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Técnicos mostram indignação com permanência de jogos em meio à greve

Mesmo com a greve dos caminhoneiros acometendo todo o país há oito dias, o final de semana teve normalmente as rodadas do Campeonato Brasileiro. A permanência das partidas causou indignação em alguns técnicos, que se posicionaram a favor da paralisação ou, então, dispararam contra a política brasileira. Foi o caso de três treinadores, entre Série A e Série B do Brasileiro.

Além de Eduardo Baptista, do Coritiba, que mostrou insatisfação com a permanência da rodada do campeonato mesmo com o caos no país, mais dois técnicos seguiram esta linha de pensamento. Um deles foi Rogério Micale, do Paraná, que pediu apoio aos grevistas. “Das coisas menos importantes atualmente, o futebol é um das mais importantes, infelizmente. Temos tanta coisa para nos preocuparmos no Brasil e uma das menos relevantes é o futebol”, observou o treinador. “Todos nós temos que apoiar o que está sendo feito. Temos um país extremamente corrupto na política e que precisa fazer algo com serenidade. Não sou daqueles caras politicamente corretos, mas me preocupo muito porque tenho três filhas e um neto e não quero ver essa estirpe de gente administrando tudo”, completou.

A equipe comandada por Micale viaja nesta terça-feira pra o Rio de Janeiro para enfrentar o Vasco, pela oitava rodada. “É uma lama, uma corrupção, gente morrendo todo dia nos hospitais ou de fome e comida sendo jogada no lixo, mas não é culpa dos caminhoneiros. É dos políticos. Chegou a hora de nos engajarmos nisso. O futebol é o que tem menos importância. Quero o meu país com igualdade de condições, então tem meu apoio”, bradou.

Para finalizar, o técnico do América-MG, Enderson Moreira, concorda com essas opiniões e lamentou a confirmação dos jogos, bem como acredita que faltou total sensibilidade à CBF nesta situação. “O país passando por um processo terrível e nós aqui falando de futebol, com tantas outras dificuldades. O Eduardo Baptista (técnico do Coritiba) fez um desabafo e vocês vão me desculpar, mas eu não consigo entender por que a gente tem que continuar servindo de diversão para um país que está chorando e lamentando”, iniciou.

“Infelizmente, isso é muito mais grave. Acho que para todos que participaram (da rodada dos campeonatos) foi pela força do dever. ‘Tem que vir’, porque não é sentimento que a gente tem. Tem tantas pessoas passando dificuldades, tantas pessoas com tantas preocupações e a gente tendo que desempenhar o nosso papel, porque somos profissionais, mas acho que o clima deste final de semana foi muito ruim para quem é brasileiro, que não vê nenhum tipo de respeito dos nossos governantes com quem realmente merece”.

Enderson Moreira também falou sobre a crise como um todo, não apenas do abastecimento, que poderia interferir na ida de torcedores ao estádio. “Nós tivemos um público, não sei quantos vieram, mas por volta de quatro mil pessoas, que se deslocaram pra vir até aqui. Mas não é só a limitação de combustível, é alimentação que não chega, são hospitais que têm dificuldades, uma série de coisas que nos fazem ficar muito tristes, porque o futebol é a coisa mais importante das menos importantes. Pagamos por tudo que não temos culpa”, finalizou.