É impossível citar os melhores jogadores que atuam no basquete brasileiro há pelo menos 10 anos sem falar o nome Shamell Jermaine Stallworth. O norte-americano de 38 anos, nascido em Fresno, é nada menos do que o maior cestinha da história do NBB, com 6.693 pontos marcados até hoje, 763 a mais do que o segundo na lista – Marquinhos, do Flamengo.
Shamell e Marquinhos estarão frente a frente nesta terça-feira, às 20h (Brasília), com transmissão da ESPN e WatchESPN, no duelo Flamengo x Mogi, na Arena Carioca 1.
Mas mesmo com todos os elogios de performance individual que possa receber, Shamell não tem como foco os recordes. “Meu foco é ser campeão do NBB”, disse o norte-americano, ao ESPN.com.br. Em 2017-18, a oportunidade bateu na trave, já que ele foi vice com Mogi na final diante do Paulistano.
Em conversa com o ESPN.com.br, Shamell falou sobre sua carreira, como surgiu o convite para jogar no Brasil e sua mania por pares de tênis.
Qual o objetivo do Mogi neste NBB?
Esse ano no NBB a gente mudou bastante a equipe, mas a gente sabe a qualidade que tem. Acho que a gente pode chegar longe, mas o campeonato é longo, depende da saúde dos jogadores, de encaixar o individual e coletivo dos jogadores.
Como você se sente sendo o maior cestinha da história do NBB?
Ser o maior cestinha da história do NBB é algo legal, mas nunca é meu foco. Meu foco é ser campeão do NBB. Depois da final do ano passado a gente sentiu um pouco como que é. Somar recordes é bem legal, mas eu tenho certeza que no futuro alguém vai quebrar.
Você já pensa em se aposentar?
Chegando mais perto dos 40 anos, tudo depende do corpo. Vou jogar até o corpo falar que não dá mais ou se eu conseguir alguma coisa fora do basquete ou no basquete, se receber uma proposta legal. Mas por enquanto, vamos ver o que o corpo vai sentir.
Como foi sua infância nos Estados Unidos?
Minha infância foi legal, várias mudanças, nós moramos em vários lugares. Eu comecei a jogar basquete muito tarde, fazia atletismo, jogava futebol americano por causa dos meus tios, da minha família. Nós éramos em cinco irmãos, brigávamos. Sendo o mais velho, eu tentei ser mais o homem da casa, o mais responsável.
Você conviveu com jogadores que atuaram na NBA?
Eu conheço vários jogadores que jogaram na NBA, não sou de ficar falando muito. Uma das coisas mais legais foi quando conheci Kobe Bryant, conheci Michael Jordan quando era mais novo, conheci o Shaq, Steve Francis, Yao Ming. Conheci eles pessoalmente.
Acha que tinha condições de jogar na NBA?
Quando eu era mais novo, fiz ‘tryouts’, recebi convites para treinamento. Mas a questão era física. Eu era magrinho, alto. Mas meu corpo começou a crescer tarde. Eu era bom jogador, inteligente, mas meu corpo e físico...era muito difícil. Na época tinham vários jogadores muito bons, comecei a jogar basquete tarde. Eu tentei, não deu certo, mas faz parte.
Como veio parar no Brasil?
Eu vim para o Brasil por causa do meu empresário, fui chamado para jogar em Araraquara. Recebi uma proposta para vir para o Brasil. Na época eu precisava de dinheiro. Teve um banco que fez uma proposta de trabalho muito legal para mim, mas eu falei 'Vou jogar basquete'. Aí vim para o Brasil.
Depois de quase 15 anos morando aqui, já pensou em se naturalizar brasileiro?
Já tentei, já pensei em me naturalizar brasileiro. Acho hoje em dia que isso vai acontecer naturalmente. Correr atrás disso era sonho meu, mas a vida continua.
Como aprendeu a falar português?
Eu aprendi a falar português com minha mulher, mãe dos meus filhos, ela me ensinou tudo. Meus companheiros me ajudavam a corrigir as coisas que eu falava errado. Eu poderia ir para aula, mas não tenho paciência, mas meus filhos sempre ficavam me zuando, mas eles sempre me ajudam.
Fala sobre seu ‘vício’ por pares de tênis?
Eu sou viciado em tênis, era algo que vem desde a minha infância. Coleciono, ainda mais os Air Jordans mais antigos. Mas os tênis é igual pneu de carro, você quer sempre ter os pneus 'da hora'. Eu não deixo minha coleção crescer tanto porque para carregar tênis quando você muda de casa ou sai do país é osso.
