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Mundial de surfe: Gelada e temida por causa dos tubarões, etapa de J-Bay começa nesta terça

O Circuito Mundial de surfe chega em sua sexta etapa e a corrida pelo título começa a ganhar forma. Entre 9 e 22 de julho, com as chamadas acontecendo por volta das 2 horas da manhã, de Brasília, Jeffrey’s Bay pode ser o evento que vai mudar o rumo das coisas.

Localizada na fria baía de Eastern Cape, na África do Sul, as ondas de J-Bay são também umas das mais temidas pelos surfistas – por seus tubos profundos, ferozes e gelados, mas principalmente pelos tubarões que os habitam.

Nos últimos quatro anos, desde o ataque sofrido por Mick Fanning na final da competição, em que conseguiu se desvencilhar de um tubarão branco, a World Surf League (WSL) tem feito a etapa mais segura para seus atletas – cerca de cinco jet skis rondando o local, além de boias inteligentes, que detectam a presença dos animais.

Mas isso não faz com que eles sumam de vez – afinal, como sabemos, lugar de tubarão é na água, né? –, e já aconteceu de paralisarem algumas baterias pelo aparecimento do predador, sendo uma coisa bem recorrente em eventos críticos.

Mesmo com os riscos corridos, a África do Sul ainda é o evento favorito de muitas atletas. Em entrevista dada à ESPN, a brasileira Tati Weston-Webb falou sobre a mística do local. “Essa onda é um sonho, é muito perfeita, quando você vê as linhas entrando no mar, não há nada melhor”, afirmou.

BRASILEIROS POR LÁ

Os surfistas brasileiros nunca tinham tido chance em J-Bay, em eventos de elite. Até 2017, o melhor resultado havia sido de Peterson Rosa, em 2000, quando conquistou um segundo lugar ao fazer a final contra o australiano Jake Paterson.

Mas em 2017 nasceu um novo talento no pico e tudo mudou. Com suas manobras rápidas e progressivas, Filipe Toledo fez uma etapa que há muito tempo não se via, descrita pelo própria WSL como “uma mudança de paradigma sísmico no surfe profissional pós-moderno”. Com isso, a WSL precisou até alterar seu critério de julgamento para não soltar notas máximas de forma repetida e tirar a dinâmica da competição.

Na ocasião, foram duas notas 10, floaters, rasgadas e tubos inacreditáveis, que fizeram o ‘Rei dos Aéreos’ ter a performance mais consistente do evento e provar o seu leque de manobras em diversos tipos de ondas, deixando claro ao olhar público que, sim, ele consegue encarar ‘Supertubos’.

Na última temporada, ele repetiu o feito. Não deu chance a ninguém e cravou o título de bicampeão em Jeffrey’s, fato que até então parecia apenas ilusão para os atletas brasileiros.

Agora, após clamar o tricampeonato no Rio de Janeiro, com direito a uma vitória contra Kelly Slater nas oitavas de final, Filipinho chega confiante para defender seu título, que até já ficou marcado na pele.

SURFISTAS COM CHANCE EM J-BAY

Não pense que o brazuca conseguirá passar fácil pelos adversários. Existem alguns grandes nomes pela frente: Jordy Smith, local do pico, que conhece aquelas ondas como ninguém; Julian Wilson, que já até enfrentou tubarão por lá (na final de 2015), e Kolohe Andino, que vem voando – literalmente, com vários aéreos – e é o atual vice-líder do ranking.

Falando em liderança, o primeiro colocado do ranking, John John Florence, que já venceu duas etapas somente neste ano e era um dos favoritos ao título, passou por cirurgia do LCA (Ligamento Cruzado Anterior) do joelho direito e está de fora da temporada, deixando a disputa aberta: quem tomará o seu lugar?

E, claro, que o atual campeão do mundo não poderia faltar na lista de favoritos em J-Bay. Gabriel Medina nunca chegou a uma final em Jeffreys Bay, mas tem sido presença constante, ao menos, nas quartas de final. O brasileiro chegou em tal fase nas últimas 5 edições do evento. O problema é que só avançou para a semi em uma delas (2017), quando perdeu a vaga na final para o português Frederico Morais. De qualquer forma, Medina já mostrou grande evolução no local e, por isso, pinta entre os favoritos.

LESÃO DE JOHN JOHN MEXE COM O RANKING

Se com John John Florence saudável tínhamos um grande e claríssimo candidato ao título com quase 5.000 pontos de vantagem para o vice, agora o que se vê no ranking da WSL é uma briga acirrada e com vários atletas querendo tomar frente. Kolohe (2º) e Filipe (3º) são os maiores candidatos e ambos precisam chegar na semifinal desta etapa para já assumir a liderança. O brasileiro está apenas 565 pontos atrás do norte-americano.

Na sequência, o sul-africano Jordy Smith e o japonês Kanoa Igarashi são os outros que podem já tomar a lycra amarela, que simboliza a 1ª posição no ranking, na África do Sul. Neste caso, eles precisam, ao menos, chegar na final da competição.

O top-10 do Mundial de surfe está assim:

1. John John Florence (HAV) – 32.160

2. Kolohe Andino (EUA) – 27.760

3. Filipe Toledo (BRA) – 27.195

4. Jordy Smith (AFS) – 26.045

5. Kanoa Igarashi (JAP) – 24.705

6. Ítalo Ferreira (BRA) – 22.150

7. Kelly Slater (EUA) – 17.735

8. Gabriel Medina (BRA) – 16.895

9. Julian Wilson (AUS) – 16.810

10. Ryan Callinan (AUS) – 16.810

Outro fator que também terá alterações pela lesão de John John é a qualificação olímpica para Tóquio-2020. Serão 10 atletas classificados pelo ranking final da WSL. No entanto, há uma limitação de dois surfistas por país. E, como o Comitê Olímpico Internacional (COI) não difere Havaí e Estados Unidos, neste momento a vaga de John John estaria indo para as mãos do 11x campeão mundial Kelly Slater, de 47 anos. Ele acompanharia Kolohe Andino na representação de seu país.

