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Da polêmica do áudio à demissão, Seabra repassa passagem pelo Cruzeiro e admite: 'Doeu ter o trabalho quebrado'

Um dos representantes da nova geração de treinadores do futebol brasileiro, Fernando Seabra é a aposta do Red Bull Bragantino para recolocar a equipe na briga pelos principais títulos do cenário nacional. O time paulista é o segundo trabalho do treinador em equipes principais e acontece após uma saída turbulenta do Cruzeiro.

Fernando Seabra é o convidado deste sábado (15) no Bola da Vez, da ESPN. O programa será atração com transmissão pelo Disney+, às 22h (de Brasília).

Contratado ainda na gestão de Ronaldo Fenômeno na SAF da Raposa, o treinador foi demitido em 23 de setembro de 2024, pouco tempo depois de um desgaste público gerado pelo áudio vazado em que Pedro Lourenço, já à frente do clube, cobrava a escalação de jogadores que foram contratados para reforçar o elenco na temporada.

“Eu cheguei para o técnico e falei assim: ‘Ou você escala os jogadores que contratou ou você pode arrumando a sua mala aí que não passa desse jogo não’. Falei com ele que se não precisasse desses jogadores eu não teria contratado e ficaria só com os que estão aqui. Aí eu dei uma dura nele do caramba”, dizia o áudio.

O tema foi abordado por Fernando Seabra durante o Bola da Vez deste sábado.

“Foram desafios difíceis, mas o áudio não foi tão difícil para mim quanto as pessoas podem imaginar, porque a conversa referida no áudio nunca aconteceu. Foi muito simples: eu liguei para o Pedrinho, ele já tinha me mandado um áudio até falando para eu ficar tranquilo, que confiava no trabalho e tal. Aí eu falei: 'Não tenho dúvidas disso, presidente. O único ponto importante, que eu acho fundamental, é que os jogadores saibam que essa conversa nunca aconteceu'. No dia seguinte, foi ao clube, reuniu os jogadores e falou: 'Eu nunca falei com o Seabra dessa maneira'. E aí tudo ficou bem tranquilo”, disse o técnico.

A passagem de Seabra pelo Cruzeiro durou 35 partidas, com 17 vitórias, dez derrotas e oito empates. Substituído por Fernando Diniz, o treinador não escondeu a frustração por ter o trabalho interrompido.

“Doeu ter o trabalho quebrado. Sabe por quê? Porque nós tivemos, sim, em alguns momentos, uma sequência grande de falta de resultados, principalmente no Campeonato Brasileiro, pois fomos perdendo alguns jogadores por lesão. Tivemos o Rafa Silva, que era um dos jogadores mais decisivos do início do Campeonato Brasileiro, e o perdemos por lesão. Depois, perdemos o Veron e o Arthur. Teve momentos em que jogamos com o Kaio Jorge de 9 e o (Álvaro) Barreal de ponta, sem uma opção de banco. Aí, o Lautaro (Díaz) também se lesionou. Então, é muito difícil disputar duas competições com um elenco curto. Naquele momento, o setor ofensivo, em especial, ficou curto".

“Ainda assim, conseguimos passar pelo Boca Juniors e, no jogo contra o Libertad, tivemos um retorno. Eles já tinham feito 20, 25 minutos do segundo tempo contra o São Paulo, pois ainda estavam em uma fase de adaptação. Mas, contra o Libertad, Veron e Lautaro (Díaz) começaram jogando. Nós ajustamos a estrutura naquele momento, com o que tínhamos, para um 4-4-2 e fizemos um grande jogo. Ganhamos de 2 a 0, mas poderia ter sido 4. Muita gente fala que o último jogo bom que o Cruzeiro fez foi contra o Botafogo, mas isso está errado. Foi contra o Libertad, fora de casa”.

Pressionado pela sequência de oscilação do Cruzeiro, o treinador foi demitido após um empate sem gols diante do Cuiabá, às vésperas do jogo de volta pelas quartas de final da CONMEBOL Sul-Americana.

“Minha sensação naquele momento era: ‘A tempestade passou’. Conseguimos atravessar a tormenta. Os atacantes voltaram, temos opções, o time se sentiu bem no 4-4-2 e fez um baita de um jogo. Aí tivemos um jogo circunstancial contra o Cuiabá, três dias depois do Libertad, e logo em seguida a volta contra o Libertad. Contra o Cuiabá, sofremos desgaste, poupamos alguns titulares e empatamos jogando fora de casa. Estava fazendo 39ºC naquele dia, com pouca umidade. Tivemos uma expulsão no final do jogo e, ainda assim, criamos chances e conquistamos um ponto fora. No vestiário, depois do jogo, estava tudo tranquilo”.

“Por isso, realmente fui surpreendido, porque minha leitura do processo como um todo era de que o pior momento tinha passado, de que concretizaríamos a vaga na semifinal, e de que a confiança e as condições concretas para obter resultados estavam restabelecidas”.

Onde assistir ao Bola da Vez?

Você assiste ao Bola da Vez com o técnico Fernando Seabra, do Red Bull Bragantino, neste sábado (15), às 22h (de Brasília), pelo Disney+.