É possível vencer um Grande Prêmio de Fórmula 1 sem liderar uma única volta? Foi o que aconteceu com Elio de Angelis, companheiro de Senna na Lotus, no GP de San Marino de 1985.
Nesta terça-feira, a revista Autosport relembrou a corrida em conversa com o então engenheiro de Alain Prost, Tim Wright, que agora é especialista técnico da publicação.
O circuito de Ímola era famoso naquela época por ser um dos que mais exigia que os pilotos gastassem combustível e isso trazia muitos problemas, principalmente pela tecnologia da época que não era 100% precisa ao apontar o quanto de combustível havia sido usado.
"Mesmo em Adelaide, em 86, a gente ainda estava tendo problemas com a contagem de combustível, em 85 que era tudo muito novo, então...", comentou Wright. "Sabíamos que Ímola seria difícil de qualquer maneira então falamos para Prost ser mais cauteloso."
Depois de ter feito a pole no dia anterior, Senna abriu uma grande vantagem na liderança, mantendo um ritmo muito alto e tinha mais de 10 segundos de vantagem sobre Stefan Johansson, da Ferrari e então segundo colocado, quando seu carro começou a sofrer uma pane seca e o brasileiro foi obrigado a abandonar.
Com o abandono de Senna, Johansson assumiu a liderança, mas um erro eletrônico no sistema de contagem de combustível fez com que o sueco achasse que tinha mais gasolina do que o que realmente tinha e o piloto da Ferrari também sobreu com uma pane seca apenas uma volta após assumir a ponta.
Com isso, Alain Prost assumiu a liderança. O francês não teve dificuldades para manter o ritmo e a distância sobre Elio de Angelis e fechou a corrida na primeira posição. A questão, porém, é que foi descoberto que seu carro estava 2kg abaixo do peso mínimo da época.
"Talvez tenha sido minha culpa", relembrou Wright. "John Barnard fez um excelente trabalho para desenhar um carro no limite do peso, então sabíamos que seria apertado. O que não contávamos é com a perda de fluídos e borracha obviamente, porque Ímola é muito abrasiva."
Com a exclusão de Prost por conta do peso do carro, a vitória caiu no colo de Elio, que não chegou sequer a liderar a corrida por um segundo e havia acabado na segunda colocação. Foi a segunda e última vitória da carreira do italiano, que morreria em 1986 em um acidente durante testes do carro.
