Apelidado de ‘Happy Slam’ por tenistas e torcedores, o Australian Open de 2020 dá sua largada em meio a polêmicas envolvendo a grave crise ambiental na Austrália. Queimadas por todo o país prejudicam o ar e colocam em xeque a saúde dos atletas que disputarão o Grand Slam a partir de 19 de janeiro.
No âmbito esportivo, recordes estão em disputa e uma ‘nova era’ pode se iniciar justamente a partir desta temporada. Serena Williams conseguirá o 24º Slam? Quem poderá destronar o Big 3 no masculino?
A partir do dia 20 de janeiro, o Australian Open dá as caras nos canais ESPN e no WatchESPN. E o ESPN.com.br traz o que de melhor (e pior) pode-se esperar do primeiro Grand Slam da temporada, que chega com muito mais incerteza do que respostas.

O Fogo
A Austrália vive um dos piores incêndios de sua história. Desde o ano passado, as chamas estão destruindo florestas e parques nacionais – até agora, seguem arruinando a flora e fauna australianas. Segundo autoridades locais, as temperaturas seguirão elevadas, com muita fumaça e seca afetando os habitantes do país.
Durante o Qualifying, alguns tenistas reclamaram de dificuldade para respirar. A eslovena Dalila Jakupovic, por exemplo, precisou abandonar a partida, após um ataque de tosse. Para se ter uma dimensão da gravidade do problema, autoridades pediram para que os habitantes ficassem dentro de suas casas, com janelas e portas fechadas.
A poucos dias do início do Australian Open, estrelas do torneio, como Djokovic, Federer, Nadal e Serena, participaram de exibição que arrecadou US$ 4,8 milhões (R$ 20 milhões) destinados às organizações que ajudam com a recuperação do país.
Chave Masculina
Será que, enfim, chegou a hora da passagem de bastão? Como afirmou Novak Djokovic em entrevista, o Big 3 tem a missão de adiar ao máximo a mudança de reinado no tênis. Mas a next gen está se aproximando do topo cada vez mais rápido.
O sérvio, verdade seja dita, ainda é o grande favorito a levantar o título na Austrália, inclusive nas casas de apostas. Djoko já tem um troféu na temporada, a ATP Cup, nova competição por equipes do circuito, onde bateu Nadal e mostrou um tênis consistente.
Número 1 do mundo, o espanhol sofreu com as temperaturas elevadas e teve campanha de altos e baixos. Com 19 Grand Slams, Nadal está a apenas uma conquista de igualar o recorde de Federer. O título na Austrália também faria dele o terceiro na história a vencer cada Major ao menos duas vezes (Roy Emerson e Rod Laver são os outros).
As apostas
Após perder a final do US Open em 2018 para Nadal, Daniil Medvedev tem tudo para ‘bagunçar’ a chave. O russo fará uma possível revanche contra Rafa nas quartas de final. Isso se o Touro Miúra superar outra pedreira na fase anterior: Dominic Thiem.
O austríaco é o mais velho da nova geração. Aos 26 anos e com duas finais de Roland Garros no currículo, mantém o jogo agressivo sempre muito perigoso para o top 3. Outro que pode se vangloriar de já ter vencidos os três melhores do mundo é o grego Stefanos Tsitsipas. Campeão do ATP Finals no ano passado, pode chegar longe caso mantenha a cabeça no lugar.
Por falar em cabeça no lugar… Alexander Zverev seria uma boa aposta na Austrália. Seria. Isso porque o alemão de 21 anos começou a temporada terrivelmente mal. Descontrolado emocionalmente, perdeu os três jogos na primeira fase da ATP Cup.
E Roger? Após descansar neste começo de ano, Federer não pode reclamar de uma chave difícil no início do torneio. O problema pode chegar nas semifinais, quando o suíço possivelmente encontrará o atual campeão Djokovic.
Chave Feminina
Serena Williams bateu na trave nas últimas quatro finais de Grand Slam. Neste Australian Open, a norte-americana terá mais uma chance de igualar o recorde histórico de Margaret Court, que detém 24 troféus de majors.
Mas são muitas as interessadas em estragar a festa da multicampeã. Ashleigh Barty, atual número 1 do mundo, joga diante de sua torcida em busca de seu segundo título de Grand Slam (venceu Roland Garros em 2019).
Do outro lado da chave, Karolina Pliskova chega confiante. A número 2 do ranking foi campeã em Brisbane, batendo Naomi Osaka e Madison Keys pelo caminho, e vem com bom ritmo de jogo.
Por falar em Osaka, a japonesa, atual campeã do torneio, caiu de produção após seu título em Melbourne no ano passado. E se quiser reviver as glórias na Austrália, terá de encarar Serena Williams em uma provável quartas de final do torneio.
Um confronto interessante também marca a primeira rodada do Major: Coco Gauff, de 15 anos, reencontra a compatriota Venus Williams, de 39, em um duelo de gerações. Em Wimbledon do ano passado, a adolescente bateu a sete vezes campeã de Grand Slams em um jogaço.
O Adeus de uma Campeã
Outra história que vale a pena ser acompanhada é a de Caroline Wozniacki. No início do último dezembro, a dinamarquesa de 29 anos anunciou de forma surpreendente que vai se aposentar logo após a disputa do Australian Open. A ex-número 1 do mundo conquistou seu único título de Grand Slam justamente em Melbourne, em 2018.