Pelo lado brasileiro, a disputa parece estar entre Filipe Toledo, Ítalo Ferreira e Gabriel Medina. Dois deles devem estar em Tóquio. Neste momento, Filipe e Ítalo estão na zona de qualificação. No entanto, Medina é conhecido por ir muito bem na segunda parte do ano e pode ser um grande problema para os seus concorrentes.

NO FEMININO, LÍDER INESPERADA E IMPREVISIBILIDADE EM J-BAY

O mundial de surfe feminino está acirrado de uma maneira que talvez não tenhamos visto em nenhum momento da última década. São várias as surfistas que podem brigar pelo título mundial e a grande prova disso é que a líder é a australiana Sally Fitzgibbons, uma das que menos recebia os holofotes no circuito. Ela assumiu o posto após a vitória na etapa do Rio de Janeiro, mas em J-Bay terá 5 surfistas em sua cola, querendo pegar a tão sonhada liderança.

As mulheres voltaram a competir na África do Sul em 2018, após quase duas décadas. Stephanie Gilmore, hoje 3ª colocada do ranking, foi a que apresentou o surfe mais consistente e, por isso, sagrou-se campeã na ocasião. Ali, ela começava a trajetória rumo ao seu heptacampeonato mundial. Curiosamente, a vice-campeã também foi a sua vice no final do ano: a norte-americana Lakey Peterson. Portanto, é possível apontá-las como duas favoritas ao caneco.

A brasileira Tatiana Weston-Webb vem logo atrás. Ela surfou muito bem no evento de 2018 e só caiu para a campeã na semifinal. No mesmo patamar de Tati, a havaiana Carissa Moore e a norte-americana Courtney Conlogue aparecem na lista de promessas ao título da etapa africana.

A outra brasileira na etapa, Silvana Lima, não leva boas recordações de Jeffrey’s Bay. Afinal, foi lá que ela “ganhou” a lesão no joelho, que a deixou fora do restante da temporada de 2018. No entanto, nos poucos minutos em que esteve na água, Silvana empolgou. Mostrou um bom surfe e se lesionou ao tentar uma manobra complicada. Agora, totalmente recuperada, tem como objetivo chegar às fases finais para se consolidar no top-10 e também entre as 8 surfistas na zona de qualificação olímpica. Assim como no masculino, no feminino há o limite de duas surfistas por país em Tóquio-2020.

Veja abaixo o top-10 do mundial de surfe feminino:

1. Sally Fitzgibbons (AUS) – 32.580

2. Carissa Moore (HAV) – 31.175

3. Stephanie Gilmore (AUS) – 30.320

4. Courtney Conlogue (EUA) – 26.845

5. Lakey Peterson (EUA) – 26.050

6. Caroline Marks (EUA) – 24.705

7. Tatiana Weston-Webb (BRA) – 22.510

8. Malia Manuel (HAV) – 21.715

9. Brisa Hennessy (CRC) – 19.230

10. Johanne Defay (FRA) – 15.185

14. Silvana Lima (BRA) – 14.190

Confira abaixo as baterias da primeira fase do evento em J-Bay:

Round 1 masculino:

1. Gabriel Medina (BRA) x Joan Duru (FRA) x Frederico Morais (POR)

2. Ítalo Ferreira (BRA) x Peterson Crisanto (BRA) x Soli Bailey (AUS)

3. Kanoa Igarashi (JAP) x Jesse Mendes (BRA) x Adriano de Souza (BRA)

4. Jordy Smith (AFS) x Caio Ibelli (BRA) x wildcard

5. Kolohe Andino (EUA) x Yago Dora (BRA) x wildcard

6. Filipe Toledo (BRA) x Adrian Buchan (AUS) x wildcard

7. Julian Wilson (AUS) x Deivid Silva (BRA) x Jadson André (BRA)

8. Conner Coffin (EUA) x Willian Cardoso (BRA) x Ezekiel Lau (HAV)

9. Ryan Callinan (AUS) x Michael Rodrigues (BRA) x Ricardo Christie (NZL)

10. Kelly Slater (EUA) x Jeremy Flores (FRA) x Sebastian Zietz (HAV)

11. Michel Bourez (FRA) x Owen Wright (AUS) x Jack Freestone (AUS)

12. Wade Carmichael (AUS) x Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA)

Round 1 feminino:

1. Stephanie Gilmore (AUS) x Johanne Defay (FRA) x Macy Callaghan (AUS)

2. Carissa Moore (HAV) x Bronte Macaulay (AUS) x Sage Erickson (AUS)

3. Sally Fitzgibbons (AUS) x Nikki Van Dijk (AUS) x Bianca Buitendag (AFS)

4. Courtney Conlogue (EUA) x Brisa Hennessy (AFS) x Paige Hareb (NZL)

5. Lakey Peterson (EUA) x Malia Manuel (HAV) x Keely Andrew (AUS)

6. Caroline Marks (EUA) x Tatiana Weston-Webb (BRA) x Silvana Lima (BRA)

Lembrando que tudo com transmissão da ESPN e do WatchESPN