Apesar de ter Tite como porta-voz em entrevista coletiva na última quinta-feira (3), o movimento de insatisfação da seleção brasileira com a Copa América foi liderado por jogadores ao longo da última semana.
Neymar, Casemiro, Thiago Silva, Alisson, Marquinhos e Danilo foram os responsáveis pela conversa em tom de cobrança com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, na quarta-feira (2), ainda na Granja Comary.
O sexteto, alinhado com o restante do grupo e com a comissão técnica, deixou claro para o cartola que o fato de não ser comunicado diretamente pela Confederação sobre todas as mudanças da última semana tinha irritado a todos no ambiente da seleção.
A conversa ocorreu em tom forte e só acirrou mais os ânimos.
Os jogadores não aprovaram o discurso ríspido e, como apontados por alguns, “pouco compreensível” de Caboclo.
Conversa com jogadores de outros países
Em meio ao incômodo com a própria confederação e à ameaça de não disputar a Copa América, jogadores da seleção que atuam no exterior vêm buscando contato com atletas de outras equipes envolvidas na competição de seleções da Conmebol para avaliar o cenário.
O entendimento, no entanto, ainda não é claro. Nomes de peso como Luis Suárez e Edinson Cavani, do Uruguai, se mostram contra a realização do torneio, mas jogadores de seleção menores ainda mostram dúvidas sobre tal decisão.
Associação política incomoda
O grupo não gostou de saber, via imprensa e redes sociais, da decisão de Caboclo de abrigar o questionado torneio após crises em Colômbia e Argentina.
Mais que isso: a seleção se incomodou ao perceber que sediar o torneio tinha se tornado uma pauta política, uma vez que o presidente da CBF buscou apoio no Governo Federal para bater o martelo da troca de país.
Internamente, tudo que Tite e atletas não queriam era se envolver com política e ver o fato de a seleção entrar em campo se tornando uma discussão que extrapolasse as quatro linhas.
Patrocinadores também se irritam
Além de comissão técnica e grupo de jogadores, outros agentes importantes que rondam a seleção mostraram enorme descontentamento: os patrocinadores.
Os parceiros comerciais reclamam das decisões de Rogério Caboclo sem qualquer comunicação prévia ou alinhamento.
Diversos executivos de empresas que patrocinam CBF e seleção trocaram mensagens nos últimos dias reforçando a reprovação diante da conduta do chefe da Confederação.
Após a entrevista de Tite e com a possibilidade do grupo se recusar a disputar a Copa América, o tom de irritação subiu.
