Disputar os Jogos Olímpicos é especial para qualquer atleta do mundo. Arthur Zanetti não foge disso e, se possível, ainda enxerga tal oportunidade de uma maneira mais especial.
Medalhista de ouro em Londres-2012, o ginasta de 33 anos mantém o sonho de disputar a quarta edição das Olimpíadas da carreira, o que, para ele, representaria a despedida do maior evento esportivo do planeta, possibilidade que ele encara desde Tóquio-2020, mas que ainda não é garantido.
Zanetti se preparava para competir no Mundial de Ginástica Artística de 2023, em setembro, na Antuérpia. A meta era ficar até o 12º lugar entre equipes para garantir cinco brasileiros nos Jogos de Paris-2024. No entanto, o sonho foi interrompido por uma lesão no ombro.
"A cada dia que ia treinando, a dor ia intensificando. Teve um momento no Mundial eu não conseguia levantar meu braço, e aí resolveram me tirar", contou Zanetti em uma entrevista exclusiva à ESPN. "Fiz exames e estava constatado que tive três tendões rompidos. Foi o que me tirou do Mundial e também do Pan-Americano [de Santiago]".
Pela experiência, o ginasta continuou com a seleção na figura de um líder, mas não conseguiu ajudar o Brasil como gostaria. Do ginásio, Zanetti assistiu ao país ficar com a 13ª colocação na disputa por equipes, uma posição abaixo de conseguir a sonhada vaga olímpica. No entanto, acompanhar a competição não era a parte mais dolorosa daquela situação.
"Chegou um certo momento, depois que passou a classificatória, que eu pedi para retornar para o Brasil porque estava bem ruim. Meu ombro estava doendo muito mesmo. Então, após o exame, descobrimos que foram três ligamentos rompidos: bíceps, o supra e subescapular".
O Brasil ficou no Mundial uma posição abaixo da grande meta, mas o resultado garantiu para o Comitê Olímpico uma vaga não-nominal (quando a o país pode escolher o atleta que vai competir) nos Jogos de Paris. Além disso, Diogo Soares também carimbou o próprio passaporte para as Olimpíadas após ficar em 10º na final do individual geral na Antuérpia.
Não dá para cravar que, se Zanetti tivesse participado, o Brasil ficaria com a vaga por equipes, mas a seleção com certeza teria mais chances de atingir seu objetivo. O que dá para saber é que o campeão olímpico está justamente de olho nessa vaga não-nominal para dizer adeus às Olimpíadas.
"Acredito que vou conseguir minha vaga pela do Brasil. Tem as etapas de Copa do Mundo, mas que vão ser muito cedo, em fevereiro. Então, meu médico falou que até daria, mas a gente teria que antecipar tudo e é perigoso você se lesionar de novo", contou Arthur.
A série de etapas da Copa do Mundo de Ginástica também vai distribuir cotas para os melhores colocados de cada aparelho, tirando aqueles ginastas que são dos países que conquistaram as vagas por equipes ou dos que já estão classificados pelas competições anteriores, como é o caso de Diogo Soares.
Outros brasileiros devem tentar essas vagas pelas etapas da Copa do Mundo, com destaque para Arthur Nory, medalha de bronze no solo no Rio-2016, e Caio Souza, um dos ginastas mais completos do Brasil e que também desfalcou a seleção no Mundial por conta de uma ruptura total no tendão de aquiles em agosto. O carioca de 30 anos voltou a treinar com aterrissagens com o pé no final de novembro e está se recuperando bem. A expectativa é que ele esteja pronto para a primeira etapa em fevereiro, em Doha.
Se Nory e Caio não conseguirem suas vagas nominais, eles também ficam elegíveis para essa única cota que Zanetti está de olho. A escolha cabe à CBG, que deve levar o ginasta em melhor forma física, mental e esportiva no momento da convocação. Essa será a diretriz da escolha da confederação. Como não se classificou para a disputa por equipes, o Brasil pode levar no máximo três atletas para as Olimpíadas.
Essa disputa interna promete ser muito saudável e motivar um ao outro. A experiência de Zanetti, que tem duas medalhas em três participações olímpicas, pode pesar e o ginasta de 33 anos garantiu que não quer ir para Paris só para "participar".
"A gente é atleta de alto rendimento, a gente precisa de resultado. Para ir para as Olimpíadas, a gente tem que demonstrar que está na nossa melhor forma e com capacidade de chegar lá e não simplesmente só participar."
"Pô, ir para uma Olimpíada só para participar é impensável e está fora de cogitação! É estar lá mesmo para disuptar. A vaga vai ser para quem estiver melhor no momento e, como falei, vou lutar pelo meu espaço.", completou.
