Há duas semanas, o Sport tomou uma goleada do Santos por 9 a 0, em partida válida pela 11ª rodada da série A1 do Campeonato Brasileiro. O time de Recife é lanterna da competição, não tem nenhum ponto a favor e um saldo de 48 gols negativos.
Após a goleada, a jogadora Sofia Sena desabafou em entrevista na beira do gramado. A repórter questionou o que faltou para que o time vencesse e ela não mediu palavras.
Sofia reconheceu a superioridade das Sereias da Vila, mas alertou: “Elas treinam todos os dias e a gente mal tem horário para treinar. Treinamos três vezes por semana e, mesmo assim, a quantidade é muito pouca”.
A jogadora disse que o que falta para o Sport é foco do clube nas atletas. “É uma dificuldade tremenda para isso acontecer. Não tem prioridade para o feminino, tá? Se vira do jeito que pode, tem um horário, tem uma professora para ensinar vocês, tem uma bola e se vira. O resto a gente resolve”, falou.
“O investimento que a gente não tem, como acabei de falar, não tem de nenhuma forma”, disse Sofia. Ela também criticou a logística da CBF para realizar o exame anti-doping.
Nesta sexta-feira (26), a jogadora foi dispensada do time. Coordenadora de futebol feminino do Sport, Nira Ricardo afirmou ao portal Planeta Futebol Feminino que a demissão não tem a ver com a declaração da atleta, mas pela foto tirada da atleta após derrota para o Audax, nesta semana, em que Sofia estava insinuando que o clube estava tentando impedi-la de falar.
Nira confirmou ao portal PFF que a decisão foi tomada por questões comportamentais.
FALTA DE ESTRUTURA
O Sport, que realmente tem passado por problemas financeiros, anunciou o fim do time feminino um dia depois do presidente Milton Bivar ter dito que o clube tinha dívidas superiores a R$ 100 milhões.
Em março, o presidente concedeu uma entrevista ao espnW confirmando o fim do time e alegando falta de condições de manter. Mas devido às regras implementadas pela Conmebol e CBF, o Sport precisava de um time feminino e por conta disso, conseguiu firmar uma parceria com a prefeitura da cidade de Ipojuca.
A equipe, de fato, continuou a jogar na Série A1 do Brasileirão feminino. O rebaixamento, porém, já está confirmado.
E a declaração de Sofia Sena não parece ser uma inverdade. Nesta semana, viralizou nas redes sociais uma imagem do campo usado para o Sport treinar.
O presidente do clube concedeu uma entrevista após o protesto de Sofia, afirmando ao GloboEsporte.com que caso a estrutura do Sport voltasse a ser como antes, era teria que sair para ‘dar lugar a jogadoras profissionais’.
“Nós tínhamos quase 30 [jogadoras], um bom número de atletas profissionais. Chegamos a ser vice-campeão da Copa do Brasil, em 2008. Nós tivemos que tirar, porque essas meninas eram todas de fora”, falou Milton, afirmando que o salário das jogadoras não era possível de ser mantido.
Ainda para o presidente, jogar no Sport é uma oportunidade para elas. “Vão sofrer, como elas estão sofrendo, mas são garotas que nunca tiveram oportunidade, mas estão tendo”, disse.
