Uma das histórias mais impressionantes da Fórmula 1 é contada em todos os detalhes por quem a viveu. Tudo isso apresentado pela estrela de Hollywood Keanu Reeves. É assim que se apresenta a série documental "Brawn: Uma História Impossível da F1", disponível com exclusividade no Star+.
Ao longo de quatro episódios, a série conta com depoimentos de Ross Brawn, Rubens Barrichello, Jenson Button, Felipe Massa, Bernie Ecclestone e muito mais. Eles relembram a histórica temporada de 2009, onde uma equipe que foi vendida pela Honda por uma libra passou a existir semanas antes do campeonato começar e dominou o ano, culminando no título de Button conquistado em Interlagos.
A série retrata toda a glória e, claro, polêmicas envolvendo aquela temporada. Veja abaixo cinco fatos inéditos que são trazidos à tona durante os episódios.
A falta de recursos escancarada na Brawn GP
Por ter sido criado às pressas, a Brawn GP teve que reduzir o elenco de cerca de 700 pessoas que vinham da equipe ainda nos tempos de Honda. Sem patrocínio e com investimento baixo, o time teve que cortar diversas vagas e tinha um plantel escasso.
"As pessoas contribuíam além do seu papel. Nosso cara que abastecia o carro, que estava com a gente há séculos, se demitiu para ser encanador porque achava que a equipe não iria continuar e ele virou encanador. Nós fomos para a primeira corrida e acho que o primeiro pit stop durou uns 11 segundos. Deveria ter demorado 5 segundos. Então ligaram para nosso cara que abastecia o carro, o encanador", relembra Jenson Button, na série.
No caso, o encanador era Gary Holland. "Eles me ligaram e falaram 'estamos com alguns problemas", relembrou Holland.
"Nós perguntamos, 'qual o salário que você cobra para trabalhar como encanador aos fim de semana?'", brincou Brawn. "Eu viajava no fim de semana e voltava pra Londres durante a semana tentando ganhar a vida como encanador", disse Holland.
O "cambagemgate"
Button começou o campeonato vencendo seis das sete primeiras corridas. Ele não subiu no lugar mais alto do pódio no resto da campanha, tendo literalmente garantido seu título no início.
Porém, à medida que o campeonato foi progredindo, Rubens Barrichello e as Red Bulls de Mark Webber e Sebastian Vettel foram se aproximando e pressionaram o inglês, que chegou a ver sua diferença diminuir para 14 pontos a quatro provas do fim após Rubinho vencer o GP da Itália.
Depois dessa corrida, houve uma briga interna na Brawn por uma irregularidade no carro do brasileiro na cambagem, que ajusta o quanto de contato com o solo tem os pneus. Quanto mais contato, mais aderência e consequentemente mais veloz é o carro. "A Bridgestone tinha imposto um limite. E Rubens estava para além do limite. Eu provavelmente fui a fundo e falei 'se não fosse por isso, Jenson teria vencido', relembra Andrew Shovlin, engenheiro de Button.
"Tínhamos mais cambagem traseira do que eles. Jenson ficou sabendo e fez uma birra. Então chegou aos ouvidos de Ross (Brawn) e ele me deu uma bronca. Nós falamos 'Jenson está preocupado com a gente. Se ele está assim, é porque está preocupado com o que Rubens pode fazer nas corridas seguintes", disse Jock Clear, engenheiro de Rubinho.
Volante encharcado quase evita vitória de Button
Segunda corrida do ano, o GP da Malásia foi caótico. Um temporal tomou conta da pista e interrompeu a prova na 33ª volta. Foram horas de espera até que a organização decidisse encerrar a corrida.
Como não foram completadas 75% das voltas, os pontos foram dados pela metade. Para a sorte de Button, vencedor da corrida, ela não foi reiniciada.
"O volante é cheio de comandos eletrônicos. É o comando central de um carro de F1. O volante não estava bem selado e computadores e água não combinam...", relembrou Ross Brawn.
"Nós sabíamos que não terminaríamos aquela corrida. Não sei se falamos sobre isso publicamente, mas se colocássemos o volante de cabeça para baixo escorria água. Aquele carro não ia a lado nenhum", disse James Vowles, estrategista da equipe.
Rubinho e Button tinham carros diferentes?
Chefão da F1 na época, Bernie Ecclestone levantou a suspeita de uma preferência a Button em 2009, dado que o inglês começou de forma tão dominante.
"Quem disse que eles estavam com o mesmo carro? Havia dinheiro suficiente para um único carro muito bom", explica Ecclestone.
Brawn cedeu a Eclestone
Insatisfeitos com a forma com o esporte estava sendo governado por Bernie Ecclestone (CEO da F1) e Max Mosley (chefe máximo da FIA), as equipes da Fórmula 1 se uniram e formaram uma associação que "peitou" Ecclestone e Mosley, querendo mais dinheiro da "fatia do bolo" que a categoria arrecadava.
A Fota, como foi chamada, ameaçou até se desassociar da Fórmula 1 e formar o seu campeonato paralelo.
"O objetivo de Mosley e Ecclestone era dividir e conquistar as equipes", relembrou Nick Fry, sócio de Ross Brawn. Foi aí que Ecclestone agiu e ameaçou não pagar a Brawn GP a não ser que eles assinassem um contrato para seguir na F1 em 2010.
"Não lembro disso", se defendeu Ecclestone. Com desespero por recursos financeiros, Fry e Brawn assinaram o contrato, recebendo os 12 milhões de libras que lhes eram de direito e se comprometendo a correr na categoria em 2010, consequentemente iniciando a dissipação do movimento da Fota de criar concorrência à F1.
"Assinei o acordo. Para nós foi como assinar com o diabo", relembrou Fry.
