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Jogadora do Palmeiras pediu para mãe cortar seu cabelo quando criança para que pais dos meninos não a ofendessem no campo

Uma das jogadoras anunciadas pelo Palmeiras para essa temporada foi a argentina Agustina Barroso. A zagueira já é um rosto bem conhecido no Brasil: em 2016, ela jogo pela Ferroviária, em 2017 pelo Corinthians/Audax e permaneceu no Osasco Audax quando houve a separação com o Corinthians.

Além dos clubes brasileiros, ela já teve passagem pelo AFC Fylde da Inglaterra, Madrid CFF da Espanha e UAI Urquiza da Argentina, que foi onde começou sua carreira e onde estava antes de voltar ao Brasil.

Com uma Copa Libertadores no currículo, ela também esteve na seleção argentina durante a Copa do Mundo feminina e relembrou o preconceito e falta de profissionalismo que ainda existe para as mulheres no futebol em seu país.

“Tem uma coisa que ficou gravada na minha cabeça que no último jogo contra a Escócia, que empatou 3 a 3 no Mundial, antes desse jogo tinha muita gente falando ‘pode voltar a lavar o chão’, ‘pode voltar para lavar a casa’, e nesse jogo tinha gente nas ruas olhando nosso jogo na TV”, disse.

“Acho que o impacto que a gente gerou foi muito grande, mas ainda falta que todos entendam que o que a gente está fazendo é nosso trabalho, gostem ou não gostem, tem que respeitar”, complementou a zagueira.

Em fevereiro de 2019, a ex-jogadora do UAI Urquiza e da seleção da Argentina Macarena Sanchez, processou o clube e a federação pela precariedade do futebol feminino. Em março, a Associação de Futebol Argentino (AFA), anunciou a profissionalização das mulheres.

Mas apesar da palavra ‘profissional’, Agustina disse que ainda falta muito, porque ainda têm garotas que trabalham e estudam para conseguirem seguir com o futebol, além de clubes em que as jogadoras ainda precisam pagar para jogar.

“Acho também que a jogadora tem que mudar um pouco a cabeça. Não é só o dinheiro que vai fazer profissional. É como você se alimenta, descansa, como leva o futebol no dia a dia. Acho que isso vai levar alguns anos”, alertou às companheiras.

Mas, segundo uma fala de Agustina, pode-se ver que, assim como no Brasil, o preconceito com a garota que joga futebol é cultural. A zagueira disse que, quando ainda era pequena, pediu para que a mãe cortasse o cabelo dela para ficar parecida com um menino e poder jogar em paz.

“Pedi para que minha mãe cortasse meu cabelo para que os pais dos meninos não gritassem coisas para mim dentro de campo”, relembrou.

Para ela, as coisas estão mudando aos poucos. Durante a entrevista coletiva na apresentação das novas contratações do Palmeiras, ela afirmou que nunca tinha visto uma sala de imprensa tão cheia e é algo que não acontece na Argentina.

“Mas tenho fé que vai acontecer”, finalizou Agustina.