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Brasileiro campeão de torneio interrompido por 'confusão' no Congo relata susto: 'Pareciam bombas de gás'

O tenista russo Ivan Denisov se preparava para sacar quando uma gritaria, fora da quadra, e um forte barulho de bombas e tiros interromperam o silêncio costumeiro de um jogo de tênis.

Do outro lado da rede, o holandês Guy den Ouden deixou a posição de devolução e foi para o canto da quadra, oposto ao da confusão, que vinha da rua ao lado. A câmera de transmissão flagrou a correria e objetos explodindo, além de muita fumaça nos arredores da quadra. A cena, que poderia ser de um filme de ação, ocorreu na semana passada na 1ª rodada do Challenger de Brazzaville, capital do Congo, país da África.

O torneio, que pertence ao segundo escalão do tênis profissional (abaixo dos ATPs) e tem uma premiação total de 60 mil dólares, é um dos poucos disputados na África e prosseguiu normalmente mesmo após essa assustadora interrupção. O jogo entre Denisov e Den Ouden, por exemplo, foi retomado no mesmo dia e acabou com uma vitória para o holandês. Em nota, a organização do Challenger apenas informou que a paralisação aconteceu por conta de um exercício de rotina de uma academia de polícia próxima ao clube.

Após a vitória e o susto, Den Ouden foi eliminado na segunda rodada pelo brasileiro Paulo Saraiva, tenista de 24 anos que alcançou em Brazzaville seu melhor resultado na carreira. O brasiliense chegou até as quartas de final na chave de simples e foi campeão nas duplas ao lado do compatriota Mateo Reys.

Tranquilo e feliz pelo excelente resultado, Paulo Saraiva contou em entrevista exclusiva à ESPN como foi essa confusão que interrompeu o Challenger de Brazzaville.

“No primeiro momento foi estranho. Eu estava no clube porque estava assistindo ao jogo do Mateo (parceiro de duplas) ao lado da mãe dele. Do nada, começou assim, umas bombas de gás lacrimogêneo ou algo assim".

Apesar do barulho, Paulo e os torcedores permaneceram calmos, mas logo perceberam que a partida precisaria ser interrompida.

“No primeiro momento, como a confusão estava lá fora, eu fiquei tipo 'beleza, uma hora vai parar e a gente vai continuar aqui no jogo tranquilo'. Aí, no nada, o nariz começou a queimar muito e iniciou uma correria dentro do clube. Árbitros, boleiros e muitas pessoas correndo. Então, dois seguranças me chamaram e me colocaram dentro da sala de jogadores, e eles ficaram lá na porta".

Dentro da sala, os atletas por conta própria puxaram no vídeo e viram as imagens do lado de fora da quadra, com a confusão e a polícia. Eles acharam tudo isso muito estranho. Porém, as partidas foram retomadas no mesmo dia minutos depois.

“Eu perguntei se estava tudo bem ou se eu precisava ir para o hotel, mas como os jogos voltaram, eu fiquei no clube para dar força para o meu parceiro (Mateo). Durante a semana não aconteceu mais nada em relação a isso e a organização assegurou que estava tudo certo. Depois, até o final do torneio, tudo rolou bem".

Mesmo com esse susto, Paulo teve uma semana muito positiva. Com o resultado, subiu 80 posições no ranking de simples, ocupando a 738ª posição, e 13 colocações na de duplas, chegando ao 217º lugar.

O tenista de 24 anos está acostumando a enfrentar os desafios dos torneios menores e longe dos holofotes. O susto em Brazzaville não foi nem o maior que ele já presenciou no circuito.

“Uma vez no Equador, eu não estava nas quadra, mas falaram que uma pessoa matou outra na frente do clube. Após os tiros, as pessoas voltaram correndo para dentro do clube. Eu também não vi nada e nem pesquisei nada, só fiquei dentro do clube">

“Nos outros dias, a gente ouvia muitos comentários desse ocorrido, mas nada que atrapalhasse o torneio. Foi mais um susto mesmo e ficamos ouvindo uma pessoa contar para a outra desse ocorrido".