<
>

Giro d'Itália: Quem é Richard Carapaz, o ex-gregário e intruso filho das montanhas que está prestes a ser campeão

Antes da primeira etapa do Giro d’Itália de 2019, os analistas apontavam como favoritos as estrelas Simon Yates, Primoz Roglic, Tom Dumolin, Vincenzo Nibali e Mikel Landa, que venceram ou brilharam em edições anteriores. Porém, uma surpresa equatoriana tem desbancado todos eles, chamado a atenção e está muito próxima de ser campeã.

Trata-se de Richard Carapaz, dono da desejada camisa rosa, de líder geral, desde a 14ª etapa da competição, uma das três principais do ciclismo mundial ao lado do Tour de France e da La Vuelta e que terá seu 21º e último trecho disputado neste domingo (2), com transmissão ao vivo de ESPN2 e WatchESPN a partir das 10h30 (de Brasília).

Aos 26 anos, o sul-americano saiu da condição de coadjuvante para virar o protagonista de sua equipe, a Movistar.

O comentarista de ciclismo da ESPN, Celso Anderson, considera que o bom rendimento de Carapaz garantiu automaticamente a ele esta posição no time espanhol e destaca a trajetória que foi coroada com a liderança e a função de capitão.

“Ele ainda é um ciclista novo e vem subindo de nível. Sempre entrou nas provas de três semanas [as principais] para ser um gregário”, disse ao ESPN.com.br.

No ciclismo, o gregário é uma espécie de operário e tem a função de servir a equipe em detrimento de seu desempenho individual, ou seja, ele ajuda os companheiros em momentos específicos das provas.

Narrador da ESPN, Renan do Couto também falou sobre o ciclista.

“O Carapaz, que nunca tinha brigado para valer por uma grande volta, foi melhor nos contrarrelógios e mostrou estar em uma forma muito boa nas montanhas, por isso está à frente deste jeito”, avaliou.

Filho das montanhas

Richard Carapaz nasceu e foi criado em Tulcán, cidade localizada na região norte do Equador e que faz divisa com a Colômbia. O local também é conhecido como a capital do ciclismo equatoriano e está a 2.950 metros de altitude. Fácil, assim, entender sua performance nas provas mais difíceis.

“Os Andes são um celeiro de talentos do ciclismo. Na Colômbia, o esporte é uma febre. No Equador, nem tanto. O Carapaz até reclamou que lá só se importam com futebol, mas quem sabe ele puxa a fila. Tem 26 anos e está só na sua terceira temporada em grandes voltas. O auge ainda está por vir”, explicou e opinou o narrador.

O jovem se tornou um atleta profissional em 2016 e participa do Giro pela segunda vez na carreira. Em sua estreia, que aconteceu ano passado, ele disputou com Miguél Ángel Lopes a camisa branca, dada ao melhor ciclista jovem (no caso, até 25 anos), mas acabou perdendo para o rival espanhol, que, inclusive, deve garantir novamente a vestimenta na atual edição.

Carapaz era o sexto colocado na 13ª etapa, que antecedeu sua vitória no trecho seguinte e o colocou no topo, tomado do esloveno Jan Polanc, da Team Emirates, e de onde não saiu mais. Ao final do 20ª percurso, neste sábado (1º), tinha um tempo total de 89h38m28s, com 1m54s de vantagem para o segundo colocado, o italiano e já conhecido Vincenzo Nibali, da Bahrain Merida.

Equador pela primeira vez?

Uma reviravolta é possível, e o comentarista Celso Anderson aposta que isto pode acontecer por meio dos astros Nibali e Roglic, "tudo é possível", mas pondera: “É difícil virar agora!"

Carapaz costuma ser discreto nas entrevistas, mas não conseguiu esconder a emoção.

Torcedor faz besteira, derruba ciclista e apanha; ASSISTA:

“É difícil acreditar que eu estou com a camisa rosa. Era um sonho, e eu trabalhei duro para isso”, disse o equatoriano após vencer a 14ª etapa.

Imaginem suas palavras, se não faltarem, se no domingo (2), dia da etapa final, ele fizer o que nenhum outro ciclista de seu país conseguiu: cravar o nome do Equador na lista de campeões do Giro d'Itália, que está em sua edição de número 102. Será um feito!