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'Geração de ouro' do América-MG foi campeã da Copinha superando craques mundiais e teve até capitão da seleção do Japão em Copas do Mundo

Jogadores do América comemoram gol no Santos Tereza Horta / América

O América-MG venceu a Copa São Paulo de 1996 derrotando jogadores que depois ficariam famosos mundialmente


Adversário do Palmeiras na final da Copa São Paulo, nesta quarta-feira (25), à 15h30 (de Brasília), o América-MG busca o segundo título da competição. Em 1996, o Coelho sagrou-se campeão em uma decisão mineira contra o Cruzeiro.

A equipe comandada pelo técnico Ricardo Drubscky contava com nomes que depois despontaram no cenário nacional e até mesmo mundial. O principal craque era Evanílson, que já estava nos profissionais e desceu para disputar o torneio. Após a conquista, ele defendeu Cruzeiro, Atlético-MG, seleção brasileira e Borussia Dortmund. Em seis temporadas no clube alemão, o lateral campeão da Bundesliga.

Outro jogador que ficou famoso foi William Machado, conhecido como William Capita, zagueiro com passagens por Atlético-MG, Grêmio e Corinthians, no qual venceu Série B, Copa do Brasill e Paulistão.

O artilheiro do time era Rinaldo, que jogou por Atlético-MG e fez grande sucesso no Fortaleza.

A equipe foi sendo construída por um ano e fizemos bonito. A gente conseguiu reunir um grupo muito especial. Nós havíamos sido vice-campeões da Taça BH, perdendo a final para o Cruzeiro nos pênaltis. Além disso, fomos semifinalistas da Copa São Carlos", disse Ricardo Drubscky, ao ESPN.com.br.

"Ficamos em São Roque em um hotel com vários chalés e curtimos muito a natureza porque era um lugar isolado. Os donos pediram para que ficássemos por lá até a final. Tudo deu certo".

A geração “dourada” da base do América ainda teve outros dois nomes conhecidos que não jogaram a Copinha: o zagueiro japonês Yuji Nakazawa, que foi capitão do Japão e atuou em duas Copas do Mundo, e Gilberto Silva, volante campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002.

“Nakazawa veio para uma espécie de estágio no clube. Nós recebíamos muitos jogadores estrangeiros. Ele passou um período legal e ficou quase um ano conosco, mas não jogou a Copinha. Era muito disciplinado e envolvido, falava várias palavras em português. Era um jogador de muita qualidade. Depois disso, passou a jogar bastante com a gente. Eu lembro que aprovei o Gilberto em um teste no América logo depois da Copinha", disse o treinador.

Derrotou Deco e Edmílson

O América estreou no torneio com um empate contra o Botafogo. Depois, venceu Juventude e Paulistano, de São Roque. Nas oitavas de final, derrotou o São Paulo por 2 a 0.

“O (técnico) Telê Santana estava na arquibancada vendo o jogo e a torcida lotou o estádio. O Edmilson, ex-Barcelona e campeão do mundo, era a estrela do time”.

Após passar pelo Inter nas quartas, o América derrotou na semifinal o Nacional-SP, que tinha o meia Deco (ex-Barcelona e seleção portuguesa) como principal destaque.

“O nosso goleiro Aílton era baixo e chamado pela imprensa paulista de ‘Tampinha’, mas era espetacular. Ele é auxiliar do Enderson Moreira há muitos anos. Ele defendeu um pênalti do Deco”, contou Ricardo Drubscky.

Na decisão, o América-MG derrotou o Cruzeiro por 2 a 1. “Nós chegamos bem cedo, mas eu não deixei que houvesse contato entre os jogadores do América e do Cruzeiro antes do jogo no Pacaembu. Eu os segurei no vestiário para não haver dispersão e perda de foco. A gente escutava que havia toda uma programação de festa para o Cruzeiro”.

“A final foi bem difícil por ser um clássico de Belo Horizonte e teve uma tensão maior. A gente venceu, tudo foi diferente. Nós voltamos de ônibus e fomos recebidos no palácio porque o governador era torcedor americano. O William brinca até hoje pelo gol que fez na final e tenho contato com vários jogadores até hoje”.

“Esse título é a confirmação de um trabalho. Quase 30 anos depois estamos falando desse trabalho em uma competição tão importante. Ela transforma a vida de muita gente e foi muito marcante", finalizou Ricardo Drubscky.

FICHA TÉCNICA
Cruzeiro 1 x 2 América-MG

Local: estádio do Pacaembu, em São Paulo
Gols: William (A), aos 3min do primeiro tempo; Rinaldo (A), aos 23min, e Da Silva (C), aos 31min do segundo tempo

CRUZEIRO: Rodrigo; Maguinho, Lúcio Mauro, Derlan e Alex; Dante, Léo (Gu), Picoto (Feijão) e Missinho; Da Silva e Dé (Nando).
Técnico: Vantuil Rodrigues

AMÉRICA-MG: Aílton; Evanílson, Flávio, William e Dario; Claudiomir, Paulinho (Ânderson), Richard e Heitor (Paulo); Baiano e Rinaldo.
Técnico: Ricardo Drubsky