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De 'volte para seu país' a 'queria mais como ele': Mário Fernandes na seleção da Rússia divide torcedores

Na próxima quinta-feira, a Rússia enfrenta a Arábia Saudita pela abertura da Copa do Mundo de 2018. No 11 inicial dos donos da casa, muito provavelmente estará o zagueiro e lateral direito brasileiro Mário Fernandes, que adquiriu cidadania russa em 2016 e desde 2017 defende a seleção europeia, tendo inclusive recusado chamados do Brasil e preferindo jogar por outro país.

Apesar de ter preferido outra nação, demonstrando extremo apreço pela Rússia, o fato do jogador revelado pelo Grêmio ser um dos 23 convocados para o Mundial (e, além disso, como titular da ala direita da equipe) divide opiniões entre os russos.

A reportagem da ESPN esteve no centro de Moscou na manhã desta segunda-feira e entrevistou diversos torcedores do time da casa sobre a "questão Mário Fernandes". A pergunta era simples: você aprova a convocação de um atleta nascido em outro país pela seleção russa ou preferia que a vaga fosse ocupada por um jogador natural da Rússia?

Entre os que toparam responder, houve enorme divisão: metade aprova, metade torce o nariz.

Entre os que não gostam, aparecem principalmente torcedores mais velhos, que também são contrários ao grande número de estrangeiros na liga local. Foi o caso, por exemplo, de Abramov Sergei, de 61 anos.

"Nós temos um país enorme, com muitos habitantes, e creio que podemos ao menos encontrar 23 jogadores para representar nossa seleção", reclamou.

Fedor Krepak, de 28 anos, também não se mostrou favorável e usou o Brasil como exemplo.

"Não há jogadores de outras nacionalidades na seleção brasileira, pois vocês têm jogadores bons o bastante para formar um time. Apesar de nós não termos, era melhor que fossem russos ao invés de brasileiros na nossa seleção", pontuou.

Desconfiados, muitos outros entrevistados não quiseram ser filmados ou divulgar seus nomes. No entanto, deram opiniões fortes. Um guarda do parque Zaryadye, por exemplo, se disse 100% contra a naturalização e disse que o ex-gremista deveria "voltar para seu país de origem".

Já os que se mostraram favoráveis se disseram orgulhosos pelo fato de Fernandes ter preferido a Rússia ao Brasil.

Um exemplo foi o torcedor Andrey Kurkov, de 30 anos, que garantiu que gostaria de ver mais atletas naturalizados na seleção russa, de forma a melhorar o nível do time.

"Eu acho que é normal (atletas naturalizados atuarem por outras equipes), e fico até feliz que um jogador que veio de um país como o Brasil conseguiu nossa cidadania e quis jogar pela nossa seleção. Eu gostaria de ver mais jogadores estrangeiros com essa vontade", ressaltou.

O jovem Andrey Sarkisyan, de 16 anos, argumentou que a Rússia não é a única a recorrer a naturalizados.

"Eu acho que Mário Fernandes é um jogador de muita perspectiva. Todo ano ele melhora cada vez mais, e acho ótimo que ele joga pela Rússia, já que conseguiu a cidadania russa. Nós podemos ver que a seleção da Alemanha também tem jogadores de outras origens e nacionalidades que jogam para eles", observou.

Já Matorin Alexander, de 63 anos, apresentou os dois gumes da faca.

"Acho que é uma questão que tem dois lados, 50% a 50%. Por um lado, se os melhores jogadores querem jogar pela Rússia, isso é bom, pois aumenta a auto-estima dos jogadores russos. Por outro lado, esses jogadores naturalizados ocupam as vagas que supostamente poderiam ser ocupadas por jogadores russos, o que é negativo", apontou.

"Mas em um mundo em que há globalização em tudo, na energia, nos eletrônicos, nos computadores, quando jogadores de cidadania dupla ou tripla podem representar outra seleção, acho que é uma boa ideia. E espero que esse garoto ajude a Rússia a se classificar para os mata-matas", complementou.

Mesmo não tendo aprovação unânime, Mário Fernandes estará em campo nesta quinta-feira, às 12h (de Brasília), no estádio Luzhniki, quando a Rússia encara a Arábia Saudita pela 1ª rodada do grupo A da competição.