<
>

Rugby: Eleição por presidência mundial opõe 'parceiros' e tem mesmo vice nas duas chapas

A World Rugby (maior entidade do esporte, como a Fifa no futebol) escolhe a partir de 26 de abril seu presidente – remotamente, por conta da pandemia do novo coronavírus – com chances iguais dos dois candidatos nas pesquisas prévias.

Eles que andam juntos na atual administração: o presidente Bill Beaumont, 68 anos, ex-jogador e capitão da Seleção da Inglaterra; e seu vice, Agustin Pichot, 45 anos, ex-jogador e capitão da Seleção da Argentina. Eles se enfrentam numa inusitada luta pelo comando do rugby com propostas diferentes, vejamos:

Bill Beaumont:

A - Reforma na governança, revisão de como são tomadas decisões dentro do esporte e criação de grupo de trabalho para fazer frente a crise econômica que vem por conta do COVID-19.

B - Reforma no calendário global, evitando atritos com clubes.

C - Revisão da política financeira especialmente com repasse de verbas.

D - Maior segurança para os atletas.

E - Rugby Feminino: aumentar a participação feminina nas decisões da entidade, calendário global e tornar economicamente viável o Mundial Feminino.

Agustin Pichot:

A - Criação de um torneio mundial com 12 ou 14 seleções, fazendo face e uma retomada econômica difícil por conta do Covid-19, deixando mais atrativo no curto prazo o rugby.

B – Tornar o jogo mais atrativo, criando uma equipe de inovação dentro da entidade, utilizando os melhores e atuais recursos tecnológicos.

C – Apoiar os países emergentes nas categorias de base – o Brasil é citado.

D – Transformação de toda a estrutura vigente da World Rugby objetivando maior agilidade e administração moderna.

E – Colocar os jogadores com mais voz dentro da entidade, participando na tomada de decisões, especialmente no que tange as questões salariais.

F – Tornar mais democrática a entidade, visando no logo prazo eliminar o peso de votos, que hoje favorece as grandes potências do rugby.

O resultado será conhecido no dia 12 de maio. Para o Brasil, a vitória de Pichot pode significar maior visibilidade, Pichot sempre foi um apoiador do rugby brasileiro. Estive com ele no ano passado e conversamos exatamente sobre isso, como o Brasil e muitas outras nações emergentes deveriam ter mais voz e espaço na World Rugby. A Confederação Brasileira de Rugby já se manifestou a favor do argentino na eleição.

Existe uma questão embutida nos quesitos de cada chapa, que versa sobre uma liga mundial de rugby de seleções, algo que foi à pauta nos últimos tempos na World Rugby e, por conta das seleções do Six Nations, não vingou. Pichot acredita muito nesse modelo, enquanto Beaumont é mais cético a respeito.

Outro fato inusitado é a vice-presidência, que será do ex-treinador da França Bernard Laporte. A princípio, ele seria vice apenas de Beaumont, mas aceitou, posteriormente, também ser vice de Pichot. Na World Rugby o vice é eleito separadamente do presidente. Ao meu ver, Laporte é o grande vencedor da eleição, porque participará ativamente da entidade, e mais ainda, começa a criar sua plataforma para a presidência no futuro.

Enfim, apesar de historicamente os franceses terem como característica não fechar questão em temas mais agudos no mundo do rugby, Laporte pode surfar para o lado que levar vantagem nesta próxima administração.

O clima é ameno. Respeito é o padrão para a eleição, mas pela primeira vez na história, o ‘status quo’ da World Rugby estará sendo testado. Novos tempos virão com Pichot? Ou a manutenção do mundo do rugby atual continuará com Beaumont?

Dia 12 de maio teremos a resposta.