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Palmeiras: Allianz Parque chega a 4º aniversário com público de quase 4 mi, estação meteorológica e promessa de inauguração de memorial

"A história do Palmeiras tem alguns divisores de águas. A inauguração da arena, sem dúvida, é um deles", afirmou o presidente do clube, Mauricio Galiotte, em entrevista à ESPN, dando a dimensão da importância do Allianz Parque para o clube.

Foi há quatro anos, em 19 de novembro de 2014, que a bola rolou, pela primeira vez em um jogo oficial no estádio. Se, por um lado, havia alegria pela (re)inauguração da casa palmeirense, por outro, as circunstâncias em que o evento acontecia não eram nada lisonjeiras, já que o Palmeiras lutava contra uma possibilidade de rebaixamento que, efetivamente, não se concretizou.

Um ciclo de Copa do Mundo se passou desde a derrota do Palmeiras para o Sport, por 2 a 0, naquela primeira noite, em que o finado Ananias (1989-2016) fez o primeiro gol da era Allianz Parque. Desde então, o estádio já sediou outras 122 partidas, que fizeram as catracas do estádio girarem mais de 3,8 milhões de vezes (3.805.215, precisamente) e as bilheterias arrecadarem R$ 261.425.328,87. Na quarta-feira, esses números aumentam, quando o Palmeiras enfrenta o América-MG, pelo Campeonato Brasileiro

Ainda no campo esportivo, a arena já sediou duas conquistas de títulos do time principal (Copa do Brasil de 2015 e Campeonato Brasileiro de 2016). Em sua casa reformada, o clube soma 80 vitórias, 22 empates e 21 derrotas, com aproveitamento de 71% dos pontos disputados.

Se tudo correr como evidenciam as estatísticas, 2018 pode ver a terceira grande conquista alviverde em casa. Segundo o Five-Thirty-Eight, site parceiro da ESPN, o Palmeiras tem hoje 97% de chance de conquistar o título nacional deste ano.

Para seu quinto ano, a Arena anuncia duas novidades. A primeira, um desejo antigo do palmeirense, é a inauguração do Memorial e Sala de Troféus do clube. Desde 2010, quando parte do Estádio Palestra Itália foi demolida, levando consigo a velha sala de troféus, as taças conquistadas pelo Palmeiras estão guardadas em caixas. A ideia é que o recinto possa ser inaugurado ainda em 2019.

"O desafio era achar um modelo de negócio sustentável, que não fosse se tornar ônus nem para o clube, nem para a WTorre, como o Museu Pelé, em Santos, e o Museu da CBF, no Rio, que enfrentam dificuldades", explica Rogério Dezembro, CEO do Allianz Parque, em entrevista exclusiva à ESPN, sobre o porquê da demora em construir um recinto adequado. "Além disso, a recessão econômica e as maiores urgências de outros projetos relativos ao estádio acabaram se sobrepondo", explica o executivo.

"Já nos reunimos com a diretoria do clube e encontramos um modelo que possa nos atender", acrescenta.

A segunda novidade é inédita em estádios do Brasil e chega para tentar ajudar a contornar um problema recorrente do Allianz Parque: a condição do gramado. O Allianz Parque passa agora contar com uma estação meteorológica própria, a fim de tornar precisa a previsão do tempo e ajudar a equipe de manutenção do campo a tomar as precauções necessárias para a conservação do gramado. A tecnologia é semelhante à utilizada no Autódromo de Interlagos.

Eduardo Rigotto, gerente geral do estádio, destaca que essas informações serão fundamentais para a manutenção do campo de jogo.

“Um dos principais benefícios da tecnologia é a criação de um histórico meteorológico específico da região da arena. Ou seja, os dados nos mostrarão o volume de chuva em determinada época do ano, os horários com mais umidade, entre outros dados que nos auxiliarão em diversas questões, como, por exemplo, a irrigação do campo”, explica.

