É verdade que o Brasil nunca foi muito longe em torneios internacionais com equipes de regiões fortes, mas o ano de 2017 deixou um gosto amargo na boca dos torcedores.
Os times brasileiros não só continuaram sem avançar muito nas competições, como também passaram a sofrer contra regiões que antes eram consideradas nossas freguesas - algo que ficou bem claro durante o Rift Rivals, o novo torneio internacional criado pela Riot Games este ano.
Apesar da Vivo Keyd e Red Canids terem vencido no fim, o Rift Rivals provou que as outras regiões da América Latina evoluíram, enquanto o Brasil pareceu estagnar - e não é possível culpar apenas o menor número de partidas do CBLoL.
Também não é possível culpar apenas as mudanças de formato do MSI e do Mundial, que tiveram a etapa do Wildcard transformada em uma Fase de Entrada com a adição de equipes de regiões mais fortes. E dois especialistas do cenário brasileiro dão sua opinião do que aconteceu com o Brasil em 2017.
“No geral, creio que o balanço internacional do Brasil foi negativo”, afirma Eduardo “etsblade” Souza, “Os resultados foram bem aquém do que todos esperávamos, talvez por uma memória de que o Brasil era uma das regiões emergentes mais fortes, e ficou claro esse ano que não somos. Somos uma região que ficou um pouco para trás em relação a outras. Vejo o cenário turco tendo uma evolução assombrosa, e vejo a gente tendo dificuldades em alguns aspectos”.
Apesar disso, o analista acredita que 2017 não foi um ano de regressão, como aconteceu em 2016. “Esse ano não acho que tenha havido uma regressão, mas as outras regiões cresceram bem mais, e a diferença que tínhamos em relação a regiões majors ficou maior. Houve sim uma evolução, mas ela não chegou a ter um destaque para nos colocar em um lugar que talvez tenhamos estado um dia”, explica.
Segundo Etsblade, um dos motivos para o Brasil estar atrás em gameplay é a mudança do League of Legends para um jogo muito mais situacional. “Você não consegue mais planejar uma linha do que pode dar certo, do que pode dar errado e trabalhar nisso. O jogo agora exige uma capacidade de mudar a todo instante”, aponta.
Esse poder de adaptação, diz o analista, ainda precisa ser melhorado nas equipes brasileiras. “Hoje em dia, a equipe que melhor se adapta durante a partida é a que consegue melhores resultados, e sinto falta de ver esse poder de adaptação - que é muito claro em outras regiões - aqui no Brasil. Acho que se tem algo a melhorar é exatamente isso”, crava.
Mas não é só isso. Lorenzo Jung, técnico da Vivo Keyd, dá outros motivos para o que aconteceu com o Brasil internacionalmente este ano.
“O tema de 2017 foi a separação da antiga line-up da INTZ de 2016, que dominou o cenário nacional por um grande período”, lembra. “Apesar desse evento ter ‘distribuído’ o conhecimento entre algumas equipes e talvez tenha sido melhor para a evolução do cenário à longo prazo, acabou deixando as equipes que enviamos para o cenário internacional mais fracas se comparadas a INTZ previamente citada. Tendo isso em mente, creio que o balanço de 2017 foi neutro, sei que não era a expectativa da comunidade, mas foi algo que considero uma consequência ‘natural’”.
Para Lorenzo, não há uma discrepância grande entre as regiões emergentes quando o tema é evolução. Isso porque “todos os casos de regiões que se ‘provam’ internacionalmente acabam sendo resultados de equipes únicas que se mostraram completamente dominantes em seus cenários nacionais”.
Entretanto, há mais do que um simples motivo para a dificuldade do Brasil em enfrentar regiões já estabelecidas, como Coreia do Sul, China e Europa. “Irei levantar um tópico que vejo com pouca frequência nessas discussões e que creio que possa ajudar o cenário”, começa Lorenzo. “Muitas organizações brasileiras possuem a mentalidade e o objetivo de desenvolver jogadores e permitir que os mesmos alcancem seus potenciais, mas para que isso ocorra é necessário que haja uma transferência de conhecimento entre indivíduos”.
Lorenzo complementa: “O que acabo determinando nesse processo como problemático é a origem do conhecimento. Ao invés de buscarem conhecimento em outros cenários, preferem uma figura ‘veterana’ do nosso cenário e isso pode sim funcionar. No entanto, vejo que os resultados de equipes que procuraram esse conhecimento em membros de comissões técnicas de outras regiões foi superior a aqueles que prosseguiram com o outro método”.
EXPECTATIVAS PARA 2018
Com 2017 chegando ao fim, não adianta chorar sobre leite derramado. Entretanto, podemos aprender com os erros do passado e melhorar - e é nisso que Etsblade e Lorenzo acreditam.
“Talvez a chegada dos sul-coreanos ajude na questão do poder de adaptação, como já ajudaram anteriormente da outra vez”, diz. “Porém, não dependemos só disso. Depende de uma mudança de mentalidade e mindset de todo mundo”.
O analista também acredita que a formação de times fortes tanto para o CBLoL quanto para o Circuito Desafiante vai ajudar no crescimento e evolução do cenário. E, espera, faça as partidas serem boas de se acompanhar.
Para Lorenzo, a mudança do formato do CBLoL 2018 pode ser boa, mas não será tão expressiva quanto a que aconteceria caso o formato fosse de melhor de 3 ida e volta. Mesmo assim, o técnico afirma que as expectativas para o ano que vem são boas.
“Penso que temos um grande potencial para alcançarmos uma boa campanha internacional e que veremos os frutos da distribuição de conhecimento que ocorreu em 2017”, aponta.
O CBLoL 2018 ainda não teve sua data de início revelada, mas está previsto para começar na terceira semana de janeiro.
