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Maurício Souza 'quebra silêncio' após saída do Minas, fala em 'legado' e recebe apoio de Felipe Melo

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Maurício Souza: 'Vim aqui pedir desculpas a todos aqueles que se sentiram ofendidos por eu defender aquilo que acredito' (3:38)

Jogador de vôlei foi dispensado do Minas Tênis Clube por homofobia - via @mauriciosouza17 (3:38)

Após demissão do Minas, Maurício Souza fez postagem no Instagram e recebeu apoio de Felipe Melo


Após o Minas Tênis Clube anunciar a saída de Maurício Souza, o jogador se pronunciou nas redes sociais. Por meio do Instagram, o atleta agradeceu os companheiros e comissão técnica e afirmou que 'segue plantando o que acredita'.

"Não sou mais jogar do minas! Agradeço aos meus companheiros, comissão técnica, meu Fisio ao meu diretor, presidência e sócios por tudo! Sigo meu caminho plantando o que acredito, meu legado continua! O que deixarei para meus filhos e netos é o que conta no final", escreveu Souza.

Nos comentários, Felipe Melo, jogador do Palmeiras, saiu em defesa de Maurício Souza e mandou apoio ao atleta.

"Você é um homem de valor, conte sempre comigo, Deus abençoe vc é os seus!!!", escreveu o volante do Verdão.

Mauríco Souza, de 33 anos, estava em sua 2ª passagem pelo Minas Tênis Clube, após ter defendido a equipe na temporada 2012/13. Ele havia sido anunciado pelo time em maio deste ano.

Veja abaixo a publicação:

Entenda o caso Maurício Souza

Na última terça, a montadora Fiat, que é patrocinadora master da equipe de vôlei do Minas Tênis Clube, emitiu nota oficial cobrando um posicionamento da agremiação em relação às declarações homofóbicas do central Maurício Souza, que é jogador da equipe e também da seleção brasileira.

Na nota, a empresa cobrou "medidas cabíveis" por parte do Minas, "de acordo com o nosso posicionamento inegociável diante do respeito à diversidade e à inclusão".

"Em relação às recentes declarações do jogador Maurício Souza, da equipe de vôlei Fiat Minas Gerdau, a Fiat declara seu repúdio a toda e qualquer expressão de cunho homofóbico, considerando inaceitáveis as manifestações movidas por preconceito, ímpeto desrespeitoso ou excludente. A empresa pauta suas ações e relacionamentos com base em valores que considera inegociáveis, como o respeito à diversidade e à inclusão", escreveu a montadora.

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"Assim, a Fiat repudia qualquer tipo de declaração que promova ódio, exclusão ou diminuição da pesosa humana e espera que a instituição tome as medidas cabíveis e necessários no mais curto espaço de tempo possível", completou.

O comunicado da companhia italiana, que renovou em julho de 2021 o patrocínio à agremiação por mais uma temporada, vem dias depois de Maurício Souza fazer diversas declarações homofóbicas em suas redes sociais.

A que mais chamou a atenção foi quando o atleta criticou a editora DC Comics por ter revelado que o personagem Super-Homem irá se descobrir bissexual.

"Ah, é só um desenho, não é nada demais... Vai nessa que vai ver onde vamos parar…", escreveu o jogador, com a imagem do Super-Homem beijando um rapaz.

A postagem de Maurício teve reação imediata do ponteiro Douglas Souza, companheiro do central na seleção brasileira de vôlei.

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Atleta mais uma vez publicou vídeo nas redes sociais para falar sobre o episódio - via @mauriciosouza17

Douglas, que é homossexual, não direcionou mensagem a Souza, mas ficou claro que se tratava de um "recado".

"Engraçado que eu não 'virei heterossexual' vendo os super-heróis homens beijando mulheres… Se uma imagem como essa te preocupa, sinto muito, mas eu tenho uma novidade para a sua heterossexualidade frágil. Vai ter beijo sim. Obrigado, DC, por pensar em representar todos nós e não só uma parte", postou o ponteiro.

Também devido à polêmica, a Torcida Independente Minas, principal organizada do Minas Tênis Clube, rompeu com Maurício Souza e afirmou que passará a ignorar o atleta, sem fazer qualquer menção a ele durante jogos e também nas redes sociais.

"Nas últimas semanas, o atleta repetiu posicionamentos homofóbicos e manifestações preconceituosas. A Independente não pode se calar. Homofobia é crime inafiançável no Brasil, passível de cadeia. No ano passado, 224 LGBTs foram assassinados no país, um dos mais violentos do mundo. É inaceitável que tenhamos que ver, calados, atos criminosos serem cometidos por um jogador que veste a nossa camisa como se fossem normais", escreveu a uniformizada.

