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Como os protocolos contra a COVID-19 de Roland Garros diferem dos do US Open

O torneio de Roland Garros, que começa domingo em Paris, está funcionando como a maioria dos outros eventos esportivos sob estritos protocolos de saúde por causa da pandemia de coronavírus. Os organizadores do evento, que adiaram a competição de março para este domingo (27), esperam fazer história.

"Queremos que nosso torneio seja realmente notável e dê o exemplo", disse Jean-François Vilotte, diretor-geral da Federação Francesa de Tênis, em uma entrevista postada no site do torneio. "Ao dar o exemplo com o nosso torneio, esperamos provar que podemos colocar a economia de volta nos trilhos, embora nem seja preciso dizer que certas condições e certas restrições devem ser respeitadas”.

O único outro Grand Slam disputado desde a pandemia foi o US Open, em Nova York. Embora alguns dos protocolos adotados pela FFT pareçam familiares, se não idênticos, há uma grande diferença em sua abordagem em comparação com a Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA).

Os dirigentes do US Open planejaram seu evento para acontecer em uma bolha que, entre outras coisas, excluiu a participação de torcedores. Os franceses optaram por um risco calculado ao produzir um torneio mais "aberto".

Vamos comparar as duas abordagens nas principais áreas:

O plano para a torcida

Roland Garros: os organizadores do Aberto da França originalmente tinham um plano engenhoso para trazer cerca de 11.500 torcedores para o local, dividindo-os em três áreas separadas, a fim de obedecer ao limite de 5.000 pessoas nas partidas. Mas um pico no começo de setembro nos casos de COVID-19 forçou o torneio, em consulta com as autoridades de saúde, a reduzir o número máximo de espectadores para 1.000. A ideia da divisão por zonas foi descartada.

Os assentos em Roland Garros serão alocados de acordo com parâmetros de distanciamento social, com algumas cadeiras vazias separando os torcedores. Até quatro pessoas em um único grupo poderão sentar-se lado a lado. As vagas nas quadras externas estarão abertas, mas deverá haver pelo menos uma vaga entre os espectadores. Todos os maiores de 11 anos terão que usar uma máscara ou cobertura facial o tempo todo, e haverá desinfetante para as mãos em vários locais da arena.

US Open: a USTA decidiu que, como a cidade de Nova York ainda estava saindo de seus piores dias da pandemia, teria que criar uma bolha se quisesse obter a aprovação de autoridades locais e estaduais de saúde para sediar um evento esportivo. Permitir a entrada dos torcedores era a antítese da abordagem da bolha. Sem torcida, a USTA foi capaz de transformar todo o recinto do Billie Jean King National Tennis Center em uma zona segura e confortável para jogadores e funcionários essenciais.

Os eventos

Roland Garros: a FFT não quer nenhum asterisco anexado ao Slam, então os responsáveis pelo evento decidiram sediar todas as competições principais, incluindo eventos de qualificação, duplas, cadeira de rodas e juniores. Apenas as duplas mistas foram descartadas. Vai continuar sendo um torneio enorme.

US Open: os organizadores acreditavam que havia uma forte necessidade de limitar o número de pessoas dentro da bolha e, ao mesmo tempo, organizar um Grand Slam confiável apresentando os eventos principais. Eles se estabeleceram em 10 eventos, com simples e duplas para competidores masculinos, femininos e em cadeiras de rodas. Os eventos de qualificação, juniores e duplas mistas foram descartados.

Premiação

Roland Garros: o pagamento total em Roland Garros foi reduzido apenas 11% em relação ao do ano passado, para cerca de 44,3 milhões de euros. Mas, embora os profissionais de melhor desempenho ganhem menos, os profissionais mais necessitados nestes tempos difíceis serão beneficiados. Para fazer isso, a diferença no prêmio em dinheiro concedido aos vencedores dos torneios de simples foi drasticamente reduzida. Os campeões de simples vão ganhar cerca de 1,8 milhão de euros (abaixo dos $ 2,7 milhões do ano passado). Este ano, os tenistas que perderem na primeira rodada ganharão cerca de US $ 70.000, um aumento de 30% em relação a 2019.

US Open: a premiação total de US $ 53,4 milhões (EUA) representou uma redução de 6,7% em relação ao ano passado. O prêmio em dinheiro para os vencedores dos torneios simples masculinos e femininos teve o maior impacto, caindo 22% para US $ 3 milhões este ano. Os tenistas que forem eliminados na primeira rodada ganharão US $ 61.000, um aumento de US $ 3.000. Quem perder na primeira ou na segunda rodada do torneio de duplas também receberá um impulso financeiro modesto em relação ao ano anterior.

