João Fonseca admite que 'legado de Guga' pesa em Roland Garros e revela o que o impressionou: 'Loucura'

play
João Fonseca é sincero ao analisar desempenho em Roland Garros: 'Não estou feliz' (0:50)

Brasileiro desbancou o francês Luka Pavlovic em três sets (0:50)

João Fonseca explicou neste domingo um dos motivos que fizeram sua estreia em Roland Garros ser carregada de tensão. Após vencer o francês Luka Pavlovic por 3 sets a 0, o brasileiro admitiu que a história construída pelos tenistas brasileiros no Grand Slam francês, especialmente o legado deixado por Gustavo Kuerten, aumenta naturalmente o peso emocional de atuar em Paris.

Atual número 30 do ranking da ATP e cabeça de chave do torneio pela primeira vez na carreira, João reconheceu que entrar em quadra em Roland Garros provoca uma sensação diferente para qualquer brasileiro.

“Jogar aqui sempre é difícil, especialmente com a história que nós, brasileiros, temos, pelo torneio que é. É sempre um prazer estar aqui. É só o meu segundo Aberto da França como profissional”, afirmou.

Sem citar diretamente Guga, Fonseca fez referência ao legado do tricampeão de Roland Garros, títulos conquistados em 1997, 2000 e 2001.

João também apontou outros fatores que aumentaram a pressão da estreia: enfrentar um francês vindo do qualifying, já adaptado às condições do torneio e empurrado pela torcida local.

“Primeira rodada é sempre mais tensa, ainda mais jogando com um jogador da casa, que veio do quali e está mais quente. Eu precisava bastante dessa partida”, disse.

Apesar da vitória em sets diretos, o brasileiro admitiu que esteve abaixo do nível que considera ideal tecnicamente, mas valorizou a forma como conseguiu competir mentalmente ao longo do confronto.

“Não estou feliz com meu nível hoje, mas feliz com a minha performance, com a forma que eu lutei e mantive a cabeça firme. Mesmo jogando um nível abaixo, estive jogando 100% daquele nível. Foi o que eu tentei fazer hoje”, explicou.

Fonseca também comentou o momento mais delicado da partida, ainda no primeiro set, quando Pavlovic teve um set point antes do brasileiro reagir e vencer no tie-break.

“Os nervos estavam à flor da pele, mas consegui lidar. Acho que depois dele ter um set point para fazer o primeiro set, ele deu uma baixada na energia e eu me motivei um pouco mais”, analisou.

Na visão do brasileiro, o estilo de jogo do francês também contribuiu para tornar a partida desconfortável, especialmente pelas constantes mudanças de ritmo durante os pontos.

“Ele tem muito bom saque, confia muito nos drops e na subida para a rede. É um jogo que fica um pouco sem ritmo mesmo. Tentei sacar bem, fazer a primeira bola boa e, dentro do possível, colocar pressão nele nas devoluções”, comentou.

Segundo João, a tranquilidade começou a aparecer somente a partir do segundo set, quando conseguiu se adaptar melhor ao jogo do adversário e passou a atuar de forma mais solta.

“Fui esperando minhas oportunidades. Quando consegui no segundo set, fui me soltando mais e jogando mais solto. Mas, como eu disse, ainda não estou feliz com meu nível, só com a performance”, reforçou.

Outro ponto que chamou a atenção do brasileiro foi o apoio recebido das arquibancadas. Mesmo atuando diante de um francês em Paris, João se impressionou com a quantidade de brasileiros presentes na quadra.

“É uma loucura que mesmo estando na França e jogando contra um francês tinha muita gente me apoiando. Vi várias bandeiras, várias camisas. Muito obrigado a todos que vieram e deixaram essa torcida viva”, afirmou.

Agora, João Fonseca volta à quadra em busca de uma vaga na terceira rodada de Roland Garros. O próximo adversário será o croata Dino Prizmic, atual número 71 do mundo.