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Federer, Nadal ou Djokovic: por que final de Roland Garros reabre debate sobre melhor da história do tênis

A reação de Roger Federer nas redes sociais quando Rafael Nadal garantiu seu vigésimo título de Grand Slam no último domingo (11), em Roland Garros, igualando o recorde do próprio suíço, foi uma declaração memorável e sincera em homenagem ao espanhol como seu rival e amigo de longa data.

"É uma verdadeira honra para mim parabenizá-lo por seu 20° título de Grand Slam", Federer postou no Instagram. "É surpreendente que ele tenha vencido Roland Garros incríveis 13 vezes, o que é uma das maiores conquistas no esporte”.

Por sua vez, Nadal minimizou seu feito notável, dizendo depois da vitória: "Não é o momento, honestamente, de pensar sobre os 20 [títulos de Slam]. Para mim, hoje é apenas uma história sobre Roland Garros”.

De uma só vez, os dois ícones realizaram algo que nada e ninguém mais conseguiu por quase uma década e meia. Eles drenaram a animosidade de longa data dos torcedores em qualquer um dos campos da rivalidade "Fedal". Os ferozes guerrilheiros foram bons uns com os outros.

Porém, realisticamente, isso está tão sujeito a mudanças quanto qualquer trégua. Nem Federer nem Nadal indicaram que querem desistir enquanto estão à frente, e nenhum deles está ansioso para ver Novak Djokovic (campeão 17 vezes) alcançá-lo e talvez até mesmo superá-los.

"Espero que 20 seja apenas mais um passo na jornada para nós dois", escreveu Federer, sinalizando que há uma nova fase chegando na rivalidade.

Vejamos como o debate do melhor da história se desenvolve para cada um dos homens em ordem de idade:

Roger Federer

Idade: 39

Ranking: 4

Melhor torneio: Wimbledon (8 títulos em 21 aparições)

A conquista de Nadal está fadada a desencadear outro choque de ambição em Federer, menos por causa dos sentimentos de propriedade do suíço sobre o recorde do que por seu amor pelo jogo. Lembre-se do que aconteceu da última vez que Federer esteve em uma posição comparável, em 2017.

Federer estava voltando do que parecia ser um tempo fora do esporte que ameaçava sua carreira devido a uma lesão no joelho em 2016. Depois de perder para Milos Raonic nas semifinais de Wimbledon, Federer decidiu não jogar mais naquele ano. Os críticos achavam que ele poderia estar acabado, e por um bom motivo: Federer não ganhava um título na temporada pela primeira vez em 16 anos. Ele saiu do top-10 durante esse tempo longe das quadras. Federer venceu 17 Slams, mas já não vence um há quatro anos.

Em um retorno brilhante, Federer venceu dois, Australian Open e Wimbledon em 2017, e defendeu com sucesso o título em 2018. Ele descreveu a aposta que fez ao deixar o jogo como uma que revigorou sua carreira.

Federer fez referência ao retorno de 2017 em um tuite em junho para tranquilizar seus fãs.

"Trinta e nove não são mais o que costumavam ser, com certeza", disse Brad Gilbert, comentarista de tênis da ESPN. "Mas se o tênis voltar ao normal, Roger provavelmente não será o campeão do Australian Open em 21 porque jogou muito pouco no início deste ano. E isso pode significar problemas”.

Durante o hiato de 2016, Federer também melhorou ainda mais seu já notável backhand de uma mão. É difícil imaginá-lo fazendo uma mudança significativa durante esse intervalo, mas quem sabe? O detalhe inescapável é que se passaram mais quatro anos para um homem que parece já ter tido aquele pico final de carreira.

Federer não ganhou nenhum título importante desde aquela defesa bem-sucedida em Melbourne em 2018, mas seu desempenho na final de Wimbledon de 2019 é inesquecível - e ainda fresco. Ele foi derrotado depois de conseguir match points contra Djokovic na primeira final decidida por um tie-break no quinto set da história do torneio.

"Estamos em um território desconhecido, a maneira como os caras estão treinando e cuidando de si mesmos", disse Gilbert. "[Federer] não é um cara normal de 39 anos. A única coisa que estou confiante é que quando Federer voltar, ele será competitivo”.

A melhor chance de Federer de vencer um major será em Wimbledon, onde ele ainda será capaz de derrotar qualquer um devido ao seu estilo de jogo, com pontos mais curtos e a natureza das quadras de grama.

No quadro geral, Federer pode não acabar sendo o rei, mas pode muito bem acabar sendo um criador de reis.

