A grande sensação do tênis mundial está de volta! João Fonseca retorna ao circuito nesta quinta-feira (24) por volta das 10h (de Brasília), pela 1ª rodada do Madrid Open, torneio que tem transmissão ao vivo do Disney+.
Quarta partida do dia na "Caja Mágica", principal quadra do complexo em Madri, esse será o primeiro duelo no circuito profissional entre o brasileiro de 18 anos e o tenista dinamarquês Elmer Moller, que furou o qualificatório.
A estreia na capital da Espanha também também será o primeiro jogo do carioca desde o final de março, quando chegou até a 3ª rodada do Miami Open. Após isso, Fonseca decidiu tirar alguns dias de férias para recarregar as energias.
"Junto com meus treinadores, a gente decidiu parar uma semana e ficamos de férias. A gente começou o ano desde o Next Gen ATP Finals (realizado em dezembro de 2024), então, bem antes dos demais tenistas do top 100.", contou João Fonseca em entrevista exclusiva à ESPN em Madri.
"Estamos jogando há muito tempo e ganhando muitos jogos, graças a Deus. Joguei muitas partidas em pouco tempo, fomos campeões do Next Gen, em Camberra, Buenos Aires e Phoenix. A gente estava precisando de um momento para refletir sobre tudo o que aconteceu e acalmar um pouco".
Desde dezembro do ano passado, João disputou uma verdadeira maratona de campeonatos e colecionou troféus, desde o torneio que reúne os oito melhores tenistas da temporada com menos de 22 anos até seu primeiro título de ATP na Argentina (também ganhou mais dois Challengers).
A parada após os Masters 1000 da primavera dos Estados Unidos, disputados em quadras duras, foi bem estratégica.
"Então, a gente pensou que depois de Miami, com a mudança de superfície, era um bom momento. Paramos uma semana e depois treinamos mais duas no saibro. Foi bom para minha cabeça e para ficar em casa um pouco. Assim vamos com tudo nessa gira de saibro que vai ser bem legal".
João está pronto para voltar a ação em Madri, justamente na cidade em que disputou e ganhou sua primeira partida de Masters 1000 da carreira - 2ª categoria mais importante do circuito do tênis, atrás apenas dos quatro Grand Slams.
No ano passado, o tenista brasileiro, então com 17 anos, venceu Alex Michelsen, um jovem americano que já estava no top 100. Na época, João era o nº 242 do ranking mundial e recebeu um convite da organização. Agora, como 65º do mundo, entrou direto na chave principal pela sua classificação.
"Muita coisa mudou. Depois do Next Gen, mudou bastante. Depois da Austrália, deu o boom todo. Feliz com tudo o que está acontecendo, feliz com que eu mudei, de mentalidade e físico. É um João muito mais evoluído. Estou feliz com tudo o que mudou e feliz que eu estou de volta em Madri".
O boom na Austrália citado por João pode ser traduzido como sua primeira vitória na chave principal de um Grand Slam, logo em sua primeira participação, contra o top 10 Andrey Rublev na 1ª rodada do Australian Open.
Essa campanha foi definitiva para atrair os holofotes do mundo inteiro para o adolescente carioca, que ainda não percebe o impacto que está causando no tênis brasileiro.
"Eu tenho noção da admiração, dá para ver pela torcida nos jogos. O tamanho (do impacto) eu não vejo tanto porque eu não fico muito no Rio ou na rua. Muita gente fala que está muito diferente. Eu digo que muita coisa mudou porque as pessoas agora me conhecem, mas eu não mudei, ainda sou o mesmo João, um menino trabalhador".
João pode não mudado, mas está movimentando o cenário esportivo no Brasil. Nessas últimas semanas, ele abriu sua preparação no Rio de Janeiro para outros tenistas brasileiros.
"Foi algo que o meu treinador (Guilherme Teixeira) pensou. É uma união dos jogadores brasileiros. Fiquei uma ou duas semanas com o Zé Pereira, que está tentando fazer seu último ano como profissional. Eu tenho uma admiração enorme por ele, muito trabalhador. Eu fiz alguns treinos com o Thiago Monteiro antes de ele ir para os Challengers. É um grande amigo meu".
Monteiro também está em Madri, mas acabou derrotado na rodada final do qualificatório, fazendo com que Fonseca seja o único brasileiro na chave principal do Masters 1000. Se João era tratado como promessa, já dá para chamá-lo de realidade. Enquanto isso, ele já trabalha com uma nova geração de tenistas, como Luis Guto Miguel de 16 anos.
"O Guto Miguel eu não conhecia tão bem, mas tem um grande futuro pela frente. O que a gente pensou era uma união dos jogadores brasileiro. O Gui (técnico) está tentando criar um lugar com mais jogadores profissionais. A gente tem a Yes, que é a minha academia, e tem a Tennis Route no Rio que a gente tenta fazer alguns treinos juntos. A gente quer trazer tenistas de outros lugares e estados, como o Zé e o Guto para realizar esses treinos."
Se João Fonseca tem planos para o futuro, ele também tem o seu sonho bem na ponta da língua assim como o caminho para alcançá-lo.
"Eu sigo com o mesmo sonho de ser número um. Agora, é seguir humilde, com pessoas do bem ao meu redor e junto com a minha família. Isso é o mais importante. Quero fazer o Brasil feliz e isso é o sonho de qualquer brasileiro", completou.
