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Rugby: CBRu mira investimento na base e em time feminino para desenvolver esporte no Brasil

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CEO da Confederação Brasileira de Rugby comenta dificuldade de patrocínio: 'Desde o fim dos Jogos Olímpicos no Brasil vem minguando' (0:59)

Mariana Miné foi entrevistada por Ari Aguiar com exclusividade aos canais ESPN (0:59)

Mariana Miné é a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu). No Brasil ainda é uma raridade encontrar uma mulher no cargo de dirigente esportiva.

Assim como o futebol, as mulheres foram proibidas por lei de jogar rugby no Brasil por 40 anos, durante a ditadura militar, sob a justificativa de que era um esporte "incompatível com a natureza feminina". Somente em 1981, a modalidade foi permitida para mulheres no país.

Em entrevista ao narrador da ESPN Brasil Ari Aguiar, Mariana revelou que resolveu aceitar o novo cargo movida ao desafio de dar mais visibilidade do rugby às mulheres. E foi justamente pelas Yaras, time feminino de rubgy do Brasil, que Miné, formada em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tomou a decisão de trocar o mercado corporativo pelo esportivo.

''O rugby é um esporte de força física, de muito contato que o cidadão comum, que não conhece o esporte, associa fortemente a masculinidade. Existe um sonho muito grande para as Yaras e te confesso que uma das coisas que me fez sentar nessa cadeira foram as Yaras. É inspirador mostrar que mulheres jogam rugby, sim! A partir do momento em que a gente dá voz ao projeto das Yaras, mostra que a gente tem um time feminino tão forte, tão vencedor e campeão, a gente inspira meninas e mulheres a sonharem além do estereótipo feminino padrão'', disse Mariana.

A CEO da CBRu tem como missão profissionalizar o rugby feminino no Brasil em um curto período de tempo e já trabalha para realizar o primeiro campeonato feminino de rugby de XV no país.

''As Yaras são foco muito grande para a gente em termos de investimento, a gente começa a sonhar com a modalidade de XV a partir desse ano já. Estamos no mercado captando investimentos para conseguirmos colocar esse projeto para rodar'', contou.

As Yaras vão representar o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio 2020, em julho. Elas se classificaram ao conquistar o título do Pré-Olímpico sul-americano, disputado em Lima, no Peru, em junho de 2019. No preparatório para os Jogos Olímpicos, realizado em Dubai, as meninas terminaram em quarto lugar. Para Mariana, o foco da CBRu está em garantir que elas tenham as melhores condições possíveis para fazer história no Japão

''A gente tem um ciclo olímpico terminando agora. Cinco anos de trabalho para a gente jogar Olimpíadas de Tóquio agora nesse ano. O foco delas e o nosso orçamentário agora está 100% em garantir que elas tenham as melhores condições possíveis para entrar em campo em Tóquio e arrasar, fazer o melhor jogos olímpicos que elas conseguirem'', disse a dirigente.

Além dos Jogos Olímpicos, Mariana tem pela frente grandes desafios a fim de tornar o rugby um esporte mais valorizado no Brasil. Uma de suas prioridades é investir na base para que o esporte continue crescendo em alto rendimento.

''É importante para a Confedereção garantir que a gente tenha torneios nacionais relevantes, de peso, que a gente consiga dar condições de jogo para atletas no Brasil inteiro, porque a gente precisa ter uma base forte e relevante. Até para continuarmos crescendo em alto rendimento. A gente, pela primeira vez, vai ter um campeonato juvenil-nacional. Captamos esse projeto no final do ano passado e estamos esperando condições pandêmicas e sanitárias para conseguir jogar'', disse a CEO.

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CEO da Confederação Brasileira de Rugby diz qual é o sonho que tem com o esporte feminino e dá recado sobre visibilidade

Mariana Miné foi entrevistada por Ari Aguiar com exclusividade aos canais ESPN

O Cobras é o time masculino que está representando o Brasil na SLAR (Superliga Americana de Rugby). A equipe ocupa a penúltima colocação, com 6 pontos e restam apenas 2 rodadas.

Você assiste a Cobras x Cafeteros nesta segunda-feira (26), às 15h (horário de Brasília), ao vivo, na ESPN e ESPN APP. No sábado (1), às 18h, a equipe enfrenta o Selknam, que também terá transmissão exclusiva da ESPN e ESPN App.

A Superliga é o principal torneio entre clubes sul-americanos e faz parte da preparação dos jogadores que integram a seleção brasileira masculina de rugby e disputarão a Eliminatória para a Copa do Mundo da modalidade, na França, em 2023. A previsão é que o classificatório ocorra na sequência do SLAR, em junho.

''O desafio grande é o qualifier desse ano para a Copa do Mundo de 2020/2023. Pela primeira vez a gente está em um ''qualifiers'' com chance real de classificação. Então, para os meninos a minha prioridade é essa: classificá-los'', disse a CEO.

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CEO da Confederação Brasileira de Rugby destaca objetivos e comenta o que quer: 'A gente precisa ter uma base forte e relevante'

Mariana Miné foi entrevistada por Ari Aguiar com exclusividade aos canais ESPN

A CBRu busca captar novos patrocinadores para o esporte, o que em um momento de crise financeira causada pela pandemia da COVID-19, fica ainda mais difícil. Para Mariana, o segredo está em gerar valor.

''O dinheiro para o esporte é um dinheiro que vem minguando desde o fim dos Jogos Olímpicos no Brasil. Numa situação de incerteza econômica isso é mais forte e mais recorrente. A minha estratégia passa muito por gerar valor. Precisamos ter essa discussão urgentemente no esporte brasileiro. Eu falo isso como uma profissional do esporte. Precisamos gerar valor para o patrocinador'', disse Miné, que completou:

''A gente tem que parar de achar que o patrocinador está com a gente por filantropia. Não existe verba de marketing para filantropia. Quando uma empresa investe em uma entidade esportiva, ela espera retorno de visibilidade em troca''.