Para quem vai começar a acompanhar o futebol feminino em 2019 com o início da Copa do Mundo, é importante saber que o caminho para chegar ao patamar de hoje foi longo e complicado. O Mundial da França é, de longe, o 'melhor' torneio para a categoria. Transmissões, seleções em alto nível e o futebol feminino em crescimento exponencial. Há muito o que melhorar, sim, mas já é muito melhor do que já foi.
Este ano completará 20 desde a Copa de 1999, nos EUA, que foi um dos 'pontos' de mudança de patamar do torneio. Sucesso total, estádios lotados e uma geração de atletas que marcaram história.
O TORNEIO
1999 foi a terceira edição da competição organizada pela Fifa. A primeira, 1991, ainda amadora, e 1995 ainda em processo de adaptação, foram coroadas com a edição que antecedeu os anos 2000.
A sede da competição foi os Estados Unidos, seleção potência no futebol feminino e presente desde o primeiro torneio - foi primeira campeã de Copas, em 1991 na China.
A competição contava com apenas 12 equipes na disputa (hoje são 24) e bateu o maior recorde de público da história do futebol feminino: 90,185 mil pessoas em Pasadena para a final entre Estados Unidos e China. Com o estádio abarrotado, os torcedores viram o bicampeonato da seleção norte-americana, em partida histórica.
Vale lembrar que, até hoje, os EUA são a única seleção a vencer a Copa em casa.
Mia Hamm, número 9 da seleção era a principal estrela, superando a marca de 110 gols pelo país. Na semifinal, contra o Brasil, Mia Hamm sofreu o pênalti que sacramentou a vitória das norte-americanas por 2 a 0 e a eliminação brasileira.
Após a conquista da Copa, Mia Hamm entrou em colapso por forte desidratação, recebeu tratamento intravenoso e só acordou 12 horas depois para se juntar a equipe campeã para as celebrações oficiais.
Além da craque, outros nomes marcantes participaram dessa Copa: Birgit Prinz, alemã e a segunda maior artilheira de Copas (14) atrás apenas de Marta, Mercy Akide (Nigéria), Nkiru Okosieme (Nigéria), Patrizia Panico (Itália), Maribel Domínguez (México).
SELEÇÃO BRASILEIRA
O Brasil estava no grupo da Itália, Alemanha e México, e se classificou na primeira colocação com sete pontos: duas vitórias e um empate com a fortíssima Alemanha.
A equipe era composta por Maravilha, Nenê, Tânia Maranhão, Juliana Cabral, Cidinha Maycon, Formiga, Kátia Cilene, Sissi, Suzana, Andreia, Fanta, Grazielle, Marisa, Raque, Pretinha, Priscila, Deva e Valéria.
Como a competição contava com apenas 16 equipes, a próxima fase era as quartas - não aconteciam as oitavas- e o Brasil encarou a Nigéria, em uma partida histórica.
O jogo estava empatado por 3 a 3 e, na prorrogação, Sissi acertou um chutaço de falta colocando a seleção na semifinal. O gol da camisa 10, a imperatriz, é, até hoje, um dos tentos mais históricos das Copas.
Juliana Cabral, zagueira da Seleção e estreante naquela Copa, relembra a cobrança: ''Não tem como esquecer, inesquecível, acho que a Sissi teve uma marca muito grande com bola parada. Dificilmente surgiu uma jogadora com tanta qualidade como ela nas cobranças de falta. Existia uma expectativa muito grande, depois daquele gol foi muita festa, explosão, muita alegria''.
''O que mais me marcou naquele jogo e ao longo da Copa do Mundo, foi o reconhecimento do povo americano em relação a Sissi. Foi muito marcante, as crianças tinham o nome da Sissi escritos no rosto. Aquilo me marcou muito. Ela já era uma grande jogadora, dentro do nosso país a gente via muito pouco [esse reconhecimento] e ver todo aquele reconhecimento para aquela jogadora que era realmente especial, fora de série... a Sissi foi muito merecedora de tudo que aconteceu naquele Mundial, e especialmente aquele gol, foi a assinatura perfeita dela'', completou Juliana.
Na semifinal, as brasileiras caíram para os EUA (que viriam a ser as campeãs) por 2 a 0. A disputa pela terceira colocação foi contra a Noruega, no jogo que antecedia a final. A partida terminou em 0 a 0 e foi para os pênaltis. Nas cobranças, o Brasil conquistou a medalha de bronze, após vencer as adversárias por 4 a 3.
COMEMORAÇÃO HISTÓRICA
Foi também na Copa de 1999 que uma das fotos mais emblemáticas foi tirada: Brandi Chastain, após converter o último pênalti na final garantindo o título dos EUA.
Ela arrancou a camisa, e, de joelhos, celebrou o bicampeonato, em frente a mais de 90 mil pessoas.
A partida terminou em 0 a 0 no tempo normal e seguiu para a prorrogação. Apenas na disputa de pênalti saiu uma campeã.
China errou uma das cobranças e os Estados Unidos foi impecável: cinco cobranças, cinco acertos. E, Brandi Chastain, camisa 6, converteu a última batida. A comemoração foi espontânea, ela nem conseguiu correr. Arrancou a camisa e desabou nos gramados.
