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Copa América: Everton vira protagonista do Brasil só driblando menos, mas melhor, que Messi

Nenhum jogador foi tão aclamado pela torcida na Arena Corinthians quanto Everton Cebolinha no anúncio das escalações antes do jogo. Quando a bola rolou, o atacante do Grêmio retribuiu o carinho com atuação de destaque, sendo fundamental para os 5 a 0 do Brasil sobre o Peru.

Os números sustentam a percepção de que o camisa 19 assumiu protagonismo na seleção. Se o acerto nas finalizações era uma preocupação de Tite, por exemplo, Everton se tornou um dos jogadores de melhor aproveitamento no quesito em toda a Copa América. Se muitos reclamavam da falta de drible, ninguém também o supera no um contra um.

Neste sábado, Everton aliou as duas qualidades para marcar seu gol, o terceiro do Brasil. Abriu espaço em meio a marcação peruana e bateu firme para vencer o goleiro Pedro Gallese. Já tinha feito parecido, aliás, contra a Bolívia, em tento ainda mais bonito, no Morumbi.

“No último jogo foi mais bonito, mas esse de hoje foi muito importante para dar confiança para mim, para a equipe. Espero que possamos embalar agora”, disse ele, após o jogo.

Everton transformou em gol, assim, metade dos quatro chutes que deu na Copa América. Também acertou um terceiro no alvo, em um aproveitamento de 60% que é o melhor da competição entre jogadores com ao menos quatro tiros – empatado com três atletas.

Já em relação ao um contra um, Everton é destaque absoluto da competição, superando até mesmo o Lionel Messi. Ele e o argentino são os únicos que tentaram mais de 12 dribles na competição até aqui, e, enquanto o craque do Barcelona, teve sucesso 61,1% das vezes; o aproveitamento do brasileiro é de 71,4% - somente Darwin Machís, da Venezuela, supera isso, 72,7%, mas com 11 dribles.

Messi, inclusive, tem mais minutos em campo que Everton, 180 contra 117, mesma situação que na comparação com qualquer outro atleta que tenha tentado pelo menos dez dribles na Copa América. Absolutamente todos tiveram mais tempo jogando para isso que o gremista.

É curioso, aliás, que, contra o Peru, Everton em campo avisado que o lateral Advíncula era difícil de ser driblado, como revelou Thiago Silva em entrevista depois do duelo.

“Não só os torcedores, mas nós também estávamos com os olhos brilhando, porque a gente falou antes do jogo que o lateral era muito duro de ser driblado, e o Everton mostrou que era possível, com mudança de direção, toque de bola, um-dois. Espero que ele continue assim.”

Agora, Everton voltará para “casa”, já que a partida do Brasil nas quartas de final será na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, contra rival ainda a ser definido com o final da primeira fase. “Torcida vai estar lá em peso. Vão estar no apoiando para que possamos embalar até a final.”