João Fonseca volta a pisar no saibro sul-americano nesta terça-feira (11). Destaque do tênis brasileiro após a campanha no Australian Open, o número 99 do mundo estreia no ATP 250 de Buenos Aires contra Tomás Etcheverry, em partida com transmissão ao vivo do Disney+.
Em algum canto, o carioca terá a torcida especial de quem o viu "nascer" dentro das quadras. Juan Pablo Etchecoin treinou João Fonseca quando ele ainda era uma criança e despontava para o esporte. A idade era pouca, mas não impediu de ver traços do jogador que ele se tornaria mais tarde.

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"João era um menino que tinha um potência de golpes muito grande. Isso surpreendia. Eu conseguia bater bola com ele, mesmo com 9 anos", contou o treinador, em entrevista exclusiva à ESPN. "Ele batia bola com os sócios mais velhos".
Um dos oponentes mais velhos enfrentado por Fonseca foi o filho de Juan Pablo, Paulo, que acabou servindo de parâmetro para o sucesso do garoto. Caso a partida fosse equilibrada e pendesse a favor de João, era sinal de que a promessa estava pronta para outro nível de desafio.
Os resultados, claro, eram importantes, mas João Fonseca mostrava algo além. Seu antigo técnico lembra como se fosse hoje os golpes "pesados" que o aluno tinha e que sinalizavam um futuro de sucesso, ainda que parecesse precoce olhar para um menino de nove anos e projetar toda sua carreira.
"O que ele tinha de diferente era a potência de golpes, um forehand muito pesado. Era um menino que não tinha medo; em momentos de pressão, ele metia a mão na bola. Se destacava na categoria, mas não era o top dos tops, então perdia para meninos mais regulares. Ele gostava de bater na bola, essa agressividade que você vê hoje, ele já tinha, de bater na bola e já chamava atenção", analisou Juan Pablo.
Muita coisa mudou desde que os dois pararam de trabalhar juntos. Coisas que o ex-técnico consegue perceber facilmente ao ver o antigo pupilo nos torneios profissionais.
"O Guilherme Teixeira [técnico de João Fonseca] fez um trabalho excepcional. O forehand já era bom, ficou melhor. O backhand não era tão bom e melhorou muito. O saque não é isso que é hoje. Taticamente, ele aprendeu a jogar", elogiou.
"Uma das grandes características é que o João evolui a cada semana. Ele perde um jogo e na próxima semana, ele já melhorou. Como ele não se preocupa com vitórias, ele se preocupa em melhorar".
Toda essa receita é o natural caminho de quem tem capacidade e potencial para ir longe no circuito. Entre o fim de 2024 e o início do Australian Open, João Fonseca embalou 14 vitórias seguidas e passou nove jogos sem perder sequer um set.
Tais resultados fizeram o brasileiro entrar no top 100 do ranking da ATP. O próximo passo é bem claro: consolidar a ascensão e galgar melhores lugares. A estreia em Buenos Aires é uma oportunidade, tal qual o Rio Open, também no saibro e com a "vantagem" de ser em casa.
Até onde João Fonseca pode chegar? Em um país sedento por alguém que repita o que Gustavo Kuerten fez há 25 anos, de ganhar títulos de Grand Slams e ser o número 1, quem conhece a nova joia do tênis tem confiança de que ele está pronto para o desafio.
"O João está completo. Claro, falta evoluir algumas coisas. Ele já mostrou que pode ganhar de top 10. Está preparado e as atitudes dele são sensacionais, tem atitude de top 100, top 10 e top 3. Se você tem saque bom e direita boa, mas não tem atitude, não adianta nada. Ele respeita o adversário, mas fala que vai ganhar dele".