Rafael Nadal

Idade: 34

Ranking: 2

Torneio mais produtivo: Roland Garros (13 títulos em 16 aparições)

Dado domínio de Nadal em Roland Garros, a maior ameaça para ele conseguir 21 ou mais títulos é seu histórico de lesões. Ele teve que pular oito Slams ao longo de sua carreira devido a lesões, sem contar dois abandonos e um walkover. Sua taxa de torneios perdidos excede em muito a de seus rivais: Djokovic perdeu apenas um Slam; Federer perdeu apenas dois porque estava fisicamente incapaz de competir.

No domingo, Nadal disse aos repórteres: "Eu adoraria terminar minha carreira sendo o jogador com mais Grand Slams. Sem dúvida". Mas ele reiterou que se recusou a passar os estágios finais de sua carreira olhando com inveja o desempenho dos outros. A atitude o serviu bem, mesmo quando seu corpo não.

A grande vantagem de Nadal na caça ao tesouro é sua experiência no saibro. Ele está 100-2 em sua carreira em Roland Garros, tendo vencido todas as suas 13 finais. A quarentena causado pela pandemia do coronavírus permitiu que ele descansasse e recuperasse sua saúde plena, e seu desempenho em Roland Garros demonstrou justamente isso.

"A final na França foi enorme", disse Gilbert. "Essa foi realmente a chance para os dois caras fazerem uma forte reivindicação sobre o status atual de melhor de todos os tempos. Nunca vi Rafa jogar uma partida melhor do que aquela. Ele encontrou uma marcha mais alta com seu forehand no último dia”.

Para Nadal no futuro, o US Open também é importante. Seu histórico é um tanto esquecido. Gilbert acredita que, em um ano normal, o US Open é o mais difícil de vencer. Nadal, que perdeu a oportunidade de defender seu título no US Open neste ano incomum, conquistou quatro títulos em Flushing Meadows, deixando-o um à frente de Djokovic e apenas um atrás dos únicos dois homens que ganharam cinco vezes no era aberta: Federer e Pete Sampras.

Mas, no fim do dia, não há aposta melhor no esporte do que: Rafael Nadal, campeão de Roland Garros.

Novak Djokovic

Idade: 33

Ranking: 1

Torneio mais produtivo: Australian Open (8 títulos em 16 aparições)

Ele é o mais jovem dos Big 3 e claramente tem o melhor desempenho geral nos Slams, mas também está atrás de seus rivais por três títulos, e as duas oportunidades que perdeu em 2020 podem lhe custar caro.

Djokovic foi desclassificado no US Open quando acertou um juiz de linha na garganta com uma bola que bateu com raiva depois de perder um ponto. Ele parecia pronto para torpedear Nadal em Roland Garros, mas seu rival espanhol o derrotou com uma facilidade até surpreendente. "Não vejo essa [derrota em Roland Garros] atrapalhando a carreira de Novak", disse Gilbert. "No mínimo, isso só vai motivá-lo a continuar. Ele pode estar chegando aos 33, mas é como se suas pernas fossem de um jovem de 25 anos”.

Djokovic rejeitou a ideia de que sua derrota para Nadal em Roland Garros foi um fracasso, dizendo aos repórteres: "Não acho que seja a maior partida que já joguei na minha vida. Acho que houve algumas maiores", disse ele, citando sua primeira vitória (sobre Nadal) em uma final de Wimbledon.

Com uma safra talentosa de jovens jogadores se aprimorando e se esforçando cada vez mais, Djokovic não está exatamente olhando para um mar de rosas na busca para superar seus rivais. Mas suas estatísticas de confronto direto contra Federer (27-23) e Nadal (29-27) devem melhorar à medida que ele os enfrenta em superfícies diferentes do saibro, e ele tem mais chances em mais Slams do que qualquer um de seus rivais.

A atitude desempenha um papel importante nas esperanças de Djokovic. Em maio, ele disse ao apresentador Graham Bensinger: "Acredito que posso vencer a maioria dos campeonatos e quebrar o recorde de ficar como número 1 do mundo por mais tempo. Esses são meus objetivos claros". Ele acrescentou mais tarde: "Não acredito em limites. Acho que os limites são apenas ilusões do seu ego ou da sua mente”. Seja como for, o forehand de Nadal no em Roland Garros não era uma ilusão e impediu Djokovic de se tornar o primeiro jogador da era aberta a vencer cada um dos Grand Slams duas vezes. Ele pode não ter outra boa chance de reivindicar aquele recorde novamente, dada a forma como as condições pareciam cair a seu favor com o adiamento de RG para outubro.

Mas com sua consistência em todas as superfícies, exceto no saibro, sua determinação em cumprir ambições e as pernas relativamente frescas, Djokovic pode estar na melhor posição de todas para ganhar a disputa contra Federer e Nadal.