Favorito nas bolsas de apostas antes da luta, Esquiva Falcão não conseguiu cumprir com as expectativas e foi derrotado pelo alemão Vincenzo Gualtieri, por pontos, na luta principal do evento promovido em Wuppertal, na Alemanha, válida pelo cinturão peso-médio (72,6 kg) da Federação Internacional de Boxe (IBF).
Com isso, o medalhista de prata na Olimpíada de Londres, em 2012, perdeu a oportunidade de se tornar o sétimo brasileiro campeão mundial na nobre arte.
Apesar de iniciar melhor no confronto, Esquiva logo viu o jogo virar no segundo round, quando foi levado à knockdown por um duro golpe aplicado pelo adversário.
A partir disso, a luta mudou de cenário e Gualtieri – empurrado pela torcida – ganhou confiança, com uma estratégia muito bem traçada para anular o jogo do capixaba, e seguida à risca pelo agora novo campeão mundial dos médios da IBF, que venceu na decisão unânime dos juízes (116-110,117-109 e 116-110).
“Cheguei no topo do boxe. Não paro de chorar. Eu e ninguém da minha equipe imaginávamos esse resultado. Não vou pôr a culpa em ninguém. O que passei aqui, só eu e Deus sabemos. Não foi fácil. Fomos lá e lutamos com garra e força”, escreveu Esquiva Falcão em seu perfil no Instagram.
“Vou deixar aqui meus agradecimentos a todos que torceram. Obrigado a meus patrocinadores e equipe. Chegamos ao fim. Vamos voltar para o Brasil e descansar com a família. Só queria minha família aqui comigo”, completou.
A luta
O brasileiro começou a disputa dominando as ações e sendo mais agressivo. O alemão buscava o contra-ataque e se mostrava perigoso principalmente com o upper, chegando a derrubar Esquiva no segundo assalto. O knockdown sofrido pelo medalhista olímpico deu confiança a Gualtieri e mudou o panorama da luta. Apesar de continuar andando para frente, o capixaba perdeu eficácia nos ataques.
Com a defesa em dia, Gualtieri conseguia absorver boa parte dos golpes do brasileiro em sua guarda ou se esquivando.
Por outro lado, Esquiva sofria com a velocidade e potência dos golpes do alemão. Os golpes na linha de cintura, sem dúvida, mostraram ser a melhor arma do boxeador capixaba.
No sétimo round, quando Esquiva buscava dar a volta por cima no combate, um golpe baixo do alemão obrigou o árbitro – que chegou a abrir contagem equivocadamente por achar se tratar de um ataque limpo – a paralisar a luta para que o medalhista olímpico se recuperasse.
A movimentação de Gualtieri pelo ringue, a defesa praticamente impecável e as respostas a cada boa sequência do rival frustravam as tentativas do brasileiro de tentar retomar o controle da disputa.
No décimo round, o dono da casa aplicou mais um golpe ilegal – desta vez ignorado pelo árbitro – que abriu contagem e prejudicou o capixaba. Já frustrado pela luta estrategicamente perfeita feita pelo oponente, Esquiva não teve forças para reverter a situação nos dois últimos assaltos.
Com a derrota de Esquiva neste sábado, o Brasil chega a três chances desperdiçadas de adicionar um novo membro ao seleto grupo de atletas tupiniquins campeões mundiais de boxe em menos de um ano. Antes do capixaba, Robson Conceição e Yamaguchi Falcão, irmão de Esquiva, também foram derrotados em disputas de título mundial.
Com isso, o país segue com apenas seis detentores de cinturão do mundo na história da nobre arte: Eder Jofre, Miguel de Oliveira, Acelino ‘Popó’ Freitas, Valdemir ‘Sertão’ Pereira, Rose Volante e Patrick Teixeira.
