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Fifa pode copiar NBA no mercado da bola e beneficiar clubes brasileiros; entenda

Gianni Infantino durante amistoso entre Holanda e Peru, em setembro de 2018 Getty Images

Segundo o jornal The New York Times, a Fifa planeja fazer mudanças drásticas no mercado da bola. E essas alterações podem ser muito benéficas para os clubes brasileiros, conhecidos por exportarem diversos talentos para todo o planeta.

O diário obteve um documento enviado pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, a acionistas, no qual o suíço detalhe seus planos para modificar a maneira como os clubes compram e vendem jogadores.

A ideia de Infantino é que a Fifa crie uma novo departamento, que passará a ser responsável por centralizar todas as transferências internacionais de jogadores no mundo, processando os pagamentos e cuidando das comissões pagas aos empresários.

Esse departamento seria terceirizado e administrado por terceiros, que contratariam um banco para cuidar dos pagamentos. O relatório diz que isso traria "enorme transparência" para um mercado que movimenta US$ 6,5 bilhões (R$ 27,11 bilhões) por ano.

A principal mudança, porém, é que seria imposto um limite para o quanto os times podem gastar em um jogador - "valor que bateu recorde em 2017 depois que o Paris Saint-Germain gastou incríveis 222 milhões de euros para contratar o brasileiro Neymar", lembrou o jornal.

Entre as propostas que aparecem no memorando, há a criação de um algorítimo que determinaria o preço máximo de um jogador.

Caso alguma equipe resolva ultrapassar esse montante, terá que pagar uma nova taxa, chamada de luxury tax, que será dividida entre todos os clubes anteriores do atleta.

Esse é, aliás, exatamente o sistema adotado pela NBA atualmente no mercado do basquete.

Outra ideia é que os times passem a adotar tetos-salariais, o que serviria para prevenir que agremiações entrassem em falência, algo que vem se tornando cada vez mais comum no futebol europeu, principalmente na Itália.

Também passaria a haver um limite de empréstimos. Cada clube poderia ceder no máximo oito jogadores emprestados, com um limite de três para um mesmo time.

Isso impactaria diversas equipes europeias e sul-americanas, como o Chelsea, que possui mais de 40 jogadores emprestados para outras agremiações, e também Tombense e Deportivo Maldonado-URU, que são usados por empresários para registrar atletas e depois repassá-los.

Por fim, haveria também cláusulas de rescisão fixas para todos os países, como fazem as equipes de Espanha e Portugal atualmente.

"Centralizando os pagamentos, a Fifa espera que os times que trabalham bem as categorias de base recebam as compensações que lhes são devidas nas negociações", salienta o NY Times.

"Atualmente, milhões de dólares dos chamados 'mecanismos de solidariedade', que buscam compensar o time que revelou o atleta, se perdem pelo caminho. Para deixar o processo mais simples e eficiente, a Fifa criaria uma espécie de 'passaporte digital' que toma nota das equipes pelas quais o jogador passou desde os 12 anos", completa, lembrando uma situação que aflige muitos clubes brasileiros.

Com as novas ideias, a Fifa também espera diminuir o poder dos agentes, chamados de 'pragas' no documento, nas transferências de jogadores.

Em 2017, os empresários da bola embolsaram quase US$ 500 milhões (R$ 2,085 bilhões) em comissões, um aumento de 105% em relação a 2013.

"Figuras como os 'superagentes' Jorge Mendes e Mino Raiola tornaram-se tão famosos quanto os jogadores que representam", salienta o diário.

Por fim, o veículo ressalta que, apesar da Fifa ter vontade de implantar essas mudanças no mercado da bola, elas devem demorar a acontecer.

"O cálculo é que levaria ao menos dois anos para que o novo departamento de transferências fosse estabelecido, e não há ainda qualquer prognóstico de chegar a uma conclusão sobre como calcular os valores máximos que poderiam ser pagos por um jogador", finaliza.