Goleira e capitã da seleção chilena, Claudia Christiane Endler entra em campo neste domingo (16) às 13h (de Brasília) contra os Estados Unidos com uma grande responsabilidade: parar o melhor ataque da Copa do Mundo.
Jogadora do PSG e já acostumada com a atmosfera francesa, Christiane já representou o Chile na Copa do Mundo Sub-20 de 2008, que foi onde percebeu que queria seguir carreira profissional como goleira. Já na seleção principal, comemorou a classificação do país na Copa América do ano passado após ter colaborado com a vitória chilena em cima da Argentina por 4 a 0, dizendo que a equipe perseguia a classificação há dez anos.
“Por muito tempo, o futebol não foi visto como um esporte para mulheres e nós estamos tentando mudar isso. Agora sentimos apoio das pessoas e elas estão curtindo nos assistir”, relembrou a goleira em entrevista a Fifa.
Mas embora outras jogadoras não tenham recebido apoio dentro de casa para seguir carreira, Endler conta que seu pai vem da Alemanha, um país onde o futebol feminino tem apoio e remete a isso ao fato de sempre ter tido suporte. “Para mim não foi tão difícil porque meus pais eram fãs do esporte, então eu jogava futebol com meu pai, irmão e amigos do meu irmão”, diz.
Filha de pai alemão e mãe chilena, Endler fala inglês, alemão e espanhol. Seu primeiro contato com o futebol foi no ensino médio de uma escola alemã, onde jogava futebol como goleira e atacante. Não tão diferente de outras garotas, também jogou com meninos.
E o currículo da chilena é pesado. Ela foi considerada a melhor goleira do campeonato francês temporada passada. Por quatro vezes, foi eleita a melhor jogadora chilena do ano. Jogando pelo Colo-Colo, ela comandou o título da Libertadores da equipe, em 2012, onde também levou o título de melhor goleira da competição. Enquanto jogava pelo Valencia, ainda foi eleita a melhor goleira da Liga Espanhola, em 2017.
ESCOLA DE FUTEBOL PARA MULHERES
Com 27 anos, Endler é, de fato, uma referência no país. A goleira foi a primeira chilena a jogar em equipes de renome como o Chelsea e o PSG, que tem contrado assinado desde 2017.
Em seu país, ela tem um projeto de escolas de futebol para incentivar mulheres a jogarem e, em entrevista, Endler assumiu que se sente responsável por formar novas jogadoras. “Sinto responsabilidade de ajudar as meninas que vem de baixo, que não têm possibilidade de treinar futebol e abrir as portas desta escola também faz bem para o nome de meu país”, falou a goleira.
A “Escuela Christiane Endler” foi criada pela goleira após observar que não havia no país um lugar exclusivo para mulheres treinarem. “Senti que era necessário abrir uma escola para que meninas e mulheres, de qualquer classe social, pudessem praticar e fazer o que gostam”, falou. O objetivo de Endler é exatamente treinar meninas para fazerem o que gostam, e não necessariamente fazê-las chegar a um nível profissional.
Atualmente, ela já tem 2 unidades e pretende abrir mais uma ainda este ano e, com otimismo, ela completa: “Parece que as portas estão se abrindo para outras mulheres realizarem seus sonhos e não apenas no futebol. Há coisas que podem ser alcançadas com muito trabalho e esforço e acho que podemos ajudar muitas mulheres a realizarem seus sonhos”.
