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Em busca do estrelato: acompanhamos uma 'peneira' que selecionou jogadores de FIFA 18

Igor “zIgoor__” Malaquias e Thiago “Tmaciel” Maciel são os novos jogadores da NSE Fabricio de Lima

Com a popularização dos esportes eletrônicos, o sonho de se tornar um atleta profissional de esport tem morado no imaginário de todo jogador que venceu uma partida contra o videogame ou um amigo. No caso específico de FIFA, querido pelo público brasileiro por ser um simulador do principal esporte daqui se tornar um pro player se tornou algo bastante desejado.

Da mesma forma que os jogadores de futebol buscam uma chance nas peneiras dos grandes clubes, os aspirantes as pro player se aventuram nos gramados virtuais para desafiar sua habilidade ao controle. Começam pelas partidas amistosas, passam a torneios online e, finalmente, enfrentam o grande desafio: eventos presenciais.

O ESPN Esports Brasil esteve em um destes evento no último sábado, 24 de fevereiro, na Copa Netshoes E-Sports. O evento funcionou como uma peneira virtual, já que os campeões foram contratados como novos integrantes da equipe de FIFA 18 da Netshoes E-Sports (NSE). É um momento importante para que está começando, uma chance de ouro de se tornar representante de uma organização de esports.

Após mais de um mês de jogos online e o evento presencial em São Paulo com diversos jogadores, conversamos com os protagonistas das duas finais para saber o peso de um evento como esse no início de sua carreira e como será a vida partir de agora para os contratados.

O PRÓXIMO PASSO

A final da plataforma Xbox One foi disputada entre Thiago “Tmaciel” Maciel (22) de Maceió, Alagoas e Alexander “dyx_gohan” Sandes (19 anos), de Araçatuba, São Paulo. Após um duplo empate de “2 a 2”, Tmaciel pôs fim a prorrogação com o “gol de ouro”, em seu primeiro lance no ataque.

Já o campeão no PlayStation 4 foi Igor “zIgoor__” Malaquias (18 anos) de Uberlândia, Minas Gerais, que venceu Wlisses “musquito99” Meneses (24 anos) de Crato, Ceará. zIgoor__ goleou na primeira partida por “5 a 1” e, mesmo com revés do segundo jogo de “3 a 1”, saiu com o troféu.

Com a vitória, Tmaciel e zIgoor__ assinarão um contrato de 3 meses com a NSE, que pode ser prorrogada por mais 1 ano dependendo de seu desempenho.

Perguntamos quando os jogadores ocasionais deram lugar para o jogador profissional. Todos têm em comum que a vitórias sobre amigos e a primeira tentativa em um torneio encorajou a todos para novos desafios. Tmaciel jogava no PC até 2017, foi quando ganhou um Xbox: “participei de um campeonato da E-Cup e fiquei em segundo lugar. Então pensei que poderia conseguir mais no cenário. De lá para cá tenho me desenvolvido e ganhado até de jogadores da NSE, como o Ebinho”.

Para dyx_gohan “a Copa foi meu primeiro evento fora de Araçatuba e consegui o vice-campeonato. Estou muito satisfeito. Se zIgoor__ começou em FIFA 16 e “passou a se desenvolver para encarar jogos cada vez mais difíceis”, musquito99 “demorou” para se dar conta de seu potencial: “jogo desde o FIFA 13, mas só no jogo de 2017 que percebi que poderia me aventurar quando participei em um torneio em minha cidade”.

Nessa luta para se profissionalizar, perguntamos aos vencedores o peso desta conquista para suas carreiras. Tmaciel destacou um tabu que vinha carregando e que precisa melhorar agora que é um profissional: “muito importante, pois vinha de cinco vices seguidos. Fui campeão no momento certo. Agora preciso ter mais atenção para manter o nível do meu jogo os noventa minutos, pois tomei muitos gols ‘bobos’”.

Para zIgoor__, a dedicação valeu a pena: “sei que as coisas que virão são muito boas e difíceis. Tenho potencial e posso chegar longe se me dedicar, assim como sei dos meus erros. Como mineiro, espero chegar “devagarzinho”, pois com humildade chegamos longe”.

O outro lado da disputa, mesmo com a derrota, também teve um grande aprendizado. dyx_gohan acredita que terá melhor chance no futuro: “minha expectativa não era tão grande e consegui chegar longe”. musquito99 tem ciência de como foi importante sua participação: “chegar à final foi uma grande conquista, um sonho. Estou firme e forte. Assim como no futebol real, só um ganha em FIFA então é erguer a cabeça, ver o que errei, treinar mais, para levantar o troféu na próxima oportunidade”.

