Neste sábado, Brasil x Argentina se enfrentam na grande final da Copa América, no Maracanã.
Brasil x Argentina, neste sábado, às 21h (de Brasília), pela final da Copa América, terá transmissão da ESPN Brasil e do ESPN App
Um dos mais famosos confrontos decisivos entre canarinhos e albicelestes aconteceu nas quartas-de-final da Copa América de 1995, disputada no Uruguai. Foi a partida que ficou conhecida como "La mano de Túlio", devido ao polêmico tento marcado pelo folclórico Túlio "Maravilha".
Na ocasião, brasileiros e argentinos se encontraram cedo no mata-mata porque, apesar do time verde-e-amarelo ter se classificado em 1º do grupo B, por portenhos ficaram na 2ª posição da chave C, atrás da surpreendente seleção dos Estados Unidos. Com isso, os rivais se pegaram ainda nas quartas.
Em entrevista à ESPN Brasil, Túlio, que foi vice-artilheiro da competição, com três gols, recordou o favoritismo do Brasil em 1995 e relatou detalhes saborosos do clássico contra a Argentina.
"O Brasil era o franco favorito naquela Copa América. O time tinha a base de 1994, que tinha sido campeã da Copa do Mundo nos Estados Unidos, mas com algumas alterações. Eu entrei no lugar do Romário, e o Bebeto também não participou. Então o ataque era eu e o Edmundo, depois entrou o Sávio", contou.
"A gente estava com um time muito forte, e era considerado o favorito. Não começamos muito bem, mas depois da vitória (por 3 a 0) sobre a Colômbia nos embalamos. E aí veio o ápice, que foi a partida contra a Argentina, nas quartas-de-final", seguiu o "Maravilha", à epoca o grande craque do Botafogo.
"A partida contra os argentinos foi muito equilibrada. Eles tinham Abel Balbo, Batistuta, o Simeone batendo para tudo quanto é lado... A Argentina também era considerada favorita, então foi um jogo com adrenalina a mil!", exclamou.
No estádio de Rivera, na fronteira entre Uruguai e Brasil, os rivais fizeram um jogaço inesquecível.
Abel Balbo, craque da Roma, abriu o placar para a Albiceleste, mas o time de Zagallo igualou com Edmundo. Os argentinos voltaram a ficar na frente com Batistuta e seguraram até os 36 minutos do 2º tempo, quando apareceu "la mano de Túlio".
"A partida estava se encaminhando para os finalmentes e a gente perdendo... Aí veio um cruzamento forte da direita. O (lateral) Jorginho tentou fazer o arco, mas ela não pegou o efeito que ele queria. Rapidamente, eu ajeitei (no braço), parecia um jogador de vôlei! Ajeitei direitinho!", relembrou, aos risos.
"O juizão estava mal colocado atrás de mim e não viu nada. O bandeirinha também estava encoberto pelo lateral e não viu. O segredo foi que eu dei continuidade, porque, se eu paro, ia dar brecha para pararem o lance. Mas eu, fominha como sou, dei continuidade, fiz o toquinho por cima do goleiro e fui comemorar com a galera", brincou.
Após o gol de empate, os argentinos reclamaram muito e partiram para cima do árbitro peruano Alberto Tejada, já que o "Maravilha" claramente ajeitou a bola no braço antes de mandar para o fundo das redes.
Mas Tejada não quis nem saber...
"Os argentinos estão chorando até hoje! Na hora, eles gritaram: 'Mano, mano!', e o juizão respondeu: 'Foi pecho! Pecho!'. Não teve mano, não teve VAR, não tem nada, está tudo liberado! (risos)", divertiu-se.
"Foi 'La mano de Túlio'! Ainda bem que não tinha o VAR ainda, senão com certeza teria sido anulado o gol", reconheceu.
Com o empate, a partida foi para os pênaltis. Túlio converteu para o Brasil, assim como Roberto Carlos, Dunga e Edmundo (apenas o zagueiro André Cruz errou). Pela Albiceleste, Pérez e Acosta marcaram, mas Simeone e Fabbri perderam, e o time de Zagallo avançou para a semifinal.
"Foi a coisa mais gostosa do mundo!", exaltou o "Maravilha".
Na semi, a seleção brasileira derrotou os Estados Unidos, grande surpresa da competição, por um apertado 1 a 0, indo para a final contra o Uruguai, dono da casa.
Na grande decisão, disputada no mítico estádio Centenário de Montevidéu, Túlio anotou seu 3º gol na Copa América, mas a Celeste empatou com Bengoechea e levou a disputa da taça para as penalidades.
Desta vez, porém, o Brasil não deu sorte na marca da cal. Quis o destino que justamente Túlio "Maravilha" perdesse sua cobrança, enquanto o Uruguai foi perfeito, acertou as cinco batidas e levantou o troféu.
"La mano de Túlio", porém, ficou para sempre na história.
