O São Paulo enfrenta o Palmeiras na cidade de Itu, no interior de São Paulo, em busca de uma vaga na decisão da Copa do Brasil sub-20, às 19h30 desta terça-feira. Como venceu o primeiro jogo por 1 a 0, um empate será suficiente para o time tricolor avançar.
A partida, que terá transmissão da ESPN Brasil, pode significar a ampliação da hegemonia da base são-paulina.
A categoria sub-20 vem empilhando títulos desde 2015, com a conquista de três edições da Copa Rio Grande do Sul, três da Copa Ouro, duas da Copas do Brasil, uma da Copa Libertadores e uma do Campeonato Paulista. Saldo de fazer inveja a qualquer rival.
Dois jogadores que estarão em campo vivenciaram boa parte dessa trilha vitoriosa. São os casos do goleiro Denis Júnior, 19, e do zagueiro Rodrigo, 19. Eles subiram para o sub-20 em 2016, participando de alguns jogos do Paulista sub-20 daquele ano, e são atualmente os mais velhos do elenco. Também foram bicampeões da Copa Rio Grande do Sul e da Copa Ouro.
Tanto Denis como Rodrigo estão na última temporada pelo sub-20. O caminho seguinte seria a integração ao profissional, mas, uma avaliação interna feita pelo São Paulo, aponta que o melhor nesses casos é integrar os jogadores ao sub-23.
A categoria, também chamada de aspirante dentro do clube, é vista como ideal para que o atleta ganhe amadurecimento, evitando que o clube desperdice um talento lapidado no centro de treinamento de Cotia por causa da pressão no profissional.
Quem explicou o raciocínio para a ESPN foi Pedro Smania, coordenador das categorias de base do São Paulo.
"É importante citar que na maioria dos casos, os atletas com 20 anos não estão prontos a jogar no profissional. A tendência é que amadureçam com 22 anos ou 23. Temos uma comissão própria para esse time de aspirantes e vamos disputar o Brasileiro da categoria com eles. A comissão do profissional estará observado de perto para ver se é possível utilizá-los", disse Smania.
Segundo ele, o São Paulo precisa ter uma metodologia além do trabalho de base para preparar os jogadores para a transição ao profissional. Nos últimos anos, o clube do Morumbi teve como críticas exatamente a falta de paciência com seus talentos.
Talvez o exemplo mais celebre seja o de Casemiro. O volante, que atualmente é uma das peças mais importantes do elenco do Real Madrid, conviveu com críticas durante as três temporadas em que jogou pelo São Paulo. Mesmo tendo vindo de Cotia e sendo nome certo nas seleções de base, deixou o clube sem ter caído nas graças dos torcedores.
"Somente uma pequena parte consegue jogar no profissional [saindo diretamente da base] porque toda transição, desde as categorias menores para as maiores, precisa de um tempo maior para se adaptar com força e a velocidade que o jogo exige", disse Pedro.
"No profissional tem a pressão de torcida, informações de mídia, valor salarial aumenta... Tudo isso influencia. Alguns lidam com mais facilidade. Outros nem tanto. O que mais pesa é o que está ao redor do garoto", complementou.
Nem mesmo o fato de em anos recentes categorias como a sub-20 terem aumentado a visibilidade --com jogos e competições transmitidos com mais frequência, além do alcance fornecido pela internet-- ajuda no amadurecimento dos garotos.
"Nos últimos anos, as competições sub20 tem sido televisionadas, tendo torcidas nos estádios e mais apelo de mídia. Isso tem facilitado muito para transição. Mas é diferente estar acostumado com isso e [depois] atuar no Morumbi lotado, treinar no CT da Barra Funda com jogadores que antes eram seus ídolos e viram seus colegas de vestiário. o período de transição faz diferença nesse aspecto".
Smania destaca que o São Paulo, que vem tendo sucesso no sub-20 e conta com um número considerável de jogadores revelados em Cotia no profissional (casos de Rodrigo Caio, Militão, Liziero, Brenner, Lucas Fernandes, Shaylon, entre outros), já tem uma metodologia preparada para evitar o "desperdício' de talentos.
"Implementamos ferramentas de avaliações internas chamadas de '360 graus'. Com ela avaliamos o desempenho atual e o potencial futuro dos atletas. Avaliamos várias situações de âmbito pessoal, como a rede de apoio e quem é esse jogador", disse.
"Há um objetivo principal para que a formação integral do cidadão seja a mais completa. Temos uma avaliação do desempenho dele na categoria atual dentro de campo, como comportamento, físico e tático, junto com isso, observamos o potencial de onde esse atleta pode chegar. A gente cita os empresário, família, amigos, escola. Como é o comportamento escolar. Quem é ele e se enxerga pessoalmente. Temos um trabalho com pedagogos e psicólogos. Transformamos isso em números e projetamos onde esse garoto pode chegar."
Muitos dos jogadores que estão no sub-20 do São Paulo, que jogará nesta noite com o Palmeiras, têm pelo menos mais dois anos na categoria. Eles já passaram por essas avaliações e são ainda avaliados. A intenção é que meninos como Denis Júnior e Rodrigo tenham uma ponte rígida ao chegarem ao profissional, sem risco de serem mal aproveitados e descartados.
Coordenador da base do São Paulo desde março de 2017, Smania trabalhou antes no Figueirense, onde exercia o mesmo cargo, e no Criciúma. Formado em Educação Física, tem a licença técnica da CBF e já fez curso de gestão esportiva pela Universidade do Futebol.