"Hoje, a gente sabe se vai chover na região da Lapa, por exemplo (bairro próximo ao estádio). Com essa estação, saberemos se a chuva, e quanto dela, cairá diretamente sobre a arena", complementa Rogerio Dezembro.

A estação também será muito importante para os shows e grandes eventos corporativos. Com os dados a equipe da arena espera ser mais precisa na organização dos espetáculos, fornecendo, com antecedência, as informações climáticas para o público, alertando inclusive sobre possíveis impactos no trânsito ou até mesmo programando intervalos no evento, caso seja identificado uma tempestade durante a realização do mesmo, por exemplo.

A ideia é que os dados meteorológicos estejam disponíveis nos canais de comunicação da arena a partir do segundo semestre de 2019. Apesar de todo o maquinário já ter sido instalado, os técnicos trabalham no momento na programação do sistema, que já começa a coletar os primeiros dados, iniciando a criação do histórico meteorológico da área.

Outra promessa antiga, a inauguração de um restaurante panorâmico no setor superior norte, também está perto de se concretizar. Atualmente, já há um restaurante japonês operando no estádio, funcionando todos os dias.

O DESAFIO DE UM NOVO MODELO

A construtora WTorre, na prática, proprietária do estádio até 2044, afirma estar satisfeita com o balanço do estádio até o momento. "O feedback da torcida é muito bom. O palmeirense comprou a ideia. Basta ver que raramente temos atos de vandalismo - para não dizer que não temos nenhum", diz Dezembro.

Hoje, entre fornecedores e outros tipos de parceiros, mais de 70 empresas são parte da operação Allianz Parque, que tem estacionamentos e lanchonete fast food, além de restaurante, funcionando todos os dias.

"Nossa satisfação é tanto do ponto de vista da percepção do público quanto dos negócios", diz o executivo. "Tínhamos o sonho de implantar um modelo inédito e conseguimos. Ouvimos poucas reclamações ao longo desse tempo. A maior parte delas no começo do projeto, quando ainda tínhamos muito a aprender", acrescenta.

Uma das reclamações constantes é relativa à não presença de distintivos do clube na fachada externa do estádio, um pedido antigo da torcida. Infelizmente, porém, o prognóstico de Rogerio Dezembro quanto a isso não é dos melhores.

"Essa é uma questão da Lei Cidade Limpa. Pela legislação, a colocação do escudo fere o que a lei diz", explica Dezembro. "O torcedor nos pergunta e usa o Canindé e o Morumbi, que têm escudos da Portuguesa e do São Paulo, como exemplo. E o que respondo é 'bom, eles estão fora da lei'", jura o executivo.

O ineditismo do modelo, em muito, está relacionado ao fato de o estádio ser um híbrido de casa de espetáculos e estádio de futebol - mistura que deve se ampliar nos próximos anos, no que depender do desejo da WTorre. Até hoje, 58 shows já aconteceram na casa palmeirense.

"Nosso objetivo é que, no futuro, possamos ter um divisão 50-50 entre jogos de futebol e eventos extracampo", diz Dezembro. Até hoje, 1.875.236 de ingressos de shows foram vendidos para show no estádio.

Muito conturbada no passado, a relação entre o clube e a WTorre, segundo as duas partes, está em seu melhor momento. "Realmente, a atual diretoria é muito aberta ao diálogo", diz Dezembro.

"A arena é fruto de uma parceria muito importante e temos de respeitar todos os parceiros", reforça o presidente Mauricio Galiotte. "Temos diferenças e discordâncias, sim, que estão sendo resolvidas. Porque no fundo, todo mundo só quer que o Palmeiras se beneficie", diz.

"Um Palmeiras forte esportivamente só nos favorece. Temos muito orgulho de fazer parte dessa história vencedora", finaliza Dezembro.

Se os discursos permanecerem assim também na prática, quem agradece, é o palmeirense.