Em mais uma prova do quanto a representatividade feminina importa, após vermos a argentina Macarena Sanchez denunciando a federação da Argentina e seu ex-clube por desigualdade, duas jogadoras da seleção colombiana de futebol, Isabella Echeverri e Melissa Ortiz denunciaram o descaso da federação da Colômbia com o futebol feminino e criaram a campanha #MenosMiedoMasFutbol (#NoFearMoreSoccer ou “menos medo, mais futebol”).
O vídeo, publicado nas redes sociais das jogadoras, fala de como a federação as trata e cita problemas como uniformes velhos, falta de pagamento e ausência de voos internacionais. Além disso, elas dizem que a federação está demitindo as jogadoras que denunciam, mas finalizam: “Não temos mais medo. Estamos aqui para falar”.
Em entrevista para The Associated Press, Melissa afirmou que ela e Isabella já sabem que sofrerão consequências no futuro, como serem cortadas da seleção colombiana em torneios como Copa do Mundo ou Olimpíadas., mas confessou que todas elas sempre quiseram falar sobre o assunto.
“Infelizmente, não falamos nada quando tínhamos a atenção para nós, como quando estávamos na Copa do Mundo. Mas chegamos a um ponto: ‘Se não nós, quem?’ e ‘Se não agora, quando?’", disse Melissa, que jogou a última partida pela seleção em 2016 e afastou-se da equipe no ano passado.
Depois da denúncia, a jogadora Tatiana Ariza, que jogou oito anos com a seleção colombiana e defende o Houston Aces, no Texas, se manifestou em vídeo. Ela relatou que depois dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, elas ficaram sem treinar com a seleção por mais de 700 dias e, depois do Rio-2016, mais 400 dias.
“Eu também tinha medo de falar, eu também tinha medo de sofrer retaliações, bem como de receber multas”, disse no vídeo, mas afirmou que perdeu o medo e decidiu se juntar com suas companheiras de equipe para denunciar os problemas e evitar que possa acontecer nas futuras gerações.
"Fomos inspirados por um monte de coisas diferentes que tiveram um efeito de bola de neve e nos fizeram querer falar", disse Ortiz.
Esto lo hacemos para las generaciones que vienen, queremos transparencia y la buscamos atraves de la honestidad. Lo hacemos para futuras generaciones. | We want to better the future for generations to come. @Isaeche11 #menosmiedomasfutbol #speakup pic.twitter.com/uqT7iKEjUR
— Melissa Ortiz (@MelissaMOrtiz) 19 de fevereiro de 2019
De fato, a Colômbia tem sofrido com problemas no futebol. No ano passado, o presidente do Tolima veio a público dizer que o futebol feminino é “terreno fértil para lesbianismo” e que as “jogadoras consomem mais álcool do que homens”. Posteriormente, Gabriel Camargo apresentou um pedido de desculpas.
Por outro lado, o colombiano Atlético Huila é o atual campeão da Libertadores feminina e venceu o Santos, bicampeão e um dos times mais fortes do Brasil no ano passado para levar ao país um título inédito. Com apenas dois anos de existência, a equipe participou do torneio continental pela primeira vez.
Mas após o título, a jogadora Yoreli Rincón publicou em suas redes sociais um vídeo dizendo que o prêmio recebido pela equipe seria destinado ao masculino. Posteriormente, ela afirmou na coletiva de imprensa que, no momento, o que queriam era mais do que dinheiro e disse que haviam entrado em um acordo para que o dinheiro ficasse com a equipe feminina.
A seleção colombiana não está classificada para a Copa do Mundo de 2019, que começa no dia 07 de junho, na França.
