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Ex-Corinthians indicou Willian a Wenger, mas Arsenal preferiu jogador que hoje está na Série B

Em 2017/18, o meia Willian vem fazendo uma de suas melhores temporadas com a camisa do Chelsea. Até o momento, são 13 gols e 10 assistências em 44 partidas, além da titularidade absoluta sob o comando do técnico Antonio Conte. Ele, inclusive, é uma das esperanças da equipe inglesa para eliminar o Barcelona, nesta quarta-feira, às 16h45 (de Brasília), pelas oitavas de Champions League.

Um dos jogadores favoritos da torcida, ele possui uma história bonita nos Blues, tendo conquistado duas vezes a Premier League e uma vez a Copa da Liga Inglesa, vestido 255 vezes a camisa da equipe londrina desde que chegou, em 2013/14.

Antes disso, ele defendeu o Shakhtar Donetsk com muito sucesso, ganhando 13 títulos pelo clube, além de ter passado pelo Anzhi, da Rússia, na temporada 2013/14, antes de assinar com o Chelsea por 35,5 milhões de euros (R$ 142,38 milhões, na cotação atual).

Toda essa trajetória, porém, poderia ter sido muito diferente se o Arsenal, também da Inglaterra, tivesse resolvido apostar na dica de um brasileiro, que recomendou a contratação de Willian aos Gunners quando ele ainda era apenas uma promessa do Corinthians.

Trata-se de Daniel Musatti, que foi treinador das categorias de base do "Timão" e que também trabalhou como olheiro do Arsenal - atualmente, ele é treinador do sub-15 e auxiliar do sub-19 do FC Golden State, dos Estados Unidos.

Em entrevista à ESPN, Musatti conta que conheceu Willian há 13 anos, e que sempre viu muito potencial no meia.

"Conheci o Willian em 2005, quando fui fazer um estágio de três meses no Corinthians. Trabalhei com o José Augusto, treinador da equipe sub-17. O Willian tinha muito potencial, e naquela época já se esperava que ele chegasse bem mais cedo ao profissional que os outros", contou.

"Quando tinha 17 anos, ele já fazia jogos pelo sub-20. Sempre foi um garoto muito dedicado, por vezes treinava em dois períodos, um com o elenco sub-17 e outro com o sub-20. Ficava também muitas vezes depois dos treinos com o José Augusto batendo bola. A gente treinava e auxiliava nos domínios de bola e finalização, esses complementos que todo jogador precisa", acrescentou.

"É um garoto super humilde, atencioso e trabalhador. Não é à toa que chegou nesse ponto em que está, porque fazia tudo que precisava fazer e também fazia uns extras", elogiou.

Willian fez parte de uma "geração de ouro" do "Terrão", como são conhecidas as categorias de base alvinegras. Segundo Musatti, o meia sempre esteve sob enorme pressão na base, já que era visto como o grande talento daquela geração, mas sabia lidar com tudo.

"Nós tínhamos um time fantástico nessa época. Além do Willian, trabalhávamos com Dentinho, Éverton Ribeiro, Fagner, Danilo Fernandes... Todos viraram grandes jogadores e hoje defendem equipes importantes do Brasil e do exterior", exaltou.

"O Willian sofria um pouco com a pressão que existia sobre ele, porque havia uma expectativa maior por conta do talento dele, o que sempre colocou uma responsabilidade a mais. No entanto, ele sempre passou por cima de tudo isso", recordou.

O treinador também é só elogios à personalidade do atleta da seleção brasileira.

"Lembro quando ele fez a estreia pelo profissional, em 2006, e no dia seguinte estava de manhã no CT da base em Itaquera. Ele foi para conversar com o pessoal do sub-17, sendo solícito e batendo papo com toda a comissão. Agradeceu todo mundo pelo trabalho que fizemos com ele", relata.

"É assim que ele é. Já não era nem uma promessa, mas sim uma realidade, e estava no time profissional, mas fez questão de visitar a gente e conversar com todos os outros meninos. Falou com as cozinheiras, os funcionários, os faxineiros, todo mundo", conta.

"E isso foi muito bacana, porque a maioria dos garotos que subiam ao profissional no Parque São Jorge nunca mais voltavam para Itaquera. Já o Willian foi diferente: ele tinha essa humildade, que sempre cativou e serviu de exemplo para os mais novos", salienta.

WILLIAN NO ARSENAL?

Após trabalhar como treinador do Corinthians, Daniel Musatti desempenhou a função de observador do Arsenal, da Inglaterra, no Campeonato Paulista de 2006, analisando jovens talentos que o chefe de scouting do técnico Arsene Wenger havia determinado.

"Fui eu inclusive que fiz o relatório do (volante) Denílson, do São Paulo, naquele ano, e pouco depois ele foi negociado para a Inglaterra. Os atletas vinham recomendados pelo observador-chefe do Wenger para os scouts do Brasil, eram todos pré-determinados", lembra.

Como havia conhecido o talentoso Willian na base do Corinthians, porém, Musatti resolveu sugerir ao estafe dos Gunners a contratação do meio-campista. Tentou enviar um relatório aos seus superiores, mas eles deram de ombros.

"Fiz a sugestão de observamos o Willian e fazermos um relatório completo dele para análise do scout chefe do Arsenal. Na época, porém, me disseram que não havia interesse, pois eles estavam de olho em outro jogador", rememora.

O atleta em questão era um jovem atacante que surgia no interior paulista.

"Eles pediram pra eu fazer um scout completo do Neto Baiano, que estava no Paulista de Jundiaí", revelou Musatti.

No fim das contas, porém, o Arsenal desistiu também do centroavante e levou apenas Denílson para Londres.

Willian, por sua vez, disputou 18 partidas pelo Corinthians em 2007 até ser vendido por 14 milhões de euros (R$ 56,4 milhões, na cotação atual) ao Shakhtar Donetsk, em agosto daquele ano.

Hoje, ele vale 32 milhões de euros (R$ 129 milhões), segundo o site especializado Transfermarkt.

"Um ano depois de eu ter sugerido o Willian ao Arsenal, ele foi vendido por uma 'bolada' pra Ucrânia e se desenvolveu lá, virando esse grande jogador que todos veem hoje. Ele poderia ter ido para o Arsenal, mas eles preferiram observar o Neto Baiano...", finalizou.

Neto, aliás, tem uma longa lista de clubes em sua carreira.

Depois do Paulista de Jundiaí, ele foi contratado pelo Atlético-PR, e na sequência foi para o Palmeiras, disputando o Brasileirão de 2006 pela equipe do Palestra Itália.

Nos anos seguinte, ele vestiu as camisas de Fortaleza, Bragantino, Ponte Preta, Ipatinga, Vitória, JEF United-JAP, Kashiwa Reysol-JAP, Goiás, Sport e Criciúma, antes de chegar em 2016 ao CRB, seu clube atual, que está na Série B do Brasileirão.

Atualmente com 35 anos, Baiano vem em ótima temporada, com nove gols em 13 partidas até o momento.