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Como é jogar contra (e com) Marta, camisa 10 da seleção brasileira feminina de futebol

A campanha do Brasil para o seu primeiro título de Copa do Mundo pode ser a última a ser capitaneada por aquela que é, provavelmente, a melhor jogadora da história.

A maior artilheira de todos os tempos (e também da Copa do Mundo) é Marta, de 33 anos, que vai disputar sua quinta Copa do Mundo usando a icônica camisa 10. Ela pode não ser mais a mesma jogadora que era quando foi artilheira em 2007 - depois de marcar sete vezes - mas, como as jogadoras atuais e do passado podem atestar, ela continua sendo uma adversária temível e uma companheira de equipe destemida, com um legado gigantesco.

Como é jogar contra Marta

Hope Solo, ex-goleira dos EUA: "Como fiz com todas as grandes jogadoras, eu não via muitos vídeos, só queria reagir. Eu não precisava saber nada sobre ela e apenas confiar em mim mesma ... Eu a vi levantar a bola e chutar por cima de uma defensora na Copa de 2007. Isso foi inacreditável. Ninguém tem a confiança para fazer isso na prática, muito menos um jogo. Eu não estava nesse jogo, e fiquei de queixo caído. Acho que a câmera deve ter captado esse momento."

Kate Markgraf, ex-zagueira dos EUA: "Defender Marta significava que você estava entrando um duelo que perderia, porque toda vez que você enfrenta uma atacante, sendo zagueira, você tem um pouco de vantagem. Você tem essa autoconfiança de que 'ninguém vai me derrotar' ... Eu ia para cada duelo um contra um com a mentalidade de que faria o meu melhor. Isso é tudo que você pode esperar, porque não dava para tirar a bola dela. E não é como se ela te empurrasse para fora. Isso acontecia porque ela era apenas melhor que você em agilidade, velocidade e trabalho de pés. Eu me orgulhava porque ninguém me vencia nisso. Ela vencia."

Kelly Smith, ex-atacante da Inglaterra: "Marta sempre foi uma jogadora difícil de parar por causa da sua velocidade, visão e capacidade de marcar gols. Ela já sabia o que ia fazer antes mesmo de pegar a bola ... Ela tinha uma velocidade assustadora. Ela era tão rápida com a bola que parecia que tinha cola nos pés. Ela era mais rápida com a bola do que muita gente sem."


Como é jogar com Marta

Cristiane, atacante do Brasil: "Jogar com ela desde os 15 anos é fácil. Não preciso falar com ela, é só olhar. Ela vai entender como eu quero a bola, ela vai entender onde eu quero a bola , ela vai entender meu posicionamento. É super fácil jogar com ela."

Camilinha, lateral do Brasil: "Ela é muito hiperativa. Quando saímos do treino, ela quer jogar tênis, quer jogar badminton, quer ir para um parque. Nos EUA, que você pode fazer tiro esportivo, ela sai do treino e quer fazer isso. Eu fico tipo 'Oi? Eu aqui cansada e você querendo fazer isso'. Ela responde: 'Vamos, você tem 24 anos. Eu sou velha, com toda a bola que joguei e não estou cansada." ... Ela sempre está ligada no 220."

Fabiana, atacante do Brasil: "Eu sempre fui tímida, e a primeira vez que ela me viu ... fiquei sentada olhando para ela. Eu estava olhando para ela há um tempo e agora estou jogando ao lado dela. Ela sempre falava pra eu dançar, porque sou da Bahia, de Salvador. "Dança arrocha", ela falava. E eu respondia que não queria, porque estava tímida. E ela insistia. Então eu balançava meus quadris um pouco e ela falava: 'Viu, você é boa!' E assim temos uma amizade de 12 anos. Ela é uma grande amiga que o futebol me deu."

Vadão, técnico do Brasil: "Quando convencemos a Formiga a voltar, Marta veio até mim e disse: 'Vamos dar a braçadeira para ela, não para mim. Eu não quero mais ser a capitã.' Então chamei Formiga, que disse: 'Não, enquanto Marta estiver em campo, a capitã é ela, não eu'. Era uma coisa tão linda, sem vaidade, sem nada ... porque a braçadeira pode trazer vaidade. Mas ali, não havia isso. As duas foram muito humildes."

Fabiana: "Às vezes, até nos treinos, ela perde e fica brava. Se ela perder no treino e achar que não foi tão bem, ela sai correndo e treina por mais 20 minutos ... Se a Marta estiver parada, quietinha, tenha certeza de que ela está pensando em algo mais. Ela não vai desistir."


Legado de Marta

Kristine Lilly, ex-meia dos EUA: "A Marta é como a Michelle Akers e a Mia Hamm. Quando ela pisa no gramado, o outro time já entra em desespero. Ela é muito criativa e joga com muita vontade. Crescer no Brasil, sem nada e se tornar o que ela se tornou ... o que ela fez para o esporte e para o Brasil é incrível.

Camilinha: "Eu a vejo como uma segunda mãe por tudo que ela fez por mim, a experiência que ela transmite, as conversas que tivemos e a amizade que construímos. Eu sempre digo que sou fã dela. Sou uma amiga, mas sou fã do seu trabalho, da pessoa que ela é, da profissional que ela é, do quanto ela luta pelo esporte e pelas mulheres.

Cristiane: "Ela sabe como é importante para a seleção e, especialmente, para o futebol feminino. A partir do momento que ela usa o que tem - a voz, a experiência e o que ela conquistou - ela pode transformar a vida de outras mulheres.

Markgraf: "Acho que o que ela me ensinou foi que você respeitar muito alguém e, mesmo assim, odiar essa pessoa. Ela era brava e mal-humorada, queria nos matar sempre que jogávamos contra ela."