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Ele foi o 1º a ganhar de Nadal em Roland Garros; agora conta o drama de ter parado aos 27 por doença grave

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Nadal improvisa 'quadra' de tênis na varanda e joga partida com sua irmã para seguir em forma (0:35)

Apesar dos treinos, atleta ainda não sabe quando o circuito da modalidade voltará ao normal - vídeo original em @rafaelnadal (0:35)

Talvez você não conheça o sueco Robin Soderling, mas ele certamente conta com um grande feito no tênis: superar Rafael Nadal em Roland Garros.

A façanha aconteceu em 31 de maio de 2009. Na ocasião, Soderling era o número 25 do ranking da ATP e venceu o espanhol, que vinha de quatro títulos consecutivos no Grand Slam, por 3 sets a 1 em duelo pelas oitavas de final. Foi a primeira vez que Nadal perdeu em Roland Garros. Ele só voltaria a ser derrotado uma única vez na competição até hoje, contra Novak Djokovic, em 2015.

Poderia ser o indício de uma trajetória promissora nas quadras para Soderling. Naquela edição, o sueco chegou à final e acabou derrotado por Roger Federer. Ele alcançaria a decisão de Roland Garros novamente no ano seguinte para reencontrar Nadal - dessa vez, com vitória por 3 sets a 0 do espanhol.

Mas as histórias ficaram pelo caminho.

Isso porque Soderling foi obrigado a anunciar aposentadoria das quadras precocemente em 2015 aos 31 anos. A sua última partida havia sido ainda mais cedo, quando tinha 27. O motivo: uma mononucleose.

Quase cinco anos depois, Soderling falou do drama vivido na tentativa de superar a grave doença e a difícil decisão de deixar as quadras.

"Me aposentar foi uma decisão extremamente difícil. Joguei minha última partida com apenas 27 anos. Ainda restavam muitos anos de tênis e vivia meu melhor momento da carreira quando tive a mononucleose. Me diagnosticaram que estaria estressado, cansado e esgotado. Apesar disso segui jogando, mas ficava doente todo momento pois meu sistema imunológico estava debilitado. Dentro da minha mente sabia que algo não estava bem. Sinto que a combinação dos treinos com meu sistema imunológico ruim me afetou", disse o ex-tenista em entrevista ao Behind the Racquet.

"Queria treinar aumentando a intensidade e depois os sintomas voltavam. Me senti cansado e a febre voltou. Isso aconteceu comigo por vários anos e foi frustrante. Tentei voltar por três anos, mas sem sucesso. Eu aceitei que nunca poderia voltar. Quando tomei a decisão final de parar, foi difícil, mas também foi um alívio", acrescentou.

O tenista ainda falou que gostaria de ter tomado algumas decisões diferentes durante a carreira.

"Há momentos que culpo a mim mesmo. Desejaria poder dar um passo atrás e não levar as coisas tão a sério. Vivia numa bolha onde tudo era tênis. Agora vejo como só um esporte (...) Olho para trás e desejaria ter pensado em algo a mais além do tênis. Desejaria ter estudado com 20, 21 anos, quando comecei a pensar no que faria quando deixasse o tênis. As carreiras não são longas e o final chega mais rápido do que se acredita. Ter algo para pensar fora te tira um pouco a pressão", destacou.

Soderling relembrou também a vitória em cima de Nadal.

"As pessoas sempre falam sobre quando eu venci Rafa Nadal em Roland Garros em 2009. Claro que foi fantástico. Ninguém no mundo esperava que eu vencesse a partida."

"Naquela época, eu não percebia o quão grande era aquilo. Lembro-me de voltar para o vestiário e recebi quase 350 mensagens. Percebi que havia conseguido algo ótimo. Agradeço o apoio que recebi naquele dia e continuo recebendo por vencer essa partida, mas a grande história é a de Nadal. Nunca veremos alguém capaz de vencer 12 Grand Slams (em Roland Garros) novamente", finalizou.