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Após 5º lugar na SLAR, Confederação Brasileira de Rugby faz balanço sobre Cobras e revela próximos passos

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CEO da Confederação Brasileira de Rugby destaca objetivos e comenta o que quer: 'A gente precisa ter uma base forte e relevante' (1:54)

Mariana Miné foi entrevistada por Ari Aguiar com exclusividade aos canais ESPN (1:54)

Surto de Covid-19 antes da viagem ao Chile, reforços às pressas, bolha durante a competição. Não foi missão simples, mas a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) fez um balanço positivo da participação do Cobras Brasil XV na Superliga Americana de Rugby (SLAR), disputado no Chile e Uruguai, que terminou para a equipe brasileira com uma vitória contra o Selknam, do Chile, por 21 a 20, com um penal convertido pelo centro Moisés Duque no último minuto da partida.

O time voltou para casa com o 5º lugar no torneio (3 vitórias e 7 derrotas), que conta com seis participantes e ainda terá pela frente as semifinais disputadas neste sábado entre Jaguares XV (Argentina) e Olimpia (Paraguai) e Peñarol (Uruguai) e Selknam (Chile). A decisão da SLAR está marcada para o dia 15 deste mês, em Montevidéu.

“O surto de Covid teve um impacto muito grande. Vínhamos de dois meses de intensa preparação, e a chegada do Emiliano (head coach) somou muito neste processo, nos métodos e na integração das áreas”, afirma Fernando Portugal, assistente técnico do Cobras e head coach de Seleções da CBRu. Ao todo, 11 jogadores testaram positivo para o novo coronavírus e ficaram isolados por 13 dias até receberem a liberação de viajarem para o Chile. Por conta dos casos, o Cobras perdeu a estreia por W.O. para o Jaguares XV. “A luta ali era garantir nossa participação no torneio. Tentamos adaptar treinos virtuais, fizemos um treino apenas antes do jogo contra o Peñarol. A dificuldade na preparação e o estresse emocional nos custaram muito para os jogos seguintes”, apontou.

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A troca de jogadores em meio ao campeonato trouxe naturais problemas de adaptação para o elenco, que contava também com alguns atletas argentinos. “Maior ponto positivo foi conseguir criar uma relação dentro deste grupo. No Uruguai conseguimos se fechar mais. A SLAR é o nosso treino de luxo. Ter passado por tantos desafios prepara o grupo para o objetivo final, que é uma vaga no Mundial”, destaca Felipe Sancery, centro e capitão do Cobras.

Quem também ressaltou o tamanho do desafio foi o head coach Emiliano Bergamaschi. “Nunca na minha carreira vi algo assim, com esta quantidade de jogos em um período tão curto”, disse. Do dia 21 de março, quando enfim estreou, até 1º de maio, o Cobras disputou nove partidas na SLAR, período ainda que se deslocou do Chile para o Uruguai. “Ao longo do campeonato, vimos que o nível de competitividade da SLAR era muito alto. Ao mesmo tempo, corríamos para recuperar os jogadores. Todas as dificuldades uniram o time, que trabalhou o tempo todo para melhorar como equipe”, explicou o técnico argentino, que assumiu o Cobras este ano.

Já de volta ao Brasil, a missão agora é recuperar fisicamente os jogadores que também fazem parte dos Tupis, a seleção brasileira de rugby, para as qualificatórias do Mundial de 2023, que é jogado também na modalidade XV e terá a França como sede. Os jogos entre Brasil, Paraguai, Chile e Colômbia ainda não têm data definida, mas devem acontecer entre junho e julho. Os dois melhores se juntam ao Uruguai na fase final, em novembro, que ainda contará com as seleções dos Estados Unidos e Canadá. “É pensarmos jogo a jogo. O evento já é grande o suficiente para a gente se pressionar ainda mais”, alerta Felipe Sancery. O Brasil jamais disputou a Copa do Mundo de rugby. Quanto à modalidade Sevens, os Tupis deverão disputar em junho o pré-olímpico por uma vaga nos Jogos de Tóquio. As Yaras, seleção brasileira feminina, já estão garantidas nas Olimpíadas.

A expectativa para o futuro cresce, mas os efeitos da pandemia persistem de forma implacável. “Impossível desenvolver o rugby nacional neste momento”, sinaliza Fernando Portugal, que também revela as próximas metas para o futuro do esporte no país. “A CBRu tem projetos ambiciosos para as categorias de base e equipes femininas. Só que o cenário depende da condição sanitária do país. Muitos clubes masculinos e femininos ainda não conseguem competir em alto nível. Precisamos urgentemente trabalhar na formação de novos jogadores”, aponta o head coach das seleções nacionais.