavalo', porque eu era muito ruim (risos). Depois, aprendi um pouco da ginga. Desde então eu troquei meu estilo.