"Uma vez que o central foi contratado com a anuência do clube e patrocinadores, a Independente se manifesta de forma a repudiar os comportamentos e adotará a postura de invisibilizá-lo. Em reunião, a comitiva da Independente decidiu que irá ignorar o atleta Maurício Souza nas redes sociais, jogos e manifestações. O apoio ao time, ao projeto e aos demais atletas permanecerá como sempre. O que homofóbicos querem é palco para reverberar seus preconceitos, e não será por meio de nós que isso ocorrerá. Quando um torcedor é discriminado, para nós, é como se todos fossem", completou.

Também por meio de nota, o Minas afirmou que todos os atletas da equipe "têm liberdade para se expressar livremente em suas redes sociais".

O time afirmou que é "partidário, apolítico e preocupa-se com a inclusão, diversidade e demais causas sociais", e salientou que não aceita "manifestações homofóbicas, racistas ou qualquer manifestação que fira a lei.

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Mauríco Souza, de 33 anos, estava em sua 2ª passagem pelo Minas Tênis Clube | Assista ao SportsCenter pela ESPN no Star+

"A agremiação salienta que as opiniões do jogador não representam as crenças da instituição sociodesportiva. O Minas Tênis Clube pondera que já conversou com o atleta e tem o orientado internamente sobre o assunto", finalizou o Minas.

Veja a nota do Minas Tênis Clube

O Minas Tênis Clube está ciente do posicionamento público do atleta Maurício Souza, do Fiat/Gerdau/Minas. Todos os atletas federados à agremiação têm liberdade para se expressar livremente em suas redes sociais.

O Clube é apartidário, apolítico e preocupa-se com a inclusão, diversidade e demais causas sociais. Não aceitamos manifestações homofóbicas, racistas ou qualquer manifestação que fira a lei.

A agremiação salienta que as opiniões do jogador não representam as crenças da instituição sociodesportiva. O Minas Tênis Clube pondera que já conversou com o atleta e tem o orientado internamente sobre o assunto.

Veja a nota da torcida do Minas Tênis Clube

Acerca dos últimos episódios do crime de homofobia manifestados pelo atleta Maurício Souza, a Independente Minas vem a público manifestar que:

1. A Independente acredita que não compete aos torcedores de um esporte julgarem a vida particular ou opiniões pessoais de jogadores e jogadoras. Desde o início, esta torcida se interessa apenas pelo que os atletas apresentam dentro de quadra, tendo como missão fomentar e compartilhar o amor pelo voleibol do Minas Tênis Clube.

2. Os devidos e reiterados comportamentos discriminatórios do central Maurício Souza já eram conhecidos tanto pelo clube quanto pelos patrocinadores. Mesmo assim, ao ser contratado, a Independente se propôs a manter com ele o mesmo respeito dado aos demais atletas: valorizamos o mérito esportivo e suas performances, ficando alheios às suas opiniões. Essa não foi uma decisão fácil. Temos LGBTs e mulheres em nossa torcida e as opiniões eram divididas. Mas o bom senso prevaleceu. Mais uma vez repetimos: a vida fora da quadra de um jogador ou de uma jogadora não nos compete.

3. Nas últimas semanas, contudo, o atleta repetiu posicionamentos homofóbicos e manifestações preconceituosas. A Independente não pode se calar. Homofobia é crime inafiançável no Brasil, passível de cadeia. No ano passado, 224 LGBTs foram assassinados no país, um dos mais violentos do mundo. É inaceitável que tenhamos que ver, calados, atos criminosos serem cometidos por um jogador que veste a nossa camisa como se fossem normais.

4. Uma vez que o central foi contratado com a anuência do clube e patrocinadores, a Independente se manifesta de forma a repudiar os comportamentos e adotará a postura de invisibilizá-lo. Em reunião nesta terça-feira, dia 19, a comitiva da Independente decidiu que irá ignorar o atleta Maurício Souza nas redes sociais, jogos e manifestações. O apoio ao time, ao projeto e aos demais atletas permanecerá como sempre. O que homofóbicos querem é palco para reverberar seus preconceitos, e não será por meio de nós que isso ocorrerá. Quando um torcedor é discriminado, para nós, é como se todos fossem.

Vôlei é esporte para todos, INDEPENDENTE da sua orientação sexual.

Belo Horizonte, 21 de outubro de 2021