Nesta semana, o Palmeiras anunciou a demissão da técnica Ana Lúcia Gonçalves alegando "incompatibilidade" com o elenco, sem maiores justificativas. O desligamento da treinadora causou revolta, principalmente por parte dos torcedores que cobraram explicações da diretoria, já que Ana Lúcia vinha de boa fase com 9 vitórias em 9 jogos, além de ter classificado o time para a semifinal da série A2 do Brasileirão e também, garantido a equipe na A1 do ano que vem.
Em seguida, foi anunciada a contratação de Ricardo Belli, ex-técnico da equipe sub-18 feminina do Palmeiras.
As maiores cobranças estavam indo para o lado de Alberto Simão, diretor de futebol feminino do clube. Torcedores e imprensa cobraram o diretor principalmente por redes sociais e, até então, ele não havia se manifestado.
Na tarde desta quinta-feira (25), o Palmeiras fez um treino fechado no Estádio Nelo Bracalente, em Vinhedo, já sob o comando do novo técnico e com a presença de Alberto, que se apresentou para falar com a equipe do espnW.
Ele não quis se estender, alegando que o foco é totalmente no jogo do próximo domingo, contra o São Paulo, pela semifinal da série A2 do Brasileiro, mas falou brevemente sobre a demissão de Ana Lúcia.
"Houve uma mudança, a situação está no departamento jurídico do clube e, neste momento, não é hora da gente se pronunciar sobre o ocorrido", disse Alberto, que também garantiu um pronunciamento futuro.
"Obviamente em respeito a todos vocês, vai ter a hora necessária, o momento necessário, mas quem acompanha o dia-a-dia do clube, sabe o que aconteceu", completou o diretor.
Alberto também disse respeitar o trabalho jornalístico, mas ele acredita ser um trabalho a parte do dele e não quer misturar. "Aqui a gente procura defender as cores do Palmeiras, meritocracia, é um trabalho. Tivemos muitos problemas e na hora certa, ninguém vai se esconder de problema nenhum", falou.
"Obviamente não tem ninguém maluco no Palmeiras que faz a troca de uma treinadora sem um grande motivo, por um grande problema", finalizou Alberto.
PROBLEMAS NAS REDES SOCIAIS
Alberto Simão foi cobrado nas redes sociais. Devido a quantidade de cobranças, ele começou a bloquear algumas pessoas em sua página pessoal do Twitter. "Tem gente que não sabe quantos lados tem a bola e quer dar palpite", falou Alberto.
Para ele, a rede social é dele e ele não pode expor algumas coisas que pensa e gostaria de falar. Por isso, assumiu que estava realmente bloqueando algumas pessoas.
"Se ofender ou fizer gracinha, eu bloqueio. A rede social é minha, é particular. Eu não uso para os negócios do Palmeiras. É respeito. Do jeito que eu respeito, a gente tem que ser respeitado", explicou Alberto.
Para finalizar, ele garantiu que as jogadoras não estão sob censura e estão liberadas para darem entrevistas ou se manifestarem em redes sociais, desde que com responsabilidade e finalizou: "Claro que não é um momento feliz por ser uma troca, muitas delas estavam há 7 anos [com a Ana Lúcia]. É um momento difícil, é uma troca. Mas a casa está arrumada, sob controle".
COBRANÇA DA TORCIDA
Para a tarde de treino do Palmeiras, estava prevista uma manifestação da torcida. De fato, alguns torcedores compareceram.
Uma torcedora, porém, aproveitou-se da quebra de silêncio de Alberto para questioná-lo. Giovana Bordini, residente da cidade de Vinhedo e amiga pessoal das jogadoras desde a época em que o time vestia a camisa do Guarani, perguntou a Alberto sobre estrutura.
Para o diretor, que começou o projeto do Palmeiras em parceria com a prefeitura de Vinhedo há cinco meses, a estrutura ainda não está 100%, mas a diretoria está em busca de melhorias. "A nossa estrutura hoje, é melhor que a de série B masculina", defendeu Alberto, que afirmou que as coisas estão andando ainda mais rápido do que ele esperava.
Giovana perguntou sobre as más condições do campo que as jogadoras utilizam para treinar e jogar. Alberto garantiu que ele passará por uma reforma em breve. "Sabemos que temos que melhorar o nosso campo, não vamos treinar aqui amanhã. Procuramos outras possibilidades e vamos treinar em outro local", disse.
Alberto concordou que a pior parte é realmente o campo e se poupou em comparar a estrutura do Palmeiras com outras, mas deixou bem claro que, na opinião dele, é a melhor do Brasil, agradecendo inclusive a prefeitura de Vinhedo.
"É um projeto que começou agora, estou muito satisfeito com a estrutura que o Palmeiras oferece para o futebol feminino, mas queremos mais", ressaltou.
Para Alberto, apesar do Centro de Treinamento do time profissional do Palmeiras, na Barra Funda, em São Paulo, ser um dos maiores do Brasil, a opção por treinar em Vinhedo tem dado certo por "tirar as meninas do foco".
"Não estou aqui para guerra de gêneros. O Palmeiras me buscou para fazer acontecer, time é bom, tem muito erro, nós temos que corrigir, o Palmeiras é maior que todos nós e aberto ao investimento no time feminino. Mas, Palmeiras é Palmeiras e exige disciplina, hierarquia e humanidade - que é o que preciso dar para essas meninas aqui", finalizou.