Wozniacki estreia contra a norte-americana Kristie Ahn e pode ter um confronto épico na fase oitavas de final contra a amiga Serena Williams, com quem acaba de ser vice campeã do torneio de Auckland, nas duplas. Dona de 30 títulos de WTA, a tenista sofre de artrite reumatoide e quer se dedicar à causa após se aposentar.
Homenagem polêmica
O Australian Open também reserva uma homenagem à lenda Margaret Court pelos 50 anos de sua temporada perfeita (venceu os quatro Grand Slams na mesma temporada).
Com polêmicas envolvendo seu posicionamento contrário à comunidade LGBT, Court já foi criticada por ex-tenistas, e o ato de reverência é questionado por torcedores. A ex-tenista, que empresta o nome à quadra 2 do complexo de Melbourne, não comparece ao Australian Open desde 2017 devido à controvérsia, mas retornará para a homenagem.
Ausências Importantes
Se o Australian Open de 2020 chega repleto de estrelas, também é verdade que alguns grandes nomes ficarão fora da disputa do primeiro Grand Slam do ano.
Andy Murray anunciou sua desistência do torneio em dezembro. Mas o fã do britânico pode ficar um pouco mais tranquilo, pois não se trata de um novo problema no quadril, lesão que fez com que Murray cogitasse aposentadoria das quadras no início de 2019. Desta vez, o tenista não conseguiu se recuperar de uma dor na região pélvica, sofrida ainda na Copa Davis do ano passado.
Kei Nishikori é mais uma ausência sentida. O japonês, atual 17 do mundo, possui uma lesão no cotovelo direito que o atormenta desde o US Open de 2019.
Juan Martin Del Potro vem sofrendo com muitas lesões ao longo de sua carreira. O argentino está sem jogar desde junho de 2019, por conta de um problema no joelho direito que ainda o incomoda.
Bianca Andreescu é a principal ausência entre as mulheres. A canadense de 19 anos é a atual campeã do US Open e número 6 do mundo. Com uma lesão no joelho esquerdo, sofrida no WTA Finals em outubro do ano passado, a tenista não estará em Melbourne.
Análise ESPN
O Brasil na Austrália
Thiago Monteiro é o único representante do país nas chaves principais (masculina e feminina) do Australian Open. O cearense de 25 anos é o atual número 85 do ranking e terá um gigante (literalmente) pela frente na primeira rodada do Major: O norte-americano John Isner, de 2,06m de altura, é o adversário do brasileiro. Este será o primeiro confronto entre eles na ATP.
Os jovens Thiago Wild e João Menezes disputaram a fase qualificatória do Grand Slam, mas acabaram eliminados na primeira rodada. O mesmo aconteceu com Gabriela Cé, no feminino.
Já nas duplas, o Brasil está representado por Marcelo Melo, Bruno Soares e Marcelo Demoliner. Melo segue ao lado do polonês Lukasz Kubot e busca o primeiro título do Major. Já Bruno Soares, campeão na Austrália em 2016 junto de Jamie Murray, trocou de parceiro em 2019 e disputará a competição ao lado do croata Mate Pavić. Marcelo Demoliner une forças com o holandês Matwé Middelkoop.
Cardápio
Além dos grandes jogos, o Australian Open também é conhecido por alimentar muito bem seus telespectadores. E muito bem mesmo!
O cardápio conta com hambúrgueres, açaí, massas, pizza, carnes, tacos e muito mais.
Um dos destaques é o Royale Brothers, considerado uma das melhores casas de hambúrguer da Austrália.
Lembranças da Austrália
Ver o primeiro Grand Slam da temporada de perto merece uma lembrança. E as lojinhas do complexo capricharam. É possível comprar artigos para jogar tênis, diferentes tipos de pelúcia e muitas coisas legais.

Quanto vale o show?
Para ver as grandes estrelas do tênis em ação, o torcedor poderá desembolsar desde 62 dólares australianos (equivalente a R$ 178) para entrar em uma sessão diurna da quadra Margaret Court, a segunda em tamanho de todo o complexo, até inacreditáveis 27.500 dólares australianos (R$ 78.954) para ficar no lugar mais perto da Rod Laver Arena durante a final masculina no dia 2 de fevereiro. É pouco ou quer mais?
E a grana…?
A Federação Australiana de Tênis anunciou que a premiação total no Australian Open aumentou para a edição de 2020. Ao todo, serão distribuídos 71 milhões de dólares australianos, o que representa 13% a mais do que a premiação de 2019. Em reais, o valor ultrapassa os R$ 200 milhões!
Somente os campeões de simples, do masculino e feminino, receberão cerca de R$ 11,7 milhões. Apesar da bolada, o Grand Slam de Melbourne não superou as cifras do último US Open, que distribuiu US$ 57 milhões (R$ 238 milhões) aos participantes.
