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Surfe: Italo Ferreira teve passaporte roubado e furacão até a vitória de jeans; surfista brasileiro relata 'epopeia' que viveu

O surfista Italo Ferreira protagonizou uma das cenas mais icônicas e, talvez, uma das melhores histórias do surfe na última terça-feira, quando se atrasou para a prova e venceu a bateria com jeans.

Mas o que realmente aconteceu nos últimos dias que o atrapalharam? O surfista explicou em postagem no seu Instagram.

Primeiramente, Italo foi roubado há quatro dias. Ele estava nos Estados Unidos quando teve seus pertences levados, e junto com eles seu passaporte.

No mesmo dia que foi roubado, tinha um voo marcado para o Japão - local em que iria competir nos Jogos Mundiais de surfe em busca de sua vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

Neste momento, precisava de um novo passaporte, um visto japonês e um visto americano. Segundo ele, seria mais fácil fazer tudo isso fora dos EUA.

Conseguiu marcar uma entrevista para o dia 9 de setembro em território japonês, então deixou a América no dia anterior... ou ao menos embarcou.

Porque ficou 18 horas dentro do avião, já que seu voo atrasou por causa de um furacão.

Como não conseguiria chegar no horário para a entrevista, remarcou para o dia seguinte, dia 10, às 8h30. Detalhe? Era o dia da competição. E Italo não tinha garantia nenhuma de que teria seu visto aprovado.

Em seu texto, afirma que "estava confiante e feliz, mesmo depois de tudo, só por ter chegado até o Japão".

Quando chegou ao país, foi à reunião, teve seu visto aprovado e deixou seu passaporte no consulado americano para tentar o visto que lhe faltava. Mas ainda tinha outro detalhe: ele não estava na cidade que competiria.

Correu ao aeroporto, pegou um voo e conseguiu chegar à Miyazaki.

O evento atrasou em uma hora, o que lhe deu esperança de não se atrasar. O surfista pousou no aeroporto e imediatamente saiu correndo para o carro do Comitê Brasileiro que o esperava no local, deixando as malas para trás.

Sua bateria era a 6ª do primeiro round. Com sua carona, conseguiu chegar em dez minutos na praia. Atrasado, mas chegou.

Faltavam nove minutos para se encerrar a bateria. Tarefa 'simples' agora: o brasileiro precisava de uma combinação de 12 pontos para avançar quando entrou na água com a última prioridade para as ondas, uma prancha emprestada por seu colega de World Surf League e compatriota Filipe Toledo e de bermuda jeans.

"Tudo até ali estava certo, porque eu 'só' precisava surfar e fazer o que eu mais amo em um tempo curto", afirmou.

Dentro da água, mesmo com poucas ondas, somou 13,46 pontos e garantiu a vitória com um aéreo, deixando o argentino Leandro Usuna em segundo lugar e Dylan Southworth em terceiro.

Após a prova, afirmou ao site Dukesurf que os juízes nem lhe viram entrar na água, logo não havia prioridade alguma para ele: "Tudo parecia perdido para mim". Mas deu tudo certo.

Em sua postagem, finalizou falando que mesmo tendo tudo para dar errado, sempre manteve a esperança: "Isso para mim foi uma história de superação". E afirma que mesmo não sendo um campeonato com classificação direta para as Olimpíadas, é importante para sua classificação no ranking da WSL, por onde ele tenta a classificação para Tóquio no ano que vem.

Para os surfistas da América, as vagas para Tóquio 2020 serão conseguidas através dos Jogos Pan-Americanos (um homem e uma mulher), o Mundial de surfe de 2019 da WSL (dez homens e oito mulheres) e os Jogos Mundiais de surfe de 2020 (quatro homens e seis mulheres).

Nos Jogos Mundiais de surfe no Japão, garantirão vaga olímpicas quatro homens e quatro mulheres desde que eles sejam dos seguintes continentes: África, Ásia, Europa e Oceania.

Se não estivesse no Japão ontem, não poderia mais conquistar a vaga.

"Tem muita coisa para rolar até lá [as Olimpíadas], mas, para mim, chegar até aqui já foi uma vitória", finalizou.