Ederson talvez não imaginasse que, aos 25 anos, teria a carreira de jogador de futebol no atual estágio: Copa do Mundo no currículo, peça importante no Manchester City de Pep Guardiola e mais uma vez servindo à seleção brasileira. Desde a infância, porém, tinha uma certeza: assim que pudesse, faria tatuagem. Paixão que hoje resulta em 75% do corpo coberto.
“Tenho o nome dos meus pais, esposas, filhos, irmão... Tatuagem para mim é um hobby, uma paixão que eu tenho desde os 12 anos. Quando estudava, ficava fazendo tatuagem de caneta. Vem desde a infância”, contou ele, em Teresópolis, onde se prepara para a Copa América.
A família, como enumerou o goleiro, não é a única inspiração para os desenhos na pele. Entre as mais de 35 tatuagens pelo corpo, Ederson tem referências ao futebol, animais, símbolos religiosos, flores, caveiras, mulheres e até um emoji – sorrindo, atrás da orelha esquerda.
Não deixa de ser curioso que a primeira marca teve que ser feita escondida dos pais. Ederson conta que a família não aprovava tatuagens e, por isso, ele esperou estar distante deles, já em Portugal, onde iniciou a carreira profissional, para realizar o sonho que tinha desde pequeno.
Usou uma boa estratégia para evitar a reação negativa de ter feito uma tatuagem ainda como menor de idade, aos 16 anos: homenageou os pais, de forma pequena e discreta. Funcionou.
Daí em diante, não parou mais. A tatuagem mais chamativa talvez esteja no pescoço, uma flor com uma caveira, do lado direito, em local escolhido justamente para deixar clara a “paixão”.
Nas mãos que usa para defender, o goleiro tem, na direita, a inscrição “Deus”, com uma letra em cada um dos dedos. Na esquerda, no mesmo padrão, “fiel” e uma grande rosa.
O braço direito é praticamente todo coberto por desenhos, com três mulheres na parte superior – uma tapa os olhos, outra os ouvidos e a terceira a boca –, nuvens envolvendo quase todo o membro, o sobrenome “Moraes”, entre outras coisas. Já no esquerdo, ainda há um pouco mais de espaço: apenas o antebraço, até o momento, está “fechado”.
Não surpreende que, na seleção, Ederson também fale de tatuagens com outros boleiros. “Muitos companheiros perguntam onde eu faço, com quem, o significado também... A gente vai resenhando, uns acabam fazendo, outros não, fazem com outro”, explicou.
O intercâmbio de tatuadores, por exemplo, fez com que Ederson, após a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, retocasse os desenhos que têm no peito com Adão Rosa, que tatua Neymar. Na região, o arqueiro tem a frase “I belong to Jesus” (“Eu pertenço a Jesus”), uma pomba sendo libertada por duas mãos e os nomes dos dois filhos, Yasmin e Henrique, abaixo.
Nas costas e na perna direita, talvez, estão os desenhos mais elaborados de Ederson. Logo abaixo da nuca, o número 1993, seu ano de nascimento, em composição que ainda tem uma águia, um dragão, duas mãos de goleiro pegando uma bola, um leão e um anjo com as asas abertas no centro. Já a coxa, panturrilha e canelas são cobertas por figuras mitológicas.
Entre as tatuagens, ainda há uma caveira, um relógio, uma ampulheta, outro rosto feminino, asas, símbolos budistas... e um desenho especial: a taça do Campeonato Português de 2015/16, com o número 35, em referência à então 35ª conquista da história do Benfica.
“Eu tenho a tatuagem do meu primeiro título profissional. Algo marcante, mas é a única que eu tenho de título. Acho que de tatuagem de título só a primeira como profissional”, detalhou Ederson, que disse não pensar em marcar a pele em caso de título da Copa América.
Para um outro troféu com a seleção brasileira, no entanto, o goleiro promete: “Mas, claro, se ganhar uma Copa do Mundo, vou ter que arrumar espaço para fazer". Ainda tem 25% do corpo para isso...