Para finalizar com o campeão do PlayStation 4, zIgoor__ falou da importância do drible para seu jogo, algo não muito visto no circuito profissional na mesma frequência que o jogador usou na Copa: “uso os dribles pois são o “algo a mais”. Treino muito e erro muito. Pode acontecer de perder a bola e tomar um gol no contra-ataque, mas o drible faz parte do meu jogo. Espero que esse diferencial possa a me ajudar no futuro”.

PALAVRA DOS PROFISSIONAIS

Não foram apenas os novatos que falaram com o ESPN Esports Brasil. Dois dos jogadores que fazem parte Pro Players da NSE, Ébio “Ebinho” Bernardes e Rodrigo “D1g0” Araújo, falaram sobre seus novos companheiros e o circuito de FIFA 18.

Os amadores da Copa Netshoes queriam se tornar profissionais e o evento deu essa chance. Na opinião de vocês, o que devem melhorar assim que fizeram parte da equipe?

Para Ebinho, treinamento é essencial: “nós da NSE treinamos muito e eles devem entrar em um ritmo forte, de outro patamar”. O pro player viu qualidades nos campões? Ebinho e D1g0 “notaram que várias jogadas estão carregadas de nervosismo, decididas muito rapidamente. É preciso ter calma para se decidir melhor o que fazer”.

Os jogadores da NSE serão professores para os novatos, então perguntamos como se dará essa orientação. Ebinho deve passar para eles a importância da calma, pois jogar os novatos sabem: “enfrentamos alguns dos participantes do torneio em outras oportunidades e temos ciência que sabem o que estão fazendo. Então, daremos dicas como se portar, ficar de olho na estratégia”.

O que eles já têm de positivo e mostraram na Copa? Para D1g0 “há muita coisa boa. Nossa missão como companheiros de clube é mais polir do que ensinar. Orientaremos sobre mudanças de tática, para se ficar atento na melhor jogada de acordo com a situação”.

Os dois são pro player, representam uma equipe de esports. Qual a mensagem que deixam não para seus novos companheiros, mas para quem está em casa e sonha em ser um jogador profissional?

Ebinho acredita que que as “coisas não caem do céu” e participar dos campeonatos é muito importante: “eu ‘apanhava’ muito no começo, mas coloquei como meta que era isso que queria. Treinei mais, batalhei, pois não se pode desistir. Um dia você será o derrotado, mas se esforçar, no dia seguinte você sai com a vitória”.

Deixamos a Copa um pouco de lado para falar sobre o circuito então. Perguntamos aos jogadores qual é sua formação favorita e por quê.

Ebinho aposta no “4-2-3-1”, pois se encaixa mais ao seu estilo de jogo: “meu time fica muito bem distribuído em campo, com diversos jogadores no meio e nas pontas. É uma formação que trabalha em ‘triângulos’, assim você sempre tem duas opções de passe para quem está com a bola”.

D1g0 prefere a “4-4-2”, pois “é consistente na defesa, com duas linhas de quatro jogadores. Consigo sair bem rápido pelas pontas, muito eficiente contra uma formação popular, a ‘4-1-2-1-2’”.

Acabamos de ter uma competição do Global Series de FIFA 18 na Espanha. O que os jogadores da NSE viram de interessante. Ebinho disse que acompanhou todos os jogos e notei algo bastante interessante: uma vez na entrada da área, os atletas não resolviam rapidamente a jogada. Eles trabalharam melhor a bola para encontrar o espaço perfeito para confundir o marcador, que o momento ideal para o adversário tomar a bola é no momento do passe”.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, Rafael “rafifa” Fortes, comentou que o peso da sorte está cada vez maior na decisão das partidas, tornando-as cada vez mais imprevisíveis. Será que concordam com o jogador do Paris Saint-Germain?

Ebinho concorda: “FIFA 18 é o jogo da franquia no qual a sorte é mais predominante no jogo. Tem partida que você dá seu melhor e mesmo assim não sai com a vitória. Então, seu psicológico tem de estar em dia para ser frio ao longo do jogo e superar até mesmo a sorte”.

D1g0 discorda: “a sorte faz diferença, mas não decide jogos. Se você encontrou sua estratégia de jogo e sabe como usá-la, tem chance de sair com a vitória”.