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Tiffany desabafa contra projeto de lei que visa vetar atletas transexuais em São Paulo: 'Pessoas ruins de coração'

A oposta Tiffany desabafou contra o projeto de lei que visa vetar a participação de atletas transexuais em competições oficiais no estado de São Paulo. Em entrevista ao GloboEsporte.com, a jogadora tratou como “perseguição” a elaboração da medida.

Criado pelo deputado Altair Moraes (PRB), o projeto de lei 346/2019 “estabelece o sexo biológico como o único critério para definição do gênero de competidores em partidas esportivas oficiais no Estado”, conforme o próprio texto da ementa. Se for aprovado, impedirá que atletas como Tiffany atuem em São Paulo.

A medida seria votada na última terça-feira, mas uma confusão entre os deputados presentes na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) resultou no adiamento da votação, provavelmente para a noite desta quarta.

“Estou acompanhando e estou preocupada. O que penso é que são todos transfóbicos, pessoas ruins de coração e que não entendem medicina. Inventam histórias, usam o nome de Deus em vão. Eles fazem isso pelo próprio ego. Não adianta mostrar documentos, dados, não adianta mostrar nada. São pessoas que querem derrubar as mulheres trans e as pessoas trans do Brasil. A gente já tem tão pouco, e o pouco que a gente tem eles querem tirar”, declarou Tiffany.

A jogadora de 35 anos, destaque nas últimas edições da Superliga Feminina de Vôlei, teria a carreira bastante prejudicada em caso de aprovação do projeto de lei. Afinal, atua pelo Sesi/Bauru - o que a impediria de jogar as partidas em casa – e em uma competição na qual seis equipes são paulistas. Assim, ela poderia atuar em somente 12 dos 22 jogos da fase de classificação.

Preocupada, Tiffany não poupou críticas aos apoiadores da iniciativa, inclusive a ex-jogadora Ana Paula, que, segundo ela, também teria participação na criação do projeto.

“É perseguição da Ana Paula, que está com eles fazendo toda essa palhaçada. É perseguição, porque não existe nenhum local no mundo em que os médicos comprovaram que temos vantagens físicas. Temos vantagem por ter talento, experiência. Não adianta, jogamos de igual para igual”, apontou.

Também em entrevista ao GloboEsporte.com, Ana Paula negou perseguição a Tiffany e a acusou de “narcisismo”. “Se é uma perseguição minha, é minha e de mais de 60 atletas olímpicas pelo mundo que enviaram uma carta ao Comitê Olímpico ano passado pedindo a revisão desta política. Eu sinto muito que a Tifanny tenha esse complexo narcisista, porque não é sobre ela.”

“Essa ‘inclusão’ de trans, homens biológicos para o esporte, significa a exclusão de mulheres e meninas. Atletas de todo o mundo se movem contra essa política injusta para o esporte feminino”, encerrou Ana Paula.