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Conheça o brasileiro escolhido como diretor de provas na estreia do surfe nas Olimpíadas

O surfe inicia uma nova era no próximo ano com a estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio e já é certo que o Brasil tem um nome marcado nessa trajetória. Com mais de 30 anos de palanque, o santista Marcos Bukão foi o escolhido para ser o diretor do campeonato que definirá os primeiros medalhistas olímpicos na modalidade.

O importante cargo na disputa é resultado de muita bagagem em mundiais – 46 no total, desde que a “caminhada olímpica” do surfe foi iniciada, em 1996, em Huntington Beach, Califórnia, quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) reconheceu o esporte. De lá para cá, Bukão esteve no comando de todas as competições da International Surfing Association (ISA), responsável por transformar o surfe em esporte olímpico, muito pelo empenho do argentino Fernando Aguerre.

(Foto: Divulgação)

Aos 64 anos, Marcos Bukão é engenheiro mecânico por formação, mas foi no surfe que construiu uma carreira. Começou a pegar ondas em 1972, aos 17 anos. Em 81 teve o primeiro contato com campeonatos na Associação Surfe de Santos e dois anos depois, passou a organizar eventos, junto com os amigos Ika Cangiano e Fábio Botuão, o Jacuí. Em 88, era o presidente da antiga Associação de Surfe da Baixada Santista (ASBS), hoje a Federação Paulista, e quando foi criada a Abrasa – Associação Brasileira de Surfe Amador, que depois se tornaria a atual Confederação Brasileira de Surfe, foi convidado para ser diretor de provas da entidade, por seu perfil técnico. Desde então, é ele o responsável pelas etapas nacionais.

A estreia do surfe como modalidade olímpica terá 40 atletas nos Jogos de Tóquio em 2021, sendo 20 no masculino e 20 no feminino. O número foi definido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Marcos Bukão participou do processo de elaboração do formato de disputas.

Para Bukão, o adiamento dos Jogos para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus não afetará em nada a parte técnica. “Ano passado, durante o Test Event em Tsurigasaki, já estávamos 100% prontos para fazer o evento, assim como estamos agora e estaremos daqui a um ano. Na parte organizacional, estrutura, logística, vai depender de como esse adiamento pode impactar o Comitê Organizador Local”, afirmou.

O surfe nos Jogos Olímpicos, segundo ele, é resultado direto da obstinação de Fernando Aguerre, que sempre acreditou que o esporte chegaria lá. “Um trabalho de décadas, com constantes reuniões junto ao COI e seus delegados, um trabalho muito forte no sentido de se trazer o maior número de países possíveis para a ISA, assim como ajudar essas nações a terem o surfe reconhecido por seus respectivos Comitês Olímpicos Nacionais”, argumentou.

“Foi um longo caminho”, completou o diretor de provas, que terá a companhia de outros dois brasileiros na parte técnica, o catarinense Luli Pereira, hoje um dos principais juízes da World Surf League (WSL) e o gaúcho Marcel Miranda, como juiz de prioridade.