Morreu nesta sexta-feira (2) Jean Luc Rosat, o Suíço, vítima de complicações decorrentes da COVID-19, no Rio de Janeiro. Ex-jogador de vôlei, ele disputou duas Olimpíadas pelo Brasil, a de 1976, em Montreal (Canadá), e a de 1980, em Moscou (capital da então União Soviética, hoje Rússia).
Nascido em Montevidéu, no Uruguai, em 6 de setembro de 1953, ele tinha 67 anos, ganhou a medalha de prata com a seleção brasileira no Pan-Americano de 1975, no México, e não resistiu a dificuldades relacionadas a uma trombose após ser acometido pelo coronavírus.
Suíço foi internado em 23 de março. Dez dias depois, acabou perdendo a batalha para a COVID-19. Neste período, foi pronado [colocado de barriga para baixo no leito] e até reagia bem à luta contra o vírus, mas teve que ser desvirado após apresentar uma trombose, precisou ser entubado e teve a vida interrompida.
Ele era muito próximo de Bernardinho e padrinho do filho do ex-jogador e técnico multicampeão com a também ex-atleta do vôlei Vera Mossa, Bruninho.
“Ele era um grande amigo, é uma perda muito triste, muito triste mesmo. O Suíço era um ser-humano maravilhoso. Ele e a Frick [esposa do Suíço] são padrinhos do meu filho, o Bruno. Estou triste, uma mistura de tristeza e revolta. Mais uma morte que poderia ter sido evitada como tantas outras nesta pandemia”, disse Vera Mossa, emocionada, à ESPN Brasil.
Pelo calendário de vacinação do Rio de Janeiro, Suíço, que tinha vida ativa, com o hábito de quase que diariamente jogar futevôlei, por exemplo, poderia tomar a primeira dose do imunizante justamente a partir desta sexta-feira. Não deu tempo.
Bernard, também ex-jogador importante do vôlei nacional e da seleção brasileira, foi outro que lamentou à reportagem a partida do amigo.
“Triste demais! Falei com ele já internado, na CTI, estava com telefone... e hoje ele veio a falecer, é uma consternação total do vôlei. Um cara tão bacana, conhecia ele há quase 50 anos, jogamos Olimpíadas juntos, é muito triste”, afirmou o ex-atleta de 63 anos e que disputou três Jogos pelo país (além dos de 1976 e 1980, como Suíço, também os de 1984, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em que a seleção masculina ganhou a medalha de prata).
Bernardinho, que inclusive era sócio do ex-atleta em um restaurante, o Delírio Tropical, no Barra Shopping, na capital fluminense, fez postagem em suas redes sociais para lamentar a perda e homenagear o amigo.
“Hoje a comunidade do vôlei perdeu um grande amigo, craque dentro e fora das quadras: Jean Luc Rosat, o suíço, meu compadre, meu mentor em muitos momentos da minha vida, meu sócio... parte da nossa família! Do bem, alto astral, inteligente e leal: AMIGO. A Covid o levou, mas as lembranças e tantas histórias o manterão entre nós! Descanse em paz”, escreveu.
Bruninho também postou, em uma rede social, palavras de carinho e uma foto com o padrinho: "Um grande homem, alto astral, atleta olímpico e um grande torcedor e incentivador na minha carreira. Só lembrarei desse sorriso sincero e dos conselhos que levarei pra dentro de quadra sempre. Descanse em paz meu Padrinho! Que você continue cuidando de toda a família aí de cima."
Outras homenagens
Atual técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, José Roberto Guimarães lamentou a morte do colega: “É uma grande perda para todos nós que convivemos com ele. Jogamos juntos na seleção brasileira e ele sempre representou o Brasil com muita entrega e dedicação. Ele era inteligente, carismático, talentoso e de uma solidariedade muito grande com todos. O Suíço foi um ícone do voleibol brasileiro.”
“Ele era um dos caras da geração anterior a nossa, que nos ajudou muito no crescimento. Uma pessoa maravilhosa, tecnicamente era um grande jogador. Contribuiu demais não só como atleta, mas como pessoa. Sempre ajudou muito os mais novos e certamente já deixa muita saudade”, disse Renan Dal Zotto, atual comandante da seleção brasileira masculina da modalidade.
“Hoje é um dia realmente triste para a nossa modalidade. Suíço foi um jogador incrível e que encantava pelo jeito de jogar. Além disso, era uma pessoa querida por todos. Fica aqui nossos sentimentos a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele”, declarou Walter Pitombo Laranjeiras, presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).
