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No ex-país do futebol, Brasil tem um novo bicampeão mundial... no remo

Ele tem nome de índio norte-americano e desempenho de verdadeiro torpedo nas raias de remo que começam a reverenciá-lo mundo afora.

Uncas Tales Batista conquistou nesse último domingo o bicampeonato mundial de remo sub-23, na classe Single Skiff Peso Leve, em Poznan, na Polônia.

O atual campeão e recordista da prova ocupou o terceiro lugar nos primeiros 500m da finalíssima. Aumentando a intensidade das remadas, Uncas ganhou uma posição na metade da disputa e brigou mais dois minutos para tomar a liderança do francês Hugo Beurey. Uncas terminou a prova três segundos antes de Hugo e garantiu a medalha de ouro.

No ano passado, Uncas já havia conquistado o primeiro título mundial quando venceu Alexis Garcia, do México, em Plovdiv, na Bulgária. Por lá ele também se revelou um fenômeno ao bater o recorde mundial nas quartas de final.

Mineiro radicado na cidade maravilhosa, Uncas agora está entre os maiores nomes da história do esporte no Brasil.

A van encantada

O programa “Histórias do Esporte” da ESPN Brasil conheceu em novembro de 2013, a saga de um menino tímido, de família humilde que começava a se destacar no mundo do remo. O nome Uncas surgiu de um devaneio do pai Márcio Rafael dos Santos que, ao assistir ao filme “O último dos Moicanos” se encantou com o nome do personagem de um índio que se chamava Uncas.

Pronto, quando o menino nasceu, o nome já estava definido, mesmo sem uma consulta prévia à mãe Eliane Batista, uma jovem senhora batalhadora que, era motorista de van na cidade do Rio de Janeiro.

Cinco anos atrás, quando conhecemos o jovem remador ele ainda era uma promessa entre muitos garotos remadores que ainda faziam parte da escolinha de remo do Botafogo.

Menino tímido, de poucas palavras, Uncas afirmava à nossa equipe que o seu maior sonho era fazer faculdade de engenharia aeroespacial, mas que antes queria estudar um ano de física na universidade.

A verdade é que, depois de meia década Uncas mandou para o espaço os maiores concorrentes das grandes potências do remo mundial.

E hoje é o maior nome da história da modalidade no Brasil depois da, também campeã mundial Fabiana Beltrame, já aposentada.

Assista à reportagem abaixo e viagem na van de Dona Eliane que contou todo o sacrifício de uma família humilde e batalhadora na formação de um menino com nome de índio que chegou ao ápice da carreira ao conquistar o bicampeonato mundial.

O desabafo de um bicampeão do mundo

Uncas sempre esteve acostumado às dificuldades do esporte amador no Brasil.

Além de ter que contar com o apoio da mãe-motorista, Uncas também contava com um dinheirinho que a ela ganhava para a alimentação da família.

Comeu o pão que o diabo amassou em épocas que patrocínio, bolsa atleta eram apenas artigos de luxo, destinados a poucos nomes do alto-rendimento do Brasil.

E, mais que a falta de apoio de uma política esportiva no Brasil que até hoje não veio, Uncas sempre reclamou e lamentou a forma como a comunidade internacional do esporte enxergava os brasileiros nas provas de remo.

No relato escrito por ele mesmo, o último e talvez o primeiro Moicano do esporte brasileiro da modalidade a conquistar tal façanha desabafa com relação a esse assunto.

Diz que. Mais fantástico do que conquistar o bi mundial é ver os grandes nomes e promessas do esporte no planeta passando por ele e se rendendo ao talento e a garro de um brasileiro.

Abaixo está o texto de Uncas Tales Batista, escrito e publicado por ele, no Facebook nesta segunda-feira. “Uncas Tales Batista

Quem te viu quem te vê, bicampeão mundial quando eu entrei nesse esporte não me imaginava nem como campeão brasileiro, mundial então impossível já que eu era brasileiro, sempre ouvindo o quanto os gringos são bons são diferentes, esse esporte é para europeu. Nunca foi a única diferença entre eles e os brasileiros e a dedicação o amor pelo esporte, a paixão pelo treino e trabalho duro (eu tive o prazer de remar na mesma raia que a Fabiana e o Alison, a diferença deles era MT simples treino mais nada toda hora subindo e descendo raia). Ontem eu percebi o "segredo" para o sucesso nesse esporte, o segredo é composto por alguns fatores: água, máquina, peso, amor todos os dias uma coisa que muitas vezes nos faço involuntariamente, treinar por prazer. Desde que eu conquistei o mundial em 2017 não tive meu melhor ano até hoje, sem conseguir ter uma boa sequência de treinos, problemas de saúde, treinos em que meu corpo não conseguia mas completar, um Carnaval que jamais vou esquecer e nunca mais vou ter um igual, e no primeiro dia do mundial eu era a pessoal menos confiante olhava todos os dias perdidos nesse ano e não via como poderia ser campeão mas todo dia q treinei foi porque eu quis porque eu amo fazer isso, hoje eu estou aqui com todos os países do mundo me parabenizando, olhando para mim e perguntando "você e o Uncas , incrível o seu feito" não foram um nem dois foram todos que passaram por mim. Brasileiro não foi motivo de risos ou piadas foi de aplausos e respeito. Obrigado a todos pela torcida as 5 da manhã de outro domingo."