Qualificação

Roland Garros: os torneios qualificatórios estão sendo disputadas sem espectadores, principalmente por causa do distanciamento social, já que um grande número de jogadores começou a chegar ao local no início da semana para começar a treinar para o torneio.

Os organizadores intensificaram e aumentaram o prêmio da qualificação em 27%. Quem perder na primeira rodada agora levará para casa cerca de US $ 11.500, um aumento de 42% em relação ao ano passado. "Os jogadores que competem neste evento [de qualificação] são aqueles que foram os mais afetados pela crise do COVID-19, financeiramente falando", disseram funcionários da FFT em um comunicado à imprensa.

US Open: autoridades do estado de Nova York determinaram que o torneio não poderia ter um evento de qualificação separado, devido a preocupações relacionadas à pandemia e à integridade da bolha. Em vez disso, as 16 vagas tradicionalmente reservadas para os torneios qualificatórios foram preenchidas pelos próximos na fila de entrada com base no ranking.

Testes em jogadores e protocolos

Roland Garros: após a chegada a Paris, os jogadores (bem como outras equipes relacionadas ao torneio) tiveram que ser testados para COVID-19, com um segundo teste sendo conduzido 72 horas depois. Se negativo, os profissionais serão posteriormente testados em "intervalos regulares". Os jogadores também estavam restritos a ficar em um dos dois hotéis oficiais do torneio, mas não havia restrição anunciada sobre seus movimentos fora do local.

A decisão de manter os jogadores em hotéis durante o período foi preocupante para Serena Williams, que possui um apartamento em Paris. "Sou muito conservadora porque tenho alguns problemas graves de saúde, então tento ficar longe de lugares públicos", disse Williams durante o US Open. "Já estive em posições muito ruins no hospital, e não quero passar por aquilo de novo”.

Os competidores só serão permitidos no local em Roland Garros nos dias em que houver partidas agendadas. Nos dias alternados, os profissionais só terão permissão para entrar no centro de treinamento Jean-Bouin, uma instalação usada principalmente para rúgbi, que será configurado para atender às necessidades dos jogadores, com áreas de treino, áreas de relaxamento e serviços de alimentação. Os jogadores serão obrigados a usar máscaras ou coberturas faciais quando não estiverem treinando ou jogando.

US Open: a bolha descartou em grande parte a liberdade de movimento que os jogadores na França terão, mas também reduziu muito o risco de infecção ou transmissão. O US Open foi pensado como um local único para treinar, jogar, jantar e relaxar. Grande parte do National Tennis Center foi convertido em um gigante lounge ao ar livre, então os jogadores tinham a opção de passar o dia inteiro lá. Os jogadores também eram obrigados a usar máscara em todos os momentos quando não estavam treinando ou competindo.

Sem torcedores no local, a atmosfera era extremamente tranquila. Os jogadores que quisessem ficar em casas particulares podiam, com algumas restrições e condições severas que garantiam que eles não violassem os protocolos e regras da bolha. A maioria ficou nos dois hotéis próximos ao local. Viagens para Manhattan estavam fora de cogitação para todos os jogadores, independentemente de onde eles estivessem alocados.

Protocolos de segurança durante as partidas

Roland Garros: haverá limpeza sistemática de todas as superfícies de contato ao redor do local, juntamente com várias estações de desinfetante para as mãos ao redor do local. Boleiros, juízes de linha e árbitros de cadeira usarão máscaras. Nenhuma toalha vai ser passada de mãos em mãos. Caberá aos jogadores recuperar e usar suas toalhas enquanto respeitam a regra de 25 segundos (e o relógio) que determina que o jogo seja retomado.

US Open: nos Estados Unidos, o torneio tinha restrições semelhantes. A regra da toalha irritou alguns jogadores, que sentiram que não podiam usar suas toalhas sem se sentirem apressados.

Mudanças de infraestrutura

Roland Garros: a Court Philippe Chatrier, principal arena do torneio, estava passando por grandes reformas, incluindo a adição de um telhado e luzes para jogos noturnos, quando a pandemia adiou o torneio. A reforma agora está concluída. Doze quadras também foram equipadas com holofotes. Embora não haja sessões noturnas planejadas até o torneio do ano que vem, as luzes podem ser úteis quando se trata de terminar as partidas no fim da tarde, ou até mesmo dentro do estádio se o tempo mudar.

US Open: a USTA não fez mudanças estruturais significativas nos últimos 13 meses. O National Tennis Center é maior que Roland Garros, e o Slam americano tem uma longa história de jogos noturnos. Mesmo com restrições relacionadas à saúde e ao distanciamento social, não houve pressão sobre os organizadores. O torneio dispensou o uso do Grandstand Stadium (capacidade: 8.215) que foi inaugurado em 2016, permitindo que fosse usado no Western & Southern Open do "double in the bubble".