Despertadores acionados e café passado? Os fãs de tênis mal estão recuperados das festas de fim de ano e se preparam para virar a madrugada de olho no Australian Open, torneio com transmissão de todas as quadras pela ESPN no Disney+ Premium.
O primeiro dos quatro Grand Slams da temporada será disputado nas quadras duras do Melbourne Park, começando na noite deste sábado (11), às 21h (horário de Brasília). As finais estão programadas para o fim de semana dos dias 24 e 25 de janeiro.

(Conteúdo oferecido por Itaú, Mitsubishi, Seara, Ademicon, Engie e Philco)
Disputado desde 1905, o Australian Open promete fortes emoções novamente. O maior campeão do torneio, Novak Djokovic, dono de 10 títulos, chega com uma novidade: Andy Murray, antigo rival nas quadras e que agora atuará a seu lado, como técnico. Além do sérvio, Jannik Sinner, campeão em 2024, e Carlos Alcaraz, em busca do Career Grand Slam, são as principais estrelas do masculino.
Na chave feminina, Aryna Sabalenka é o nome a ser batido. Atual bicampeã do Aberto da Austrália e líder do ranking mundial, a bielorrussa chega embalada pelo primeiro título de 2025, o WTA 500 de Brisbane. Entre as principais concorrentes estão Iga Swiatek, nº 2 do mundo, e Coco Gauff, vencedora do WTA Finals em novembro.
O Brasil também estará representado no Grand Slam. Beatriz Haddad Maia é a única brasileira na chave de simples feminina e busca um recomeço de ano no Australian Open, enquanto, no masculino, Thiago Wild, João Fonseca e Thiago Monteiro estão garantidos. Nas duplas, Luisa Stefani, Marcelo Melo, Rafael Matos e outros nomes completam a lista verde e amarela.
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Fonsequismo em alta
João Fonseca é disparado o nome do momento no Brasil. O carioca de 18 anos furou o quali do Australian Open e vai disputar pela primeira vez a chave principal de um Grand Slam.
A sensação brasileira vem embalada de uma sequência de 13 vitórias, que já rendeu o título do Next Gen ATP Finals, no ano passado, e do Challenger de Camberra. No qualificatório, Fonseca atropelou seus rivais e chegou à chave principal sem perder nenhum set.
O desempenho fez com que o movimento “Fonsequismo” ultrapasse os limites nacionais. Boa parte do mundo destaca o jovem talento, que se juntou a Sinner, Frances Tiafoe e Guillermo Coria como os únicos tenistas com menos de 20 anos a aplicarem mais de um “pneu” em um quali de Grand Slam desde 2000.
Atual número 113º do ranking, Fonseca também tornou-se o primeiro tenista da América do Sul a furar um qualificatório de major com menos de 20 anos desde Juan Martin Del Potro no US Open de 2006.
A estreia, porém, está longe de ser fácil. O brasileiro encara Andrey Rublev, top 10 do mundo e, claro, favorito no confronto. Se passar, encara o vencedor de Lorenzo Sonego e Stan Wawrinka. A torcida brasileira, que já marcou presença no quali, deve aumentar ainda mais o volume no Melbourne Park.
Ex-tenista e comentarista da ESPN projetou a estreia do brasileiro no programa Aquece do Australian Open
Djokovic com Murray
Maior campeão do Australian Open, Novak Djokovic desembarca em Melbourne com uma adição importante na equipe técnica: Andy Murray. O britânico, ex-número um do mundo, se aposentou no ano passado e vai começar a carreira de treinador ao lado do rival e velho conhecido. Os dois membros do Big Four, inclusive, se encontraram em quatro finais de Aberto da Austrália, todas vencidas pelo sérvio (2011, 2013, 2015 e 2016).
Essa novidade aparece na carreira do sérvio após um ano de 2024 com “apenas” um título, a medalha de ouro olímpica, grande objetivo de Djokoc.
Em 2025, o tenista de 37 anos disputou o ATP 250 de Brisbane, onde caiu para Reilly Opelka nas quartas, e chega em Melbourne atrás do 25º troféu de Grand Slam. Se conseguir esse feito, vai se tornar o recordista, entre homens e mulheres, de títulos de major na história. Liderando essa estatística no masculino desde 2023, Nole divide a posição com a lenda australiana Margaret Court, que dá nome a segunda maior quadra do Aberto da Austrália.
Djokovic chega como favorito, afinal seus números impressionam. São 10 títulos no Australian Open e, nas últimas cinco edições que disputou, só não venceu no ano passado, quando perdeu a semifinal para Sinner, que terminou campeão.
Por ser cabeça de chave nº 7, o sérvio ficou mais "solto" no sorteio. Estreia contra a promessa americana Nishesh Basavareddy, convidado da organização. Por estar no mesmo quadrante de Alcaraz, pode ser obrigado a encarar o espanhol e, mais à frente, enfrentar Alexander Zverev em uma hipotética semifinal.
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Bia Haddad pronta para ‘recomeçar’ 2025
A temporada do tênis está só começando, é verdade, e o primeiro grande torneio do ano é o Australian Open. No entanto, Beatriz Haddad Maia está em terras australianas desde o Natal do ano passado para a disputa da United Cup, torneio disputado por países com equipes mistas, e o WTA 500 de Adelaide.
A tenista nº 1 do Brasil, porém, não começou bem a temporada: ainda não venceu um jogo de simples em 2025. Na United Cup, Bia perdeu os dois que disputou contra adversárias com níveis bem inferiores ao dela. O primeiro contra Xinyu Gao, então nº 175 do mundo, terminou com a canhota perdendo no 3º set e sentindo muitas cãibras. Na partida seguinte, a brasileira teve uma atuação bem irregular e foi superada por Laura Siegemund, da Alemanha e que ocupa a 80ª posição do ranking.
Em Adelaide, Bia Haddad perdeu logo na estreia para Madison Keys nas simples. Porém nas duplas, a brasileira foi vice-campeã jogando ao lado de Siegemund.
Pronta para um "recomeço" de ano no Australian Open, Bia Haddad espera superar o melhor resultado da carreira em Melbourne, na temporada passada, quando chegou a 3ª rodada e foi derrotada por Maria Timofeeva, tenista russa de 20 anos.
O major australiano é o único Grand Slam que a top 20 ainda não chegou na segunda semana. Em 2023, Bia alcançou sua melhor campanha em Slams ao chegar na semifinal de Roland Garros e, logo na sequência, avançou até as oitavas de Wimbledon. No ano passado, ela furou essa barreira no US Open e só parou nas quartas de final.
Cabeça de chave nº 15, Beatriz Haddad Maia estreia contra o Julia Riera, argentina que furou o quali. Se avançar, encara a vencedora de Erika Andreeva e Saisai Zheng. A tenista brasileira está no mesmo quadrante de Jasmine Paolini, com quem pode se encontrar nas oitavas. Em uma eventual semifinal, Swiatek deve aparecer no caminho.
Comentarista da ESPN fez a análise no programa Aquece do Australian Open
Alcaraz em busca do Career Grand Slam
Cabeça de chave nº 3, Carlos Alcaraz desembarcou em Melbourne para disputar apenas a 5ª edição de Australian Open da carreira. O espanhol de 21 anos tem um objetivo bem claro: completar o Career Grand Slam, que significa vencer ao longo da carreira os quatro majors do circuito.
Carlitos conquistou seu primeiro título no US Open de 2022, depois venceu Wimbledon em 2023 e, no ano passado, foi campeão de Roland Garros. Agora, o último título que falta no currículo do espanhol é o Aberto da Austrália, onde não costuma ir tão bem. O máximo que chegou foi às quartas de final, derrotado em 2024 por Zverev em 4 sets.
O ex-número um do mundo teve um final de temporada abaixo no ano anterior. Foi eliminado logo na segunda rodada do US Open e ainda na fase de grupos do ATP Finals. Título, apenas o ATP 500 de Pequim. Mas, se conquistar o Australian Open, vai se tornar o tenista mais jovem a completar o Career Grand Slam, posto que pertence a Rafael Nadal, aos 24 anos, em 2010. O último a fazê-lo foi Djokovic.
Carlitos inicia a campanha em Melbourne contra Alexander Scvchenko, do Cazaquistão, e pode encontrar o sérvio nas quartas de final. Caso avance, o espanhol está do mesmo lado da chave de Zverev e só encontra o atual nº 1 do mundo Sinner em uma eventual final.
Sabalenka embalada para o tri
Se na chave masculina os holofotes estão voltados para Djokovic, Alcaraz e Sinner, no feminino a grande estrela é Aryna Sabalenka. A tenista de Belarus é líder do ranking e bicampeã do Aberto da Austrália.
Popular nas redes sociais com vídeos descontraídos, Sabalenka teve um desempenho impressionante no ano passado, quando conquistou, além do Australian Open, o US Open e o WTA 1000 de Cincinnati e Wuhan.
Na última temporada, ela teve um retrospecto de 18 vitórias e apenas uma derrota em majors, vencendo 92,5% dos sets que disputou em 2024. Essa é a 3ª melhor marca na Era Aberta entre tenistas que disputaram ao menos 30 parciais em Grand Slam, atrás apenas da Serena Williams de 2002, com 95%, e Justine Henin de 2007 com 93%.
A tenista de 26 anos busca o tri na Austrália para se tornar a primeira mulher a vencer três títulos seguidos em Melbourne desde Martina Hingis em 1997 a 1999. Na Era Aberta, além de Hingins, apenas Margaret Court e Evonne Goolabong conseguiram essa sequência.
Mesmo com a difícil missão, Sabalenka está embalada pelo recente título do WTA 500 de Brisbane, que foi seu 18º caneco da carreira. Ela é a segunda tenista no tour com mais títulos, atrás apenas de Swiatek com 20.
A principal favorita estreia contra Sloane Stephens, americana de 31 anos que foi campeã do US Open 2017. Sabalenka está no mesmo quadrante que Qinwen Zheng e pode enfrentar em uma eventual semifinal a Coco Gauff, que junto com Iga aparecem como principais candidatas ao título.
Sinner favorito no masculino
Jannik Sinner é o homem a ser batido em Melbourne. Atual campeão e número um do mundo, o italiano viveu um 2024 excelente nas quadras (principalmente as duras, como na Austrália), mas com um doping polêmico fora delas.
O líder do ranking escapou de uma suspensão após um julgamento da Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) que está sendo analisado pela Agência Mundial Antidoping (WADA), que pode recorrer à decisão. Mesmo com esse problema, Sinner conseguiu uma sequência de 14 vitórias seguidas no final de 2024, coroada com os títulos do ATP Finals e Copa Davis. Além disso, ele teve menos jogos perdidos (6) do que títulos (7) na temporada passada.
Para continuar com sua dominância nas quadras duras, o italiano Nicolas Jarry na estreia e em seu quadrante está Alex De Minaur. O possível adversário de Sinner em uma eventual semifinal é Taylor Fritz, americano que ele derrotou na final do último US Open. Seus principais rivais, Alcaraz, Djokovic e Zverev estão todos do outro lado da chave e aparecem no caminho do italiano apenas em uma grande decisão.
Thiago Wild, Monteiro e os brasileiros nas duplas e outras chaves
Além de João Fonseca, Thiago Wild e Thiago Monteiro também vão representar o Brasil na chave masculina do Australian Open. Com a presença do trio e de Bia Haddad no feminino, o tênis brasileiro coloca quatro representantes na chave de simples do Aberto da Austrália pela 1ª vez desde 2003. Na ocasião, Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni, André Sá, Flávio Saretta e Alexandre Simoni formaram o quinteto brasileiro em Melbourne.
Aos 24 anos, Thiago Wild disputa o Australian Open pela 2ª vez na carreira e espera superar o resultado do ano passado, quando caiu na estreia da chave principal. O nº 1 do Brasil no masculino tem como melhor campanha em um Grand Slam uma 3ª rodada de Roland Garros em 2023. Na ocasião, Wild chegou a eliminar Daniil Medvedev.
O paranaense estreia contra Fabian Marozsan, húngaro nº 57 do ranking, e se avançar, encara o vencedor do duelo entre Frances Tiafoe, cabeça 17, e Arthur Rinderknech. Wild está no mesmo quadrante de Taylor Fritz.
Já Thiago Monteiro furou o qualificatório e vai disputar a chave principal na Austrália pela 6ª vez na carreira. Seu melhor resultado no Australian Open foi a 2ª rodada em 2021 e, em Grand Slams, chegou até a 3ª rodada de Roland Garros no ano de 2020.
O tenista cearense de 30 anos duela contra Kei Nishikori, japonês que já foi top 5 do mundo. Se passar, encara Tommy Paul, 12º cabeça, ou Christopher O’Connell. Monteiro está no mesmo quadrante de Alexander Zverev.
Nas duplas, a chave ainda não foi sorteada, mas o Brasil está confirmado com Marcelo Melo ao lado de Rafael Matos e Orlando Luz com o francês Gregoire Jacq. No feminino, Luisa Stefani joga com a norte-americana Peyton Stearns e Ingrid Martins faz dupla com a romena Irina-Camelia Begu. Além dos duplistas, Bia também deve entrar na disputa com a alemã Laura Siegemund.
Também estão na Austrália os juvenis Luis ‘Guto’ Miguel, Pedro Dietrich, Nauhany Silva e Victoria Barros. O Brasil também será representado no tênis em cadeira de rodas, com Ymanitu Silva no Quad, e Luiz Calixto e Vitoria Miranda no juvenil.
Premiação
Um dos apelidos do Australian Open é Happy Slam pelo ambiente alegre nos arredores do Melbourne Park e também por oferecer muito conforto aos tenistas, já que uma viagem para Oceania costuma ser longa.
Para fazer os atletas rirem, a organização vai pagar uma premiação recorde de 96,5 milhões de dólares australianos, algo em torno de R$ 364 milhões. Esse valor representa um aumento de quase 12% em relação ao prêmio do ano passado.
Os campeões nas simples (tanto no masculino como no feminino) levam para casa em torno de R$ 13 milhões, enquanto as duplas vencedoras do Grand Slam embolsam R$ 3 milhões. Só de se classificar para a chave principal de simples, como foi o caso dos brasileiros, a premiação já é de quase R$ 500 mil, mesmo para quem for eliminado na 1ª rodada.
