Há 30 anos, o brasileiro Rogério Sampaio conquistou uma das medalhas de ouro mais improváveis da história na Olimpíada
Com lágrimas nos olhos, Rogério Sampaio ajoelhou no tatame e parecia não acreditar no feito que acabara de conquistar. Praticamente desconhecido do grande público e até dos adversários, o brasileiro desbancou todos os favoritos e venceu de forma improvável a medalha de ouro no judô (categoria 65kg) na Olimpíada de Barcelona, em 1992.
“Meu objetivo era chegar entre os cinco melhores. Era uma corrida contra o tempo porque foi um ciclo muito duro. Eu estava tentando recuperar o tempo perdido. Se você falasse um mês antes que voltaria com a medalha de ouro eu talvez não acreditasse”, disse ao ESPN.com.br.
Natural de Santos, Rogério dava aulas de judô em uma academia para se sustentar e só treinava durante à noite. Para lutar nos Jogos, ele pegou um quimono emprestado de um aluno chamado Pablo Covas, sobrinho do ex-governador Mário Covas, já que o seu estava rasgado.
“Tinha muito pouca estrutura. Sou grato a ele até hoje. Eram as dificuldades da época”, afirmou.
Antes de ir à Barcelona, ele ficou praticamente dois anos e meio sem participar de grandes competições internacionais porque aderiu a um boicote à Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
“Eu era um atleta experiente e tinha uma pressão menor. Precisava pensar uma luta de cada vez. Por incrível que pareça isso me ajudou porque os adversários não me conheciam e pude surpreender. Naquela época não tinha rede social ou smartphones e não tinha como filmar as lutas. A única forma de conhecer os caras era nas competições”, afirmou.
Em 1991, Rogério viveu um drama familiar com o suicídio do irmão quatro anos mais velho Ricardo Sampaio Cardoso, judoca que competiu em Seul, 1988. Ele era a grande inspiração para o futuro campeão olímpico. Por tudo isso, até mesmo a conquista de uma medalha era algo improvável.
Os jornais da época pouco citavam o judoca. No entanto, Rogério não se intimidou com o status de azarão e finalizou as primeiras três lutas com ippons antes de pegar na semifinal o alemão Udo Quellmalz, que era o campeão do mundo na época e venceu depois o ouro nos Jogos de Atlanta, em 1996.
“Cheguei mais inteiro do ponto de vista físico. Era luta mais dura daquele dia porque tínhamos lutado duas vezes e com uma vitória de cada lado. Venci por punições”, contou.
Na decisão, Rogério superou o húngaro Jozsef Csak, campeão europeu.
“O estilo dele combinava com o meu: era destro e mais baixo. Tinha mais facilidade para enfrentar. Ele se movimentava muito, o que era uma das minhas maiores qualidades. Olimpíada não permite erro e imprimi um treino forte e tentado não cometer erros”.
“Aquele dia primeiro de agosto ficou marcado na minha vida como um dia perfeito na minha vida”.
