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Suíço, que jogou duas Olimpíadas, morre aos 67 anos vítima de complicações da COVID-19 e choca ícones do vôlei: 'Tristeza e revolta'

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Vulcão no fundo, -12 graus de temperatura e na terra: veja o vôlei mais insano dos últimos tempos (0:25)

Thelma Grétars, jogadora profissional de vôlei de praia, publicou o vídeo nas redes sociais; momento acontece na Islândia - via @thelmadoggg (0:25)

Morreu nesta sexta-feira (2) Jean Luc Rosat, o Suíço, vítima de complicações decorrentes da COVID-19, no Rio de Janeiro. Ex-jogador de vôlei, ele disputou duas Olimpíadas pelo Brasil, a de 1976, em Montreal (Canadá), e a de 1980, em Moscou (capital da então União Soviética, hoje Rússia).

Nascido em Montevidéu, no Uruguai, em 6 de setembro de 1953, ele tinha 67 anos, ganhou a medalha de prata com a seleção brasileira no Pan-Americano de 1975, no México, e não resistiu a dificuldades relacionadas a uma trombose após ser acometido pelo coronavírus.

Suíço foi internado em 23 de março. Dez dias depois, acabou perdendo a batalha para a COVID-19. Neste período, foi pronado [colocado de barriga para baixo no leito] e até reagia bem à luta contra o vírus, mas teve que ser desvirado após apresentar uma trombose, precisou ser entubado e teve a vida interrompida.

Ele era muito próximo de Bernardinho e padrinho do filho do ex-jogador e técnico multicampeão com a também ex-atleta do vôlei Vera Mossa, Bruninho.

“Ele era um grande amigo, é uma perda muito triste, muito triste mesmo. O Suíço era um ser-humano maravilhoso. Ele e a Frick [esposa do Suíço] são padrinhos do meu filho, o Bruno. Estou triste, uma mistura de tristeza e revolta. Mais uma morte que poderia ter sido evitada como tantas outras nesta pandemia”, disse Vera Mossa, emocionada, à ESPN Brasil.

Pelo calendário de vacinação do Rio de Janeiro, Suíço, que tinha vida ativa, com o hábito de quase que diariamente jogar futevôlei, por exemplo, poderia tomar a primeira dose do imunizante justamente a partir desta sexta-feira. Não deu tempo.

Bernard, também ex-jogador importante do vôlei nacional e da seleção brasileira, foi outro que lamentou à reportagem a partida do amigo.

“Triste demais! Falei com ele já internado, na CTI, estava com telefone... e hoje ele veio a falecer, é uma consternação total do vôlei. Um cara tão bacana, conhecia ele há quase 50 anos, jogamos Olimpíadas juntos, é muito triste”, afirmou o ex-atleta de 63 anos e que disputou três Jogos pelo país (além dos de 1976 e 1980, como Suíço, também os de 1984, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em que a seleção masculina ganhou a medalha de prata).

Bernardinho, que inclusive era sócio do ex-atleta em um restaurante, o Delírio Tropical, no Barra Shopping, na capital fluminense, fez postagem em suas redes sociais para lamentar a perda e homenagear o amigo.

“Hoje a comunidade do vôlei perdeu um grande amigo, craque dentro e fora das quadras: Jean Luc Rosat, o suíço, meu compadre, meu mentor em muitos momentos da minha vida, meu sócio... parte da nossa família! Do bem, alto astral, inteligente e leal: AMIGO. A Covid o levou, mas as lembranças e tantas histórias o manterão entre nós! Descanse em paz”, escreveu.

Bruninho também postou, em uma rede social, palavras de carinho e uma foto com o padrinho: "Um grande homem, alto astral, atleta olímpico e um grande torcedor e incentivador na minha carreira. Só lembrarei desse sorriso sincero e dos conselhos que levarei pra dentro de quadra sempre. Descanse em paz meu Padrinho! Que você continue cuidando de toda a família aí de cima."

Outras homenagens

Atual técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, José Roberto Guimarães lamentou a morte do colega: “É uma grande perda para todos nós que convivemos com ele. Jogamos juntos na seleção brasileira e ele sempre representou o Brasil com muita entrega e dedicação. Ele era inteligente, carismático, talentoso e de uma solidariedade muito grande com todos. O Suíço foi um ícone do voleibol brasileiro.”

“Ele era um dos caras da geração anterior a nossa, que nos ajudou muito no crescimento. Uma pessoa maravilhosa, tecnicamente era um grande jogador. Contribuiu demais não só como atleta, mas como pessoa. Sempre ajudou muito os mais novos e certamente já deixa muita saudade”, disse Renan Dal Zotto, atual comandante da seleção brasileira masculina da modalidade.

“Hoje é um dia realmente triste para a nossa modalidade. Suíço foi um jogador incrível e que encantava pelo jeito de jogar. Além disso, era uma pessoa querida por todos. Fica aqui nossos sentimentos a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele”, declarou Walter Pitombo Laranjeiras, presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).