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Ana Paula vê atletas trans 'apenas fora das quadras' no esporte de alto rendimento: 'A vida tem limites'

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Participante de quatro Olimpíadas, duas nas quadras e duas nas praias, Ana Paula Henkel é um dos grandes nomes da história do vôlei nacional. Atualmente, a ex-atleta é bastante ativa em redes sociais e uma das principais militantes contra a presença de atletas transexuais no esporte de alto rendimento.

Em participação no programa Grande Círculo, do SporTV, Ana Paula foi questionada sobre a inclusão de atletas transexuais no esporte e disse que acredita que as mulheres devem lutar contra isso.

"O ponto perigoso é que essa inclusão, por mais floreada que coloque nessa palavra, no esporte essa inclusão significa exclusão de mulheres. Incluir atleta trans no esporte feminino, que para o esporte são homens biológicos? A vida tem limites. Eu acho que não existe campo mais inclusivo que esporte. Não olha raça, posição política, religião, nem nada disso...Esporte é baseado em homens em mulheres e países competindo entre si. Em momento algum atletas trans estão sendo excluídas do ambiente esportivo. São muito bem vindas como técnicas, psicólogas, estatísticas...", comentou.

A medalhista de bronze na Olimpíada de Atlanta em 1996 reiterou que "não é uma pessoa preconceituosa" e disse que a questão é apenas dentro do esporte.

"A decisão das pessoas socialmente tem que ser respeitada, muito respeitada, é questão sine qua non...Tem que respeitar e pronto. E ai você impor direitos em cima das suas decisões é esticar a corda além da conta....Não estamos pedindo para que a discussão seja abandonada, estamos pedindo para que o esporte seja respeitado como ele é...Essa inclusão de trans está excluindo mulheres", explicou.

O debate sobre a inclusão de atletas transexuais ganhou força no esporte brasileiro no final de 2017, quando a oposta Tiffany passou a se destacar na Superliga feminina pelo Bauru. Após o destaque inicial, a atleta passou a ser mais visada e seu domínio diminuiu consideravelmente.

"A gente não pode entrar no espiral do silencio, esse que é o problema, achando que o debate vai cair no preconceito, não vai. Tem que ter maturidade suficiente. Em momento algum a gente falou exclui para sempre. Vamos colocar a bola no chão e vamos continuar pesquisas paralelas a longo prazo para que alguma coisa seja feito de concreto e que não machuque tanto as mulheres", finalizou.