Candelaria Cabrera, de apenas oito anos, já tem fez história no futebol feminino da Argentina. Ela foi informada que não poderia mais jogar na liga por conta de sua idade, mas graças a mobilização de jogadoras, ela foi permitida a jogar novamente.
Ela joga pelo Huracántime da pequena província de Santa Fe, Chabas, na Argentina desde 2016 e é a única garota no meio de tantos garotos que compete na Liga Casildense. Em julho do ano passado, porém, a coordenadora do clube deu a Rosana, mãe de Candelaria, a notícia de que ela não poderia continuar jogando.
“A idade mínima que um jogador poderia ser contratado para um clube foi reduzida de 12 para 8 anos. Isso tem a ver com o direito de treinamento”, disse Rosana à FIFA. Na época, a filha tinha sete anos e foi impedida de continuar no clube porque não tinha um time feminino. Ela podia treinar, mas não participar de competições.
A mãe também disse que a jogadora ficou inconsolável, perguntando se tinha feito algo errado para que a tirassem das competições. “O amor dela pelo futebol é muito forte. Não sou grande fã, mas ela foi atrás do pai e tornou-se torcedora do Boca Juniors”, contou.
Rosana levou ‘Cande’ para treinar futebol após uma tentativa de leva-la ao hóquei, aos cinco anos de idade. Na ocasião, ela pegou uma bola e foi jogar futebol com garotos desconhecidos.
Como todas as garotas que optam pelo futebol, ela já passou por situações de preconceito: “Os pais dos jogadores do time adversário diziam coisas como ‘você não pode perder para um time com uma garota’ ou ‘como você pode deixar uma garota tirar a bola de você’. Mas havia também muitas palavras de apoio”, contou a mãe.
E a experiência a fez criar, inclusive, malícia nas competições, como conta Rosana: “Um dia ela foi atingida por uma bola forte no rosto e não se levantava. Fui até a cerca e perguntei se ela estava bem. ‘Só estou ganhando tempo’, ela me respondeu. Eu não sabia se ficava brava ou dava risada”.
Com a notícia de que Candelaria não poderia mais jogar até completar oito anos, a mãe publicou nas mídias sociais como um pedido de ajuda e não imaginou que alcançaria tanta gente e tanto apoio.
A primeira a se manifestar foi Estefania Banini, jogadora da Argentina e do Washington Spirit. Em seguida, Ruth Bravo, do CD Tacón e da seleção também entrou em contato e, posteriormente, a equipe feminina do Boca Juniors. Elas todas contaram suas próprias histórias e se identificaram com Candelaria.
A mobilização foi tão grande, que seis jogadoras como Aldana Cometti, atual campeã da Libertadores pelo Atlético Huila, Belén Potassa e diversas outras da primeira divisão do Campeonato da Argentina, foram até o Centro de Treinamento do Huracán para dar uma clínica de futebol e conhecer Cande.
A jogadora completou oito anos em setembro de 2018 e recebeu permissão a jogar a Liga Casildense e, após seu caso, a liga se reuniu para fazer mudanças significativas, como explicou Rosana: “Eles criaram um departamento de futebol feminino, concordaram em não haver distinção de gênero até os 11 anos e que os clubes podiam registrar meninas a partir dos 12 anos. Precisamos ver como isso vai ser, mas pode ser o início para algumas mudanças”